Para Brasileiros

CD do Mutantes enfim ganha edição nacional e banda prepara turnê pelo Brasil

Por Marcos Lauro Publicado em 15/12/2010, às 15h36

Mutantes, com Sérgio Dias à frente, busca seu novo espaço no Brasil
DIVULGAÇÃO

"Peraí, deixa só eu acabar com este figo cristalizado que a gente já conversa." De sua casa, na Granja Viana, Grande São Paulo, Sérgio Dias curtia um docinho quando foi interrompido. A casa estava cheia, com os músicos da formação atual do Mutantes fazendo os últimos ensaios para o show do SWU, ocorrido em 5 de outubro. Haih... or Amortecedor, primeiro disco de inéditas desde 1974, foi lançado no mercado norte-americano em setembro de 2009 e somente agora ganha uma edição nacional, via Coqueiro Verde. "Após a saída da Zélia Duncan e do Arnaldo Baptista, a Sony Music tinha a opção de um segundo disco (depois de Mutantes ao Vivo - Barbican Theatre, Londres 2006). Como a gravadora não quis e havia cinco ou seis companhias norte-americanas interessadas, só aproveitei a oportunidade", explica o guitarrista, que, junto com Dinho Leme, baterista, é o que ficou da formação original da banda. Nos Estados Unidos, o disco saiu pela gravadora ANTI-. "Faremos uma turnê no Brasil em janeiro. Antes disso, até o fim do ano, cobriremos os Estados Unidos de costa a costa", diz Dias. Mas será que ele não tem receio de o Mutantes ganhar aquela fama de "mais famoso lá fora do que no Brasil"? "Não tenho medo de nada. Eu daria esta entrevista a você mesmo se soubesse que morreria amanhã." A edição nacional do álbum tem alterações na ordem das faixas e algumas extras, incluindo "Amortecedor".

"Dei apenas a palavra 'amortecedor' a Tom Zé e ele criou vários desdobramentos e fez a música. Ele é uma aula ambulante", diz o guitarrista.

Se depender de Sérgio Dias, o Mutantes revivido ainda terá muitos anos e discos pela frente. "Daqui a uns dez anos, eu paro. Mas os Mutantes são uma entidade, não dependem de mim ou do Arnaldo... A magia está lá", conta, mostrando que não liga muito para os críticos que questionam a banda com esta formação atual. "Quando lançamos 'Balada do Louco', os críticos nos crucificaram. Depois vimos o que aconteceu com a música."