CLOSE-UP - Cara de Pau (e de Galã)

Por Eduardo Graça Publicado em 09/02/2011, às 17h05 - Atualizado em 11/05/2011, às 16h13

VENCENDO NA VIDA Pedro, com Miles, em Nova York: antes do Manhattan Connection, ex-modelo brasileiro já era rosto conhecido na TV norte-americana
NYRA LANG

Pedro Andrade é um cara legal. a afirmação parece banal e injusta depois de mais de uma hora de papo - não seria menos verdadeiro dizer que ele fala pelos cotovelos - no Cafe Gitanes do Jane Hotel, um dos recantos favoritos do apresentador carioca de 31 anos, que em um ano de participação no Manhattan Connection (exibido no canal pago GNT) ajudou a dobrar a audiência do programa.

Em artigo escrito antes de Andrade se tornar parte da bancada do Manhattan, o jornalista Lucas Mendes encontrou a maneira exata para contar como o futuro companheiro entrou na rede NBC, onde também apresenta os programas 1st Look e On the Rocks: "com a mesma cara de pau e de galã" que o impulsiona desde a adolescência. Que fique bem claro: o nariz afilado, os olhos verdes acinzentados e o corpo de nadador estavam escondidos por óculos fundo de garrafa e um moletom surrado quando, aos 16 anos, foi abordado no Rio de Janeiro por um representante da agência de modelos Elite, a caminho de uma aula do curso de inglês. "Ele me disse: 'Você já pensou em ser modelo?' Achei estranho. Pensei que, das duas, uma: ou era uma pegadinha do Faustão ou uma cantada. Jamais pensara que seria minha saída para conhecer o mundo."

Mas é Andrade quem leva os nova-iorquinos para conhecer vários cantos desde que seu programa de dicas, o 1st Look, passou a ser apresentado nos táxis amarelinhos da cidade. "Foi assim que eu fui parar no Manhattan. Em determinado dia, o Lucas me viu no avião, depois no táxi e, quando chegou em casa, o filho dele estava vendo meu programa. Ele pensou: mas quem é esse cara com sobrenome brasileiro que está em todos os lugares?", conta.

Antes de morar em um bairro charmoso da cidade e poder passear tranquilamente com o cão Miles pela beira do rio Hudson, Andrade trabalhou como guardador de volumes, bartender, DJ e até carregador de gelo. "Às vezes me dizem: se você fosse a Vovó Mafalda, não estaria no programa. Ora, não estou no Manhattan porque sou um modelo de sunga. Conquistei meu espaço pelo que tenho a dizer", defende-se. Por outro lado, a exposição é garantia de revezes. O namoro dele com o cantor Lance Bass, ex-'N Sync, foi parar na grande imprensa. "Hoje entendo que faz parte do meu trabalho. Agora, já 'entubei' cada coisa. Você vai jogar totó com alguém e a imprensa já diz que você está procurando apartamento para morar junto e pensando em adotar uma criança."

O menino que se sentia deslocado no Rio por não pertencer a turma alguma hoje se destaca justamente por trazer singularidade ao Manhattan Connection. "Amigos da época do colégio me acham no Facebook e dizem: 'Apesar de ter sido aquele menino nerd, você conseguiu vencer na vida'. Acho engraçadíssimo. Não consigo ver nada de errado com o menino nerd, solitário. Apenas cresci. Quem me conhece não gosta de mim porque ganha entrada na boate da moda ou ingresso para o lançamento mundial de algum filme. Meu valor está em tomar café comigo, em sair para passear com meu cachorro. Seja o famoso do 'N Sync ou a moça que limpa a minha casa."