Tecnologia e Música de Massa

Deadmau5, a maior estrela revelação da dance music, é um excêntrico ex-hacker

Por Vanessa Grigoriadis Publicado em 15/12/2010, às 15h45

Joel Zimmerman em sua versão Deadmau5, ao vivo
NOEL VASQUEZ

Uma enorme cabeça de rato com ar condicionado não estava no plano original do músico eletrônico Joel Zimmerman, o canadense de 29 anos que se apresenta como Deadmau5 (pronuncia-se "dead mouse"). "Há uns anos, eu estava praticando modelagem em 3D no meu computador, brincando com esferas, e fiz o formato de uma cabeça de rato", ele conta. "Achei que era meio engraçado ser o cara misterioso vestido de rato, como o Daft Punk. Você pode passar por aqueles caras no supermercado sem nem saber."

A icônica cabeça provou ser a chave do sucesso de Zimmerman. Desde que começou a usá-la, em 2007, alegrou dezenas de milhares de baladeiros movidos a MDMA e se transformou em um artista que conseguiu sair do nicho da dance music e cair no gosto popular. "Com Lady Gaga e David Guetta, a dance music está definitivamente tendo seu momento no mainstream", diz Zimmerman, que é alto e magro e tem uma tatuagem de um Space Invader no pescoço. Não é de festas, entretanto: "Quando olho para a pista, parece o inferno. Fico pensando: 'E se eu tiver que ir mijar?'"

Zimmerman tem o tom ácido e a palidez branca azulada do hacker do fórum online 4chan que costumava ser ("deadmau5" era seu nome na rede IRC). Filho de uma pintora e de um gerente da GM, desistiu no ensino médio e passou a adolescência aprendendo sozinho design gráfico, programação e ProTools. "Pensei em ir para a faculdade", diz. "Mas iriam me ensinar coisas que eu já havia aprendido na internet." Quando notou que as vendas da house music online estavam indo bem, tentou criar uma faixa por brincadeira. Seu primeiro sucesso, "This Is the Hook", é uma cutucada na house music. "A house é tão baseada em fórmulas que daria para criar um software para fazer essas coisas", ele diz.

Durante seus shows, Zimmerman trabalha duro, mantendo o controle de seus equipamentos por meio de telas de vídeo ligadas ao computador touch screen que ele mesmo projetou. "Odeio ser visto como DJ, porque não sou um cara lá em cima tocando dois CDJs", conta. "Lido com nove milhões de problemas para tocar ao vivo." Ele sorri. "Para entreter as pessoas, preciso me entreter primeiro."