VIDAPOP - Purpurina na Cabeça

Por Miguel Sokol Publicado em 08/08/2011, às 13h05 - Atualizado em 07/11/2011, às 13h23

MORRISSEY O dono das causas ruins
DIVULGAÇÃO

Conforme prometido, estava eu a divagar, quase pairando, em busca de uma explicação para a versão de "Back in Black", do AC/DC, que o Detonautas teve a coragem de lançar em pleno duomilésimo décimo primeiro abençoado ano de nosso senhor quando, de repente, acusam Lady Gaga de comprar a causa gay só para vender discos. Será que eu precisarei repetir a data da nossa existência? Provavelmente sim, pois, se a acusação não partiu da Myrian Rios, só poderá ter partido do jabuti Jonathan, que, segundo o Google, é o animal mais antigo do nosso planeta.

Eu não sei o que é pior: a acusação retrógrada ou a defesa da cantora, que estampou sua cara em uma publicação direcionada ao público GLS para dizer o seguinte: "É a acusação mais absurda que já ouvi. Meu amor pelos gays é verdadeiro. Estou conectada com eles e me sinto parte desse mundo". Ou Lady Gaga é muito cara de pau ou dentro da sua cabeça só tem purpurina, porque, até onde eu sei, músico estampa capa de revista só para vender disco - do mesmo jeito que ator (para vender filme) e padeiro (para vender pão).

Além do mais, por maior que seja sua identificação, a verdade é que, querendo ou não, toda causa vende discos. É só perguntar ao Bono. Ou será mera coincidência o fato de que o rock star mais cheio de causas é também o vocalista da banda mais lucrativa do mundo? Neil Young, por exemplo, não está vindo a um festival brasileiro para dar palestra de sustentabilidade a troco de nada, por mais que esteja tinindo o seu belo Lincoln Continental Mark IV, modelo 1959 (uma obra de arte da indústria automobilística norte-americana que bebia mais gasolina do que a Millenium Falcon, nave do Hans Solo em Star Wars). O carro fazia 4 km por litro de gasolina e passou a fazer 40 km depois que o cantor adaptou um motor elétrico nele. Lindo, né? Pois agora Neil Young está para lançar um documentário sobre seu grande feito.

Todas as causas vendem. Todas menos as que o Morrissey abraça. Recentemente, ele chegou a comparar os ataques na Noruega ao que é feito com animais em redes de fastfood. Isso para não lembrar dos tempos de Smiths, quando ele se dizia assexuado. Homossexualidade vende, heterossexualidade, trans, pluri, ultra, mega, autossexualidade - qualquer forma de sexo vende disco, mas a ausência dele... Se vender alguma coisa, é batina. Porque disco, só com o Vaticano sendo o maior reduto de fãs dos Smiths. E ainda assim na teoria, afinal...

Ah, deixa pra lá, eu admito: o fato é que eu simplesmente não consigo encontrar uma explicação para o que o Detonautas fez com o AC/DC. Quem sabe no mês que vem, né?