Rugindo de Volta

Por dentro das gravações do novo disco do R.E.M. – e a explicação para não haver uma nova turnê

Por David Fricke Publicado em 11/05/2011, às 15h24

SÓ GRAVADO O R.E.M. não levará o novo CD para a estrada
DAVID BELISLE

Em setembro último, o R.E.M. terminou a sessão final para seu novo álbum, Collapse into Now, em Nashville. Na manhã seguinte, o guitarrista Peter Buck começou sua viagem através do país rumo à casa dele, em Portland, Oregon. "Gosto de dirigir, permite que eu descomprima", diz ele. "Entrei no carro às 6h da manhã e ouvi meu iPod por quatro horas. Então decidi escutar nosso álbum. Lembro-me de pensar: 'Esta é, música por música, a melhor coisa que já fizemos'." O baixista Mike Mills concorda, qualificando Collapse into Now, com lançamento previsto para 8 de março, como "nosso melhor disco desde Out of Time" , o sucesso de 1991. "Nos livramos de nossas amarras e compusemos o que soava bem - rocks extremistas, músicas tristes seguindo a tradição do R.E.M. Tínhamos qualidade do início ao fim."

O álbum também marca uma encruzilhada para Buck, Mills e o vocalista Michael Stipe. É o último deles pela Warner, gravadora da banda desde o fim dos anos 80. E depois de passar 2008 na estrada com o show de Accelerate, do mesmo ano, o trio escolheu não excursionar com o novo disco. "Não fazemos turnês para promover álbuns - não é para isso que tocamos ao vivo", diz Mills. "É um fato sobre o R.E.M.: se não estivermos a fim, não fazemos."

"Ao fazer este álbum, tínhamos certeza de que não sairíamos em turnê", diz Buck. "Não havia nada para nos distrair. E foi muito bom." E, sobre o futuro independente do R.E.M., ele conta que "conversamos um pouco a respeito. Não há pressa. O disco nem saiu ainda". Mills coloca da seguinte forma: "Temos a opção de fazer o que quisermos - e nenhuma pressão para fazer nada".

Buck e Mills começaram a trabalhar em material novo em março de 2009, gravando demos em Portland para depois passar as faixas para Stipe, que pensaria nos vocais e nas letras. A banda gravou as 12 músicas do álbum em quatro sequências de três semanas, duas delas em Nova Orleans e uma no verão passado, em Berlim. Collapse into Now varia em tom e velocidade, da batida e distorção da faixa de abertura, "Discoverer", e da fagulha veloz de "Mine Smell Like Honey", a "Oh My Heart", com metais da banda Bonerama. Mas, Mills insiste, "a maioria das faixas foi gravada nas primeiras tentativas", ressaltando que o fundo da balada "Walk it Back" era, na verdade, um ensaio. "Quando a gravamos de novo, soou formal e forçada." A fúria poética de "Blue", a última faixa do disco, veio de uma ideia que Buck teve na Alemanha. A banda tocou uma vez só.

Como exemplo do estado de espírito dos músicos, Mills cita a música "Überlin". "O personagem está com problemas, mas está fazendo o que pode para superar. Ele vai conseguir. Mas não foi fácil." Buck sente-se assim com relação ao R.E.M., que estreou em 1981 e resistiu a uma dura década de renascimento depois da saída do baterista Bill Berry, em 1997. "Isto representa quem somos agora de uma ótima maneira", diz Buck sobre Collapse. "Muita gente diz que fizemos nosso melhor trabalho no começo dos anos 90. Mas 15 anos depois, aqui estamos novamente."