P&R - Ke$ha

A filha mais selvagem do pop fala sobre os lugares estranhos que frequenta

Por Austin Scaggs Publicado em 11/05/2011, às 15h22

ALTOS E BAIXOS O ano de Ke$ha começou estranho, mas agora promete melhorar
PATRICK FRASER/ DIVULGAÇÃO

No ano passado, Ke$ha vendeu mais de dois milhões de cópias de seu álbum de estreia, Animal. O EP que veio na sequência, Cannibal, outra colaboração com os compositores de sucessos Max Martin e Dr. Luke, já gerou seu segundo single a chegar ao número 1 das paradas norte-americanas e brasileiras (onde continua até hoje, em posições mais modestas), "We R Who We R" - que não só ganhou superexposição nas rádios, mas também nos canais de TV que ainda exibem clipes. Ela conseguiu até participação especial do recluso André 3000, do Outkast, no remix de "Sleazy". "Ele é um dos meus músicos, rappers e letristas favoritos", ela diz fascinada.

Você esteve em Moscou recentemente - o que estava fazendo lá?

Tocando em um show fechado com Amy Winehouse. Nem sei para quem era o show. A Rússia é muito nebulosa. Tive aulas de história da Guerra Fria, por isso passei uns dias explorando. Vi o túmulo de Lênin, o que foi legal. Depois estraguei a festa de Dick Clark no Ano-Novo.

Vi uma foto daquela noite, em que você estava entre o Backstreet Boys e o New Kids on the Block. Que jeito deprimente de se começar 2011!

[Risos] Foi um sanduichinho de Ke$ha. Foi um evento tão monumental, e diz muito sobre o quão longe cheguei em um ano. Depois, fui para Honduras.

Em "Grow a Pear" você conseguiu incluir as palavras "vaj" [abreviação de vagina] e "mangina" [expressão em inglês que mistura "man", homem, com "vagina"]. Muito bem!

Usei duas palavras jamais usadas em um disco pop. Minha missão pessoal é usar palavras que a maioria das pessoas encararia como potencialmente inapropriadas.

Você gosta de escapar para a natureza, fugindo do inverno. Era essa a ideia?

Sim. Fui mergulhar com uma porção de criaturas marinhas - peixes-anjo, tartarugas marinhas, arraias, barracudas e um tubarão-martelo - em um barco com um monte de caras de barba grisalha. Fiz uma tatuagem de uma pena no meu pé, com um tatuador viciado em crack.

Como estão os preparativos para a $leazy Tour?

Passei de tocar para cinco pessoas a abrir os shows da Rihanna e, depois, para a minha própria turnê. É uma oportunidade para eu mostrar às pessoas o quanto posso agitar com o meu pau para fora, e mostrar também que sou uma musicista legítima. Vou tocar bastante durante o show.

Quais instrumentos?

Guitarra, um pouco de bateria e teremim, que ainda estou tentando entender. Posso também tocar um cowbell aqui e ali.

Seus fãs já te mandaram algum presente bom?

Alguém mandou um dente, que agora eu uso como brinco. É um molar, acho. Amo quando as pessoas me mandam partes do corpo.

André 3000 é o convidado em "Sleazy". Como isso aconteceu?

Mandei a faixa e estava totalmente ciente de que ele só participou de uma ou outra música nos últimos cinco anos. Mas ele acabou gostando. Nos falamos ao telefone e ele disse: "Com um flow [um andamento vocal no rap] desses, você pode definitivamente ter uma carreira como rapper". Foi o maior cumprimento que já recebi. Veio de um deus!

Em "The Harold Song" você fala sobre entrar sem pagar em um show dos Rolling Stones. A história é real?

É. Harold foi meu primeiro namorado, e um dos nossos primeiros encontros foi invadindo o Hollywood Bowl para ver os Stones. Nunca tinha pagado para ver um filme até recentemente. Fui entrar sem pagar em um show dos Strokes e perdi um sapato, mas entrei. Também invadi o Coachella durante quatro anos seguidos. Em um deles, acabei no palco com a Björk! Sempre uso botas sem salto para poder escalar.

Legal! Você ainda está morando em Nashville?

Sim. Comprei minha própria casa. Estou construindo um estúdio enorme e espero fazer um monte de discos di ferentes. Estou inclinada a fazer um próximo disco de cock rock [um tipo de rock intimamente ligado aos homens]. A casa é incrível. Há raposas no meu quintal e ela parece um navio pirata por dentro. E a piscina tem raios laser. Fica bem na beira de um parque, então no meio da noite posso correr no meio das árvores, pelada.