Pink Floyd Anima os Fãs com Reunião e Raridades

Por dentro da reunião surpresa da banda em Londres e do projeto de relançamentos

Por Anthony DeCurtis Publicado em 11/07/2011, às 12h43 - Atualizado em 07/12/2011, às 15h13

REUNIÃO POSSÍVEL Waters e Gilmour juntos no palco, em Londres
REUTERS/LATINSTOCK

Quando David Gilmour apareceu no alto do muro de 10 metros erguido na O2 Arena, em Londres, em maio - cantando e tocando guitarra em "Confortably Numb" com o ex-companheiro de Pink Floyd, Roger Waters -, o público quase não acreditou no que via. "Houve um engasgo coletivo", diz o baterista da banda, Nick Mason, que assistiu tudo no local, depois de voar de Los Angeles só para ver o show. Então, algo ainda mais improvável aconteceu no fim da apresentação: Mason entrou no palco para o final de "Outside the Wall", tocando pandeiro (Gilmour estava no bandolim), reunindo assim todos os membros vivos do Pink Floyd. Foi apenas a segunda vez em 30 anos. "Foi legal ser reconhecido", disse Mason dias mais tarde. "Mas também muito legal dar o meu apoio a Roger e deixar claro que não estamos brigados."

A reunião-surpresa aconteceu apenas dois dias depois de o Pink Floyd anunciar um enorme projeto de relançamentos. Todos os álbuns da banda, famosos por sua alta fidelidade sonora, receberão um upgrade, com a remasterização a cargo dos engenheiros de longa data da banda, James Guthrie e Andy Jackson. Os discos mais famosos serão disponibilizados em edições superluxuosas, cheias de material jamais ouvido e versões ao vivo.

Os relançamentos começam em 27 de setembro, com The Dark Side of the Moon saindo em versões que incluem uma caixa com seis CDs e um pacote com dois discos e um LP em vinil. Catorze outros álbuns do Pink Floyd chegarão às lojas no mesmo dia - tanto separadamente quanto em caixas elaboradas, contendo também um livro de fotografias. Em 8 de novembro, Wish You Were Here estará disponível em versões com cinco e dois discos, junto com uma coletânea, A Foot in the Door: The Best of Pink Floyd. Por fim, em 28 de fevereiro de 2012, será a vez de The Wall, em versões com sete e três discos. "Estou dando uma encorpada e uma polida no material nesse processo", diz Jackson . "Não dá para ficar mudando muito estes discos."

Entre as raridades estão: uma espantosa versão de "Wish You Were Here" com a lenda do jazz Stéphane Grappelli e seu violino choroso. "É simplesmente fantástico", diz Mason. "Eu achava que aquilo tinha se perdido"; uma performance ao vivo de "Money", de 1974, mais rápida e funkeada que a do álbum. Outros pontos altos incluem takes ao vivo de "Set the Controls for the Heart of the Sun" e "Careful with That Axe, Eugene", de 1974. DVDs inclusos nas versões de luxo colocarão os álbuns na companhia dos filmes psicodélicos criados para as lendárias apresentações ao vivo da banda. "Tem sido um trabalho investigativo enorme", diz Jackson sobre o processo de rastrear o paradeiro das filmagens.

Mas Mason ficou especialmente tocado com algumas gravações que emergiram "do fundo do baú" durante a procura por raridades - faixas que contam com o guia espiritual inicial do Pink Floyd, o guitarrista e compositor Syd Barrett. "Algumas coisas de nossas demos mais antigas são extraordinárias", diz Mason. "É incrível principalmente por causa de Syd, ouvi-lo com essa clareza tão cristalina, o modo como ele estava tocando, trazendo memórias de quando o conheci."

Barrett, que deixou a banda em 1968 por causa de problemas mentais, morreu em 2006. E o tecladista Rick Wright morreu em 2008, deixando Mason, 67, Waters, 67, e Gilmour, 65, como únicos sobreviventes do Pink Floyd. Waters (que organizou turnês solo para The Wall e The Dark Side of the Moon desde que deixou a banda, em 1985) e Gilmour (que excursionou com Mason e Wright usando o nome do Pink Floyd, em 1987 e 1994) viraram ferrenhos desafetos.

No ano passado, Waters apareceu em um show beneficente de Gilmour; em troca, Gilmour concordou em tocar "Comfortably Numb" em uma data da turnê The Wall (que passarápelo Brasil em março de 2012). Londres era a escolha lógica, mas Mason insiste que o plano "não tinha sido finalizado" até o dia em que efetivamente aconteceu. "Estávamos todos um pouquinho nervosos", ele diz. "David não tocava a música havia muito tempo, e acho que estava preocupado com o equipamento que o elevaria até o alto do muro. É assustador lá - subi uma vez e é bem alto."

A apresentação reacendeu a esperança de uma reunião. Agora, Gilmour é o empecilho - Mason e Waters já haviam dito que estavam abertos a atividades com a banda depois da reunião no Live 8, em 2005. "O Live 8 foi fantástico", diz Mason. "Fizemos algo para ajudar as pessoas, mas também provamos que podíamos todos trabalharmos juntos. Estou muito grato que meus filhos puderam ver aquilo. Acho que poderíamos voltar a fazer isso em algum momento. Então, mantenho a esperança."