Caridade Duvidosa

Kanye West e Madonna aprendem que fazer o bem não depende só de ser famoso

Por David Browne Publicado em 08/08/2011, às 12h43 - Atualizado em 07/11/2011, às 13h20

BENEFICENTES Madonna e as filhas Lourdes Maria e Mercy James, em uma das iniciativas da Raising Malawi
MICHELLY RALL/GETTY IMAGES

Quando Avril Lavigne decidiu criar uma fundação para ajudar crianças especiais no ano passado, aprendeu rapidamente que fazer a coisa certa seria mais difícil do que ela pensava. "É algo muito grande", diz a cantora. "Você precisa ter tudo no lugar e uma equipe realmente boa. É muito sério." Avril é apenas uma de um crescente grupo de músicos - incluindo Madonna, John Legend, Bono e Shakira - que estabeleceram instituições de caridade. "A relação entre um músico e o público é bem mais poderosa que a que existe entre um ator e o público", diz Trevor Neilson, cofundador do Global Philanthropy Group, que auxilia artistas em seus trabalhos beneficentes.

Mas mesmo as melhores intenções podem cair por terra. Em março a Kanye West Foundation, criada em 2007 para reverter o aumento de desistências nas escolas, fechou suas portas misteriosamente - apesar de ter recebido US$ 443 mil em "contribuições, doações [e] presentes" em 2009 (West e sua equipe se negaram a comentar o assunto). No começo deste ano, Madonna abandonou seus planos de construir uma escola para meninas no Malaui depois de uma auditoria revelar que parte dos US$ 3,8 milhões levantados para o projeto haviam sido mal gastos. Madonna reorganizou imediatamente a fundação; o corpo diretivo e outros funcionários foram demitidos.

Não surpreendentemente, muitos artistas, incluindo Bruce Springsteen e Lady Gaga, optam por fazer parcerias com ONGs já estabelecidas e com credibilidade em vez de fundar suas próprias (na Monster Ball Tour, Gaga doou US$ 20 mil por noite a organizações que auxiliam desabrigados LGBT). "É incrível quando alguém famoso atrai atenção para uma causa", diz Laurice Styron, do American Institute of Philanthropy, que avalia o desempenho das instituições.

Ainda assim, muitas organizações são espantosamente ef icientes. A campanha ONE de Bono tem sido exaltada por levantar dinheiro para atrair a atenção para o a fome mundial. Em abril, a Barefoot Foundation de Shakira iniciou a construção de sua sexta escola na Colômbia. E, por três anos, a Show Me Campaign de John Legend tem pagado US$ 3 mil a estudantes de faculdade dispostos a trabalhar em estágios em escolas problemáticas.

Segundo certas fontes, a morte da mãe de Kanye West, Donda, teve forte influência no fechamento da fundação do rapper, uma vez que ela era a grande força por trás da iniciativa. E por causa da má repercussão na imprensa, Madonna está redirecionando parte dos US$ 11 milhões que ela mesma colocou na Raising Malawi para organizações sem fins lucrativos e educacionais já estabelecidas no país.