Mais Ney Matogrosso

Leia mais da entrevista com o cantor, que acaba de lançar o CD e DVD Beijo Bandido

Por Bruna Veloso Publicado em 15/02/2011, às 17h04

DETERMINADO Ney não quer descanso da arte: "Ainda tenho um fogo aceso dentro de mim"
ROGÉRIO MESQUITA

Ney Matogrosso não para - e nem pensa em parar. Aos 69 anos e sempre mantendo curtos intervalos entre um disco e outro, Ney acaba de lançar o DVD e CD ao vivo Beijo Bandido, gravado no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, em que sublima seu poder nos quadris para focar em sua veia teatral. Dono de uma das vozes mais potentes do Brasil, o intérprete vai aparecer ainda no filme Luz nas Trevas - A Volta do Bandido da Luz Vermelha, que deve estrear neste semestre. "Quero fazer mais cinema, sou ator antes de ser cantor", diz.

Clique aqui para a ler a entrevista com Ney Matogrosso publicada na edição 53, fevereiro/2011.

Por que você afirma que Beijo Bandido é um dos shows mais teatrais que você já fez?

Porque ele tem um texto. Quando eu selecionei o repertório, pensei num texto. Não como uma música, mas como um texto mesmo... Ele é mais contido, tem uma introspecção que induz mais ao teatro. Tem um acabamento cinematográfico, mas a minha atuação é mais teatral.

Existe alguma diferença na forma como você se prepara para um espetáculo como Inclassificáveis e Beijo Bandido?

Não, porque eu não me preparo para nada. Eu vou fazendo, chego lá e faço. A única coisa que eu faço, quando eu estou ali no camarim, é ficar sozinho. Às vezes, quando estou com algum obstáculo vocal, faço alguns exercícios e só, porque nem exercício vocal eu costumo fazer.

Você tem algum cuidado especial?

Eu vivo em função disso. Eu não sou de sair à noite, eu não vou pra nada. Se eu estou em temporada, saio do show e não saio nem pra comer, venho direto pra minha casa, pra comer pouquinho e dormir. Preciso descansar. Meu descanso para a voz é o sono. Então fico ali, caretamente vivendo, mas não me queixo. É assim que eu gosto de ser, sabe?

Você tem algum tipo de contato com os fãs?

Eu tenho contato com as pessoas no teatro, as recebo, mas não alimento muito isso de fã, de fanatismo. Acho que temos que ser pessoas civilizadas, vivemos na mesma época neste planeta. Para de bobagem, né?, todo mundo significa, todo mundo tem valor. Eu jamais me refiro a alguém dizendo "ai, meu fã". Acho tão absurdo alguém falar isso de outra! Então você é mais que outro? Acho isso muito estranho. Acho a palavra admirador mais interessante do que fã. Por exemplo, eu sou admirador dessa que está aí no Brasil... da Amy [Winehouse]. Mas eu não fui ver o show. Não diria que sou um fã.

E por que você não foi?

Ah, porque eu não tenho mais paciência pra me meter em multidão. Se fosse num teatro eu provavelmente iria, mas numa coisa dessas, com 12 mil pessoas... O trânsito do Rio de Janeiro está insuportável.

Você tem músicas em Ti Ti Ti e Insensato Coração. Você acha que é importante ter músicas em trilhas de novelas, já que é o tipo de programa mais assistido do Brasil?

Não é que eu acho importante, mas não tenho nada contra. Agora, todas as músicas que eu gravo para novela eu não boto no meu show.

E você pensa em gravar um outro disco colaborativo, como Vagabundo?

Eu não tenho a intenção, mas se aparecer um grupo interessante o suficiente para me levar a isso eu não tenho nada contra. Eu gosto dessas misturas, gosto de me juntar.

Hoje existiria alguém?

Tem um grupo de São Paulo que eu gosto muito, o Zabomba, mas não sei eles teriam disponibilidade para uma coisa dessas. Até já pensei nisso, mas não falei nada. Até já gravei com eles.