6 PERGUNTAS - Pensando no Mundo

PJ Harvey fala do novo disco, do passado e sobre voltar ao Brasil

Bruna Veloso Publicado em 11/07/2011, às 12h29 - Atualizado em 17/05/2012, às 16h45

AGORA PJ não tem interesse em olhar para trás
DIVULGAÇÃO

Em Let England Shake, seu oitavo álbum, PJ Harvey voltou toda a sua força criativa às dores da guerra. Apesar de usar a Inglaterra como pano de fundo, a cantora britânica se inspirou nos conflitos no Afeganistão e no Iraque para compor as faixas do disco, uma coletânea de composições pesadas nas letras, mas edificantes nas melodias. "A música tinha que, de alguma forma, levantar aquelas palavras pesadas do papel e levá-las ao ouvido", ela teoriza.

Sendo de outro país, sinto que apesar de Let England Shake falar de forma específica sobre a Inglaterra, a mensagem do disco é universal. Era essa a ideia?

É exatamente o que eu tentei fazer. Acho que, como compositora, ser mais específica te dá uma força maior. Ao mesmo tempo, eu estava tentando escrever sobre a condição humana. As músicas no álbum falam de situações com as quais todos nós podemos nos identificar.

Em "The Words That Maketh Murder" há um verso que chama a atenção: "What if I take my problems to the United Nations?"(E se eu levar meus problemas para as Nações Unidas?). É, de alguma forma, um jeito irônico de dizer que as coisas não estão funcionando?

Eu sempre quero deixar a interpretação das palavras a cargo do ouvinte. Nunca quero dizer às pessoas como elas devem ou não interpretálas. E isso foi uma coisa importante pra mim ao compor o álbum: que houvesse um grau de ambiguidade, e que as pessoas pudessem ter suas próprias ideias.

Com este disco, você mostrou o quanto é afetada pela guerra. Mas o que te traz alegria e te afeta positivamente?

Todos os dias eu encontro momentos de grande felicidade, e geralmente isso vem das coisas mais simples. O modo como as pessoas se tratam... se alguém faz uma coisa boa para mim, ou se eu puder fazer algo bom para uma pessoa, ou mesmo para um animal. A gente pode ser boa com um animal. São esses momentos muito simples, e às vezes eu acho que isso é o verdadeiro alicerce da esperança.

Dry, seu primeiro álbum, foi lançado há quase 20 anos. Isso tem um significado especial?

Não diria que tem um significado maior do que qualquer outro dos meus discos. Todos são igualmente importantes para mim. Acho que todo artista passa por diferentes estágios em seu trabalho, e cada um deles o leva em direção ao trabalho seguinte. É como a vida. Eu não me volto muito ao passado, tento estar bem conectada ao presente.

Mesmo assim, você lembra se naquela época já sentia que trabalharia com música por tanto tempo?

Não tinha ideia. Sabia que tinha a oportunidade de gravar um álbum, e aquilo foi um presente tão maravilhoso que eu quis dar tudo de mim. Estava bem preparada para ninguém querer ouvir o disco, e para eu ter que procurar um emprego.

Você tem planos de voltar ao Brasil?

É algo que quero muito fazer. Estamos vendo de ir em 2012, mas não há nada decidido ainda.