Desejada pelo mundo

Por Erik Hedegaard Publicado em 10/01/2011, às 14h30

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Em 2000, Gisele Bündchen já estava no topo: aos 20 anos, a top brasileira era cobiçada pelos mais exigentes estilistas, perseguida pela imprensa e questionada sobre seu então namorado, Leonardo DiCaprio. Mas, mesmo com o planeta a seus pés, ela só tinha uma coisa em mente: assistir a uma queima de fogos de artifício em Los Angeles

Gisele Bündchen, que aos 20 anos ganha cerca de US$ 7 mil por hora e US$ 5 milhões por ano como a modelo mais requisitada do mundo, quer ver fogos de artifício. Quer que fogos laranjas, vermelhos e brancos estourem e pulsem diante de seus olhos, e explosões de trovoadas ressoem em seus ouvidos e cheguem até as pontas das unhas claras dos dedos de seus pés. Quer tremer de empolgação. Só isso a agradará. "Realmente amo fogos de artifício", ela diz, sem fôlego, "e já perdi antes e não posso perder de novo - isso seria horrível!"

Só que há um problema. O problema é que ela está no Brasil, seu país de origem, fazendo um desfile em São Paulo, e os fogos estourarão amanhã em Los Angeles, lar de seu amado bangalô número 85 no hotel Chateau Marmont, e também de Leonardo DiCaprio, que é seu atual namorado. Esses fogos de artifício estão muito longe e o tempo está acabando. Mas é seu último dia de trabalho aqui, e talvez ela consiga pegar o último voo - que parte em 11 horas. "Tenho de pegar esse voo", afirma. "Não vou perder os fogos."

Este é o plano, chegar em Los Angeles a tempo para os fogos de artifício, mas, na verdade, como qualquer pessoa que tenha um plano, ela terá de esperar e ver o que acontece.

O que está acontecendo agora com Gisele se passa no salão Studio W do shopping Pátio Higienópolis, em São Paulo. Um rapaz com aparência de artista com óculos de armação amarela está brincando com seu cabelo, e uma mulher de cara triste em um avental branco está trabalhando em seus pés, perto de uma bacia com água quente. Ela está cercada por várias outras pessoas, inclusive sua agente brasileira, Monica Monteiro, e duas de suas cinco irmãs: a bela Raquel, mais velha, e a linda Gabi, mais nova. E ali está Gisele, rindo naquele seu jeito brasileiro, conversando em português, levantando os dedos para pegar um Marlboro já acesso e tragado.

Foi em São Paulo que Gisele começou sua carreira de modelo. É uma cidade enorme, barulhenta e fedida, mas eles a amam aqui. Está na cidade há seis dias, hospedando-se em um hotel, desfilando biquínis na passarela à noite e brincando o resto do tempo. Rapidamente, dá um resumo de suas últimas 48 horas. Duas noites atrás, saiu para dançar até as 5h30 da manhã. Lutou para sair da cama quatro horas depois, exausta, e foi de carro até a praia. Ficou lá o dia inteiro, depois voltou para o quarto do hotel e "simplesmente fiquei sentada, comendo que nem uma porca". Dormiu à meia-noite; depois de levantar às 9h30 hoje, escovou os dentes, pediu café da manhã e começou a fazer as malas para voltar a Los Angeles.

"Acho que vai ser um pouco corrido", especula, "mas quero muito ir".

Quieta por um momento, dá um trago no cigarro e afirma preferir fumar um Parliament, mas a marca é difícil de achar no país.

Fala rapidamente, melodicamente, encantadoramente, fluentemente, vertiginosamente, pulando de um pensamento para outro. Logo, começa a falar de seus hábitos de dormir. "Quando está quente demais, às vezes", conta, "durmo só de lingerie. Se está mais frio, durmo de pijama. Não gosto de me sentir presa. Não gosto de travesseiros. Gosto de camas muito macias. Durmo de bruços e às vezes de lado, mas nunca de barriga para cima. Agora, se meu namorado está comigo, eu o chuto para fora da cama, porque me mexo muito. Sou a pior. Roubo cobertores".

De repente, o rapaz-artista aparece na frente de Gisele trazendo um novo e evidentemente bem raro maço de Parliament.

"Ai, meu preferido!", grita Gisele, agarrando-o.

Levantando da cadeira, ela fica em frente a um espelho, com o quadril inclinado, encarando a si mesma. Tem lábios rosados e cheios, sardas pequenas, um emaranhado de cabelo marrom-avelã e olhos azuis doces e travessos. Também tem pernas longuíssimas, um torso trabalhado e seios fartos. Está se vendo como se fosse um belo pacote - e é. Segundo o mundo da moda, só sua presença em um desfile já o torna automaticamente um sucesso. Ela tem praticamente tudo e é imediatamente aparente assim que pisa na passarela, cheia de brilho aeronáutico e impulso pneumático. "Faz muito tempo que não temos uma modelo que consegue andar", diz Kate Betts, editora-chefe da Harper's Bazaar. "Além disso, ela tem uma ótima personalidade, é engraçada e sofisticada, e tem um corpo excelente."

Realmente, é esse corpo que a diferencia - especificamente, os seios. Aqueles seios receberam o crédito de acabar com o reinado miserável de ninfas modestamente dotadas como Kate Moss. Consequentemente, também se diz que eles conduziram ao Retorno da Modelo Sexy, como a Vogue declarou em uma capa recente profundamente iluminada por Gisele. São, em outras palavras, uma sensação (um jornalista de moda os apelidou de "superastros globais"), ainda que uma sensação que apenas os mais íntimos de Gisele conseguirão ver totalmente, porque Gisele, ao que parece, não é esse tipo de modelo.

"Não uso transparências", ela gosta de dizer. "Se os estilistas me pedem para vestir uma, digo que não. Simplesmente não vou fazer isso. Não me sinto confortável com as pessoas vendo meus mamilos."

Você lê esta matéria na íntegra na edição 52, janeiro/2011