O Verdadeiro País do Futebol

Com salários inflados, patrocinadores generosos e blindagem diante da crise mundial, o Brasil se consolida como um novo porto seguro para jogadores de futebol sul-americanos

Carlos Juliano Barros Publicado em 09/09/2011, às 13h01 - Atualizado em 07/11/2011, às 13h28

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"Daqui a pouco, os jornalistas vão começar a te ligar.” Juca Pacheco, assessor de imprensa do São Paulo Futebol Clube, brinca com Ivan Piris, jogador recém-contratado, que acaba de comprar um telefone celular. Sem folga depois da Copa América disputada em julho, na Argentina, o lateral-direito paraguaio de 22 anos desembarcou sem alarde na capital paulista para ganhar oito vezes mais do que recebia no Cerro Porteño, um dos mais tradicionais times de seu país. Com o Campeonato Brasileiro a pleno vapor, Piris ainda nem teve tempo para procurar um apartamento. Por isso, ele e o colega argentino Marcelo Cañete, outra contratação do São Paulo para o segundo semestre, estão temporariamente hospedados no moderno Centro de Treinamento do clube, no bairro da Barra Funda.

Puxando o “r” com um típico sotaque caipira, Piris conta que, depois de oito anos de bons serviços prestados ao Cerro, convenceu-se de que era hora de ganhar mais dinheiro e de testar seu talento em um futebol mais competitivo. Seu passe foi comprado por um fundo de investimento inglês que lhe repassou 20% do total desembolsado – valor que ele, timidamente, prefere não revelar. Apesar de ter sido oficialmente procurado por times italianos de pouca expressão, o jogador acabou optando pelo clube paulistano. “Estou muito próximo da minha casa no Paraguai e a proposta salarial da Europa era praticamente igual ao que ia ganhar no São Paulo”, ele explica, convencido de que tomou a decisão correta. “O Brasil é uma vitrine muito boa e, fazendo bem as coisas por aqui, é mais fácil dar um salto ainda maior.”

A chegada de Piris e Cañete ao São Paulo F.C. é mais uma evidência de um fenômeno que precisa ser observado pela mais cuidadosa análise “macroeconômica”, como dizem os estudiosos da área. Obviamente, tanto do ponto de vista financeiro como do esportivo, o auge da carreira para qualquer boleiro profissional ainda é vestir a camisa de clubes como Barcelona ou Manchester United. Porém, trata-se de um sonho restrito a uma ínfima parcela de felizardos. Assim, diante da interminável crise financeira europeia, o Brasil desponta como opção cada vez mais interessante para jogadores de países vizinhos que desejam fazer o pé-de-meia e, de quebra, ficar perto da família. O vigoroso crescimento da nossa economia, a taxa de câmbio extremamente valorizada e os patrocínios esportivos em alta – afinal, temos Copa do Mundo e Olimpíadas pela frente – refletem-se no pagamento de salários inimagináveis até bem pouco tempo atrás.

“O Brasil hoje é o paraíso para o jogador brasileiro que está no exterior, para o que está pintando agora, mas, principalmente, para o [atleta] sul-americano”, resume Frederico Pena, diretor da Traffic, fundo de investimento de capital nacional que atua na compra e venda de atletas. Segundo o empresário, existe uma espécie de “bolha” salarial que tem inflacionado o preço do futebolista nascido por aqui. Por essa razão, é mais fácil trazer atletas sul-americanos, que custam mais barato e têm maior potencial de valorização. “Para tirar um jogador do Grêmio para o Fluminense, por exemplo, o cara quer ganhar R$ 100 mil. Se trouxer um chileno ou um argentino, do mesmo nível, o cara vai vir para ganhar R$ 30 mil ou R$ 40 mil”, compara Pena. “E ele vai ficar feliz da vida porque, lá onde ele está, nunca vai ver esse dinheiro.” A própria entrada dos fundos de investimento no mercado de futebol brasileiro, principalmente a partir de 2007, ajudou a criar esse boom salarial. Isso porque os clubes que se associam a esses grupos – a maioria, diga-se de passagem – não precisam mais gastar dinheiro na compra de passes. Dessa forma, os times ficam “livres” para oferecer contratos mais vantajosos aos atletas.

A efervescência do mercado brasileiro é tanta que vem chamando a atenção da imprensa internacional. Recentemente, a emissora norte-americana CNN e o jornal britânico Financial Times dedicaram análises ao risco de superaquecimento da economia brasileira ao tomarem conhecimento da proposta de R$ 90 milhões que o Corinthians fez pelo passe de Carlos Tevez. Jogada de marketing ou não, o fato é que o argentino não voltou a vestir a camisa alvinegra. Mas o episódio serviu para demonstrar que o futebol brasileiro tem, sim, bala na agulha.

Não é à toa que Neymar tem resistido a uma proposta do todo-poderoso espanhol Real Madrid: todo mês, o Santos Futebol Clube deposita R$ 1 milhão na conta do jogador de 19 anos. O atacante santista é uma exceção, mas em grandes times brasileiros não são poucos os que ganham salários na casa das centenas de milhares de reais. Por isso, nossos gramados representam um verdadeiro eldorado da bola para os jogadores sul-americanos. No Chile, um jogador de ponta não embolsa mais do que R$ 45 mil mensais. Já na Argentina, uma estrela badalada até consegue um rendimento maior, na casa de R$ 2,5 milhões por toda uma temporada – mas não está imune aos calotes de clubes endividados até os dentes.

Há três anos, o empresário portenho Leonardo Outon foi um dos responsáveis pela transação que fez o habilidoso meio-campista Andrés D’Alessandro trocar, em 2008, o clube argentino San Lorenzo pelo Internacional de Porto Alegre – que conta com outros dois jogadores também argentinos no elenco. “Hoje, o San Lorenzo sofre com dez processos de jogadores porque não pagou os salários previstos nos contratos e está impedido de comprar ou vender atletas até honrar o que deve”, conta. “Ele ganhava 60% a menos do que recebe no Brasil. Mas não é só isso: os dirigentes cumprem com sua palavra, não é como aqui na Argentina.”

Apesar de os dados da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) não inspirarem a mais absoluta confiança, as estatísticas da entidade mostram que a contratação de jogadores sul-americanos vem crescendo consideravelmente nos últimos três anos. Em 2009, foram registradas apenas 11 novas transferências. No ano seguinte, o número saltou para 26. E, só no primeiro semestre de 2011, a CBF contabiliza 46 atletas de países vizinhos que debutavam no futebol brasileiro. Mas esse último dado não incluía, por exemplo, a chegada de Piris e Cañete ao São Paulo nem a contratação do argentino Ezequiel Miralles pelo Grêmio Porto Alegrense. Também ficou de fora da estatística a mais cara aquisição feita pelo Atlético Paranaense em toda sua história: em junho, o clube abriu os cofres e pagou R$ 7,6 milhões pela promessa uruguaia Santiago “El Morro” Garcia.

O maior futebolista chileno de todos os tempos tem um posto de gasolina de bandeira Petrobras na cidade de Viña Del Mar – um dos mais badalados destinos turísticos do litoral do país do cobre, do vinho e do salmão. É ali que Elias Figueroa, do alto dos seus 65 anos e com a cabeleira levemente grisalha, me recebe com um largo sorriso. A parede da loja de conveniências do “servicentro”, como se diz naquele país, guarda recordações de um tempo glorioso que não volta mais. Para homenagear “Don Elias”, a multinacional brasileira do petróleo montou um painel com dezenas de fotos em que ele aparece ao lado de Pelé, do holandês Johan Cruyff e de outros mitos do futebol mundial. Figueroa conheceu o auge de sua carreira no Internacional de Porto Alegre, em meados dos já longínquos anos 70. Naquela época, com o objetivo de sepultar de vez o interesse de times europeus, o clube gaúcho teve a ousadia de estipular o passe do seu capitão na astronômica cifra de US$ 1 milhão. Mas ele próprio não tinha planos de sair do clube gaúcho. “A Europa não pagava tão bem. Eu preferia jogar no Brasil, que oferecia um salário melhor e ainda tinha um campeonato mais atraente, com os melhores jogadores do mundo”, recorda.

Para azar de sua conta bancária, Figueroa não viveu o futebol nos tempos do neoliberalismo. A partir da década de 1980, quando a premiê britânica Margareth Thatcher e o ex-presidente norte-americano Ronald Reagan decidiram afrouxar as amarras do sistema financeiro global, não foram apenas os governos das nações de primeiro mundo que passaram a financiar seus gastos a partir da emissão desenfreada de títulos de dívidas impagáveis – justamente a raiz da crise que nos últimos meses devastou bolsas de valores em todo o mundo. “Quando se expandiu a capacidade de se conceder crédito, todos os agentes se endividaram, inclusive os clubes de futebol”, analisa Luiz Gonzaga Belluzzo, ex-presidente da Sociedade Esportiva Palmeiras e professor de economia da Unicamp. Então, para seduzir os melhores atletas do mundo, principalmente os talentosos sul-americanos, times europeus levantaram no mercado financeiro o dinheiro necessário para comprar passes e pagar remunerações milionárias. Já nos anos 90, com o preço do petróleo em alta e a privatização das grandes indústrias soviéticas, xeiques árabes e bilionários russos também inundaram o mercado de futebol com suas fortunas pessoais, inflacionando ainda mais o piso salarial dos jogadores. Mas o período de bonança das últimas três décadas parece estar com os dias contados, e o mar turbulento que o capitalismo atravessa atualmente vem arrastando o esporte mais popular do planeta.

A Espanha é o exemplo mais contundente da tormenta que afeta o mundo da bola. Na quarta economia da zona do Euro, o índice de desemprego atinge 32% da população economicamente ativa. Além disso, o país deve 60% a mais do que consegue produzir anualmente em bens e serviços – o famigerado Produto Interno Bruto (PIB). Como desgraça pouca é bobagem, o jornal madrilenho Marca estampou em junho passado a manchete “Bancarrota”, combinada com a foto de uma bola murcha, para ilustrar a dramática saúde financeira do melhor futebol do planeta. Segundo a publicação, os times da primeira e da segunda divisão acumulam um passivo de €$ 4 bilhões e mais de 300 jogadores se queixam de atrasos nos pagamentos de seus salários. A Associação de Futebolistas Espanhóis (AFE) decidiu até apelar para a boa e velha greve, paralisando as duas primeiras rodadas do campeonato nacional, na esperança de que os jogadores tenham seus pleitos atendidos. A situação é realmente delicada: até agora, pelo menos 21 clubes já apelaram para a lei de falências com o intuito de renegociar pendências com seus credores, incluindo os jogadores. Até mesmo agremiações de ponta, como o Real Madrid, já acenderam a luz de alerta.

Se a crise econômica ajuda a fechar as portas do mercado esportivo europeu, a valorização das commodities – como soja, açúcar, carnes e minério de ferro – traz cada vez mais divisas para o Brasil, fortalecendo nossa economia. Mas como essa fartura toda influencia o futebol? Em primeiro lugar, a enxurrada de dólares das exportações e dos investimentos externos valoriza o real e torna os salários pagos aqui bastante atrativos. Isso não tem acontecido na Argentina, por exemplo, a segunda praça futebolística mais importante da América do Sul. Apesar de os nossos “hermanos” também sobreviverem da venda de commodities, principalmente da soja e do trigo, o governo mantém a moeda deliberadamente desvalorizada com o intuito de proteger a frágil indústria local dos produtos importados.

Mas há outros fatores conjunturais importantes para entender a pujança que o futebol brasileiro vem conquistando. O principal deles é a receita obtida pelos clubes com a veiculação de suas partidas pela televisão – valor que praticamente triplicou do dia para a noite. “Era óbvio que o pagamento pelos direitos de transmissão estava muito abaixo daquilo que o futebol representa do ponto de vista social e econômico”, analisa Belluzzo. No começo deste ano, os principais times brasileiros implodiram o Clube dos 13 – a associação responsável por comercializar coletivamente os direitos de transmissão de todo o Campeonato Brasileiro – e passaram a negociar de forma individual com as emissoras. “Isso provocou uma reação da Rede Globo, que pagou um prêmio pelo monopólio das transmissões”, completa o ex-presidente do Palmeiras. Hoje, Corinthians e Flamengo – donos das duas maiores torcidas do país – recebem R$ 100 milhões por ano, quantia inimaginável para os clubes de outros países sul-americanos.

Na Argentina, por exemplo, o Vélez Sarsfield, atual campeão nacional, recebe menos de R$ 10 milhões por temporada do governo de Cristina Kirchner, que há dois anos estatizou o canal responsável pela transmissão das partidas. “Foi uma decisão de caráter político”, pondera o economista Carlos Melconian, sócio de uma conceituada consultoria em Buenos Aires e torcedor fanático do Racing. “Primeiro porque os clubes estavam com um problema financeiro fenomenal. Além disso, os Kirchner tinham uma briga política com o Grupo Clarín, que detinha o futebol. Então, o governo tirou da empresa o canal e, para não desagradar à AFA [Associação de Futebol da Argentina] e aos clubes, colocou o dobro do dinheiro.” Segundo Melconian, o canal “Fútbol para Todos” é a principal plataforma de propaganda da

administração de Cristina Kirchner. Mesmo assim, o dinheiro público investido ainda não é suficiente para amenizar a crise dos grandes do futebol local. Vítima da má administração de seus dirigentes, o River Plate – maior campeão nacional de todos os tempos, com 33 títulos – caiu recentemente para a segunda divisão e acumula dívidas de quase uma centena de milhões de reais.

No Chile, o terceiro mercado no continente, o futebol tem uma organização completamente distinta da que se verifica no Brasil e na Argentina. Há menos de dez anos, a crise era tamanha que sequer havia chuveiro quente nos vestiários do time mais popular do país, o Colo Colo. Como os clubes deviam muito não só aos jogadores, mas ao próprio Estado, o governo baixou uma lei em 2005 que obriga as agremiações a se transformarem em “sociedades anônimas esportivas”. Traduzindo, o futebol foi completamente privatizado e os clubes se transformaram em empresas – alguns até com capital aberto na bolsa de valores. “Se vamos bem dentro de campo, as ações sobem”, brinca José Rojas, capitão do Universidad do Chile, atual campeão nacional.

Rojas é amigo dos jogadores Maurício Victorino (uruguaio) e Walter Montillo (argentino), que recentemente trocaram “La U”, como é conhecido o Universidad, pelo Cruzeiro de Belo Horizonte. Ele garante que ambos estão muito satisfeitos no Brasil. Sondado por Grêmio e Santos, Rojas diz que também ficaria “encantado” em jogar aqui. Mas ressalta o fato de que os jogadores que atuam no futebol chileno, se não ganham tanto, pelo menos recebem em dia. “Hoje é mais sério, existe a segurança de que o salário será depositado sem atraso. Anos atrás, o clube te dava um pouco e depois de 15 dias te dava mais. Havia meses em que não pagavam”, afirma. Desde que se metamorfoseou em empresa, o Universidad de Chile angariou recursos para a construção de um moderno centro de treinamentos e agora se prepara para levantar um estádio próprio.

Todo ano, as empresas que controlam os times chilenos são obrigadas a fazer prestações de contas a um órgão regulador, semelhante à brasileira Comissão de Valores Mobiliários (CVM). “Se um clube mantém dívidas no início da temporada, ele não é autorizado a participar do campeonato”, explica Oscar Meneses, gerente do Audax Italiano, sociedade anônima fechada, administrada por um fundo de investimento. No Chile, os capitalistas da bola enxergam na formação de jogadores para exportação um negócio tão promissor que conseguem até mesmo deixar a paixão de lado. Não é difícil encontrar na internet fotos de Sebastián Piñera, atual presidente chileno, com bandeiras da Universidad Católica, seu time de coração. Porém, até ser eleito chefe do poder executivo, Piñera era simplesmente o maior acionista do arquirrival Colo Colo. Transplantando para a nossa realidade, era como se o Palmeiras fosse controlado por um acionista corintiano.

“No Chile, tudo é negócio, tudo é pelo lucro. Aqui, não. Nosso objetivo é esportivo”, provoca Fernando Raffaini, presidente do argentino Vélez Sarsfield. Atual campeão nacional, o clube é considerado pelo cartola como uma “ilha” dentro do futebol sul-americano. Tudo porque não permite a participação de empresários no passe dos atletas. “Todos os jogadores pertencem ao Vélez. Por isso, conseguimos manter o mesmo time por vários anos”, acrescenta Raffaini. O bem-sucedido modelo de gestão defendido por ele é o exato oposto daquele que sangrou os cofres do River Plate – que vendeu mais de US$ 200 milhões em passes, entre as décadas de 1990 e 2000. Porém, por ter vários jogadores vinculados a empresários, o River embolsou uma pequena parcela dessa montanha de dinheiro. Sem seus melhores atletas, a série de maus resultados dos últimos anos culminou com o melancólico rebaixamento, em junho passado.

Supersticiosos, jornais esportivos argentinos chegaram a insinuar que o tradicionalíssimo clube de Buenos Aires teria sofrido de uma “maldição brasileira”. Tudo porque o River Plate tem entre seus patrocinadores a Petrobras e a Tramontina. Expandindo os tentáculos pela América do Sul, a multinacional brasileira do petróleo vem apostando justamente no futebol como uma de suas principais ferramentas de marketing. No Chile, depois de comprar a rede de postos Esso, em agosto de 2008, a companhia energética passou a batizar a liga profissional, oficialmente chamada de “Campeonato Nacional Petrobras”. Na Argentina, por sua vez, a empresa acertou uma cota de R$ 4 milhões anuais até 2012 com o River Plate – que reforça o orçamento com mais R$ 1 milhão da gaúcha Tramontina. Entretanto, se compararmos com a realidade brasileira, a verdade é que o patrocínio do time argentino parece quase um troco de padaria, levando-se em conta que a Hypermarcas desembolsa oito vezes mais para estampar a marca de seus produtos em todos os cantos possíveis da camiseta do Corinthians.

O que não falta na Argentina, por sinal, são empresas brasileiras associando sua imagem ao futebol. Na Copa América deste ano, além da própria Petrobras, Seara e Brahma figuraram entre os apoiadores oficiais do evento. Além disso, os uniformes de pelo menos oito clubes do país hermano são “made in Brazil”, produzidos por marcas como Topper, Penalty e Olympikus. “Isso é uma decorrência natural do crescimento econômico do Brasil, que derrama negócios em todo o mundo”, analisa Raffaini, o presidente do Velez. Consolidando a liderança econômica de nosso país no continente, a verdade é que nunca fizemos tanto jus ao simpático apelido de “país do futebol”. Com os cofres recheados e as contas em dia, resta torcer apenas para que nossa seleção recupere o talento perdido e para que os rumores sobre a possível “bolha” brasileira não passem de desconfiança – ou inveja de nossos vizinhos.