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Arte Popular

Iniciativa de Leandro Lehart pretende minimizar pirataria e incentivar o surgimento de novas bandas

André Maleronka Publicado em 01/03/2007, às 00h00 - Atualizado em 31/08/2007, às 18h58

Divulgação

"Temos 100 mil CDs pra dar de graça, para as periferias em primeiro lugar, depois para o centro. É uma estratégia contra pirataria também. Quando você recebe um CD, cria um pacto com o artista. A gente quer fazer esse pacto." Leandro Lehart, ex-líder do Art Popular e um dos compositores mais executados no Brasil nos últimos dez anos, sabe muito bem como divulgar seu mais novo disco, Vem Dançar o Mestiço. Além da distribuição gratuita de CDs, o projeto também inclui um festival, homônimo, dedicado a selecionar novos artistas de pagode e que acontece atualmente em 14 capitais do Brasil. "No primeiro, em Belém, foram 8 mil pessoas, com 300 grupos inscritos e dez selecionados pra concorrer", comemora. O evento também dará origem a um outro disco, composto por músicas dos grupos vencedores, e também a um documentário.

Lehart iniciou na música como um passista infantil da escola de samba X-9 Paulistana que amava breakdance, Michael Jackson e Almir Guineto, e em três anos na indústria fonográfica já assinava três das cinco músicas mais executadas do ano (1997). Em tempos de mudanças da indústria fonográfica, o músico tenta comer pelas beiradas. "É o conflito: eu via um Brasil na TV e outro nas minhas viagens", explica Lehart, cujo objetivo primordial com Vem Dançar o Mestiço é criar e disseminar uma nova batucada, unindo elementos rítmicos comuns a artistas de todo o país. "Nos anos 80, havia esse conflito EUA X Brasil, MPB X rock nacional, as rádios eram 80% de som gringo. E a gente também gostava de samba, James Brown, Jorge Ben. Tenho 35 anos, então tento mostrar o conflito pessoal de uma geração. Trato meu samba como essa mistura", define.