O Monstro Querido do Metal

Documentário tenta desvendar a carreira e os hábitos de Lemmy, líder do Motörhead

Por Juliana Resende Publicado em 17/05/2011, às 10h25

EXEMPLO Lemmy (à esq.) no palco com seus fãs, do Metallica
©JEFF YEAGER

O chapéu de caubói, a voz rouca e a fala mansa, o sotaque britânico-caipira do País de Gales, as "cerca de mil mulheres" que levou para a cama nos mais agitados de seus 65 anos e muitos outros fatos da vida de Lemmy Kilmister temperam (com sabor de Jack Daniels e Marlboro) o documentário Lemmy, no qual os diretores Greg Olliver e Wes Orshoski enquadram a vida do líder do Motörhead.

"Um cara que poderia ser transformado num verbo", como sugere Lars Ulrich, do Metallica, Lemmy é avesso ao estrelismo. "Relutantemente, ele aceitou que fizéssemos este documentário", conta Orshoski. "Mas, quando viu que nossa intenção era boa, aos poucos foi relaxando", completa Olliver.

A ideia era mostrar como vive o astro do rock, mas sem glamour: a vida como ela é no dia-a-dia desse operário da música (que vem ao Brasil duas vezes neste ano: em abril toca em São Paulo, voltando em setembro para o Rock in Rio). O trunfo do filme é justamente mostrar "um cara que é, não que tenta ser", como entrega Billy Bob Thornton no filme (outros famosos que dissertam sobre o roqueiro: Henry Rollins, Ozzy Osbourne, Peter Hook, Slash, Jarvis Cocker e Alice Cooper, entre outros).

"O que nos atraiu em Lemmy é a longevidade dele em uma indústria cada vez mais efêmera, além da originalidade - algo que o faz muito cultuado e querido no meio musical", diz Olliver. O modesto apartamento do músico em L.A., o lazer ordinário nos fliperamas e a alternância entre carinho, ternura e camaradagem e o som furioso do Motörhead impressionam no longa-metragem, exibido no Brasil neste mês no festival In-Edit e já disponível em DVD importado.

Divertido, o documentário também tem jams e histórias improváveis, como quando Lemmy desfilou em um shorttanga. O hit "Ace of Spades" puxa outro bom momento: a fantástica versão do clássico, ao piano, cantada em coro por alunos da escola de Lemmy em Anglesey, North Wales, orgulhosos do colega ilustre que, um dia, quase foi expulso por tocar guitarra alto demais.