Pedindo a Bênção

Chico Buarque ajuda a lançar as cantoras Thais Gulin e Rita Gullo

Por Paulo Cavalcanti Publicado em 16/06/2011, às 10h39

INSPIRADA Rita Gullo, parceira de Chico Buarque

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Não é de hoje que novatos buscam inspiração em medalhões da música brasileira e Chico Buarque é, sem dúvida, o favorito das cantoras. Não só por sua figura inegavelmente charmosa, mas também por ser um dos poucos compositores que parecem entender o universo feminino. Coincidência ou não, saem agora dois discos de cantoras ainda pouco conhecidas que contam com a decisiva participação de Chico. Um deles é ôÔÔôôÔôÔ, de Thais Gulin. Curitibana, 30 anos e há quase uma década morando no Rio de Janeiro, ela lançou, no final de 2006, seu primeiro CD, que não fez muito sucesso, mas chamou a atenção das pessoas certas. O novo trabalho sai pelo selo Slap, pertencente à Som Livre, que revelou Maria Gadú.

Thais é uma das apostas da gravadora: a intérprete teve uma música na novela Passione, justamente a canção que dá nome a trama. Seu nome também tem sido ligado ao de Chico Buarque não apenas por motivos profissionais, mas ela diz que são apenas bons amigos. O fato é que "Se Eu Soubesse", a música que gravaram juntos, é um dos carros-chefe de ôÔÔôôÔôÔ. "Eu gravei uma música dele em meu primeiro disco e acabamos trocando emails e nos conhecendo", explica Thais sobre a parceria. "Depois ele falou que iria fazer uma música para mim e assim foi. Ele definitivamente tem me influenciado e mudou meu jeito de compor. Suas canções têm uma certa melancolia, um clima flutuante."

Já a paulistana Rita Gullo, 27 anos, estreia em disco de forma independente, em um trabalho que leva o seu nome. Filha do escritor Ignácio de Loyola Brandão, ela se formou em História, mas logo se enveredou pelos meandros artísticos. "Eu sempre fui um pouco tímida", conta. "Comecei a fazer teatro para mudar um pouco isso. Mas a música era inevitável, já que nas peças os diretores sempre me pediam para cantar." Chico Buarque participa da faixa "Mulher de Cada Porto", que ele escreveu com Edu Lobo e acabou sendo gravada por Gal Costa nos anos 80. Por meio de seu pai, Rita conseguiu que o compositor participasse do disco. "Foi um presente imenso ter o Chico no estúdio comigo", diz Rita. "É gozado saber que ele é uma pessoa como qualquer outra. Ele é um ídolo tão grande que às vezes eu pensava que ele era um ser do outro mundo." Eclética, Rita também apostou no cancioneiro de Jorge Drexler, Gilberto Gil, Lenine e outros.