Pequena Miss Sunshine

Por dentro do mundo colorido de algodão-doce de Katy Perry, a irrefreável princesa do pop

Erik Hedegaard Publicado em 09/09/2011, às 11h29 - Atualizado em 19/07/2012, às 12h55

COLORIDA Katy Perry faz pose em Miami Beach

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Nos bastidores da Gwinnett Arena, situada próxima à cidade de Atlanta, Katy Perry abre a porta de seu camarim e para, irreconhecível. “Entra”, ela diz. “Estou meio vestida – estou de sarongue. Mas entra.” Seus lábios não têm marcas, cor ou substância. Seus olhos são pequenos, suas bochechas pálidas. Ela não é nem lustrosa nem lisa, e seus famosos seios empinados não estão nem um pouco em evidência. Ela parece uma garota de 17 anos, não 26. Não pode ser ela. É como se a cantora tivesse mandado em seu lugar uma cópia anêmica e menor de idade de si mesma, só para tirar um sarro.

Poucos minutos depois, ela está experimentando as roupas que vai usar na fase norte-americana de sua turnê mundial, California Dreams, que passa pelo Brasil no Rock in Rio (dia 23 deste mês) e em show solo em São Paulo (25). São 50 datas, todas com ingressos praticamente esgotados, incluindo esta, a primeira e mais importante. As roupas são todas loucas e exageradas, com tiras circulares, orelhas de gatinha, bolsas bufantes de algodão-doce, discos elétricos em espiral. Tudo é “maior, melhor, mais”, como Katy gosta de dizer, e ela tem um interesse especial no funcionamento correto de cada um dos detalhes. Ela quer uma alça encurtada aqui, botões em forma de gancho trocados por botões de pressão ali. Vai ao banheiro e volta vestindo um tipo de traje em forma de bolo em camadas. “Parece que essa coisa vai despedaçar”, diz ela. Então dá uma olhada mais precisa, cerrando os olhos, em um par de bonecas de plástico presas na frente da roupa. “Arranca essas bonecas malucas. Ela não foi convidada para o show nem a irmã dela.” Seu estilista de longa data, Johnny Wujek, acena com a cabeça. Se ela pede, será feito.

A seguir vem uma análise do vídeo “Last Friday Night (T.G.I.F.)”, que seria lançado em poucos dias. É o quinto single saído de Teenage Dream, seu segundo álbum nos últimos três anos, que, como One of the Boys, o anterior, ganhou múltiplos discos de platina. As estatísticas que medem o sucesso de Katy beiram o inacreditável. Os singles de One of the Boys, com destaque para “Hot N Cold” e “I Kissed a Girl”, venderam mais de 20 milhões em downloads. Quando o álbum seguinte estreou em agosto de 2010, foi logo de cara para o topo, e todos os singles – “California Gurls”, “Teenage Dream”, “Firework” e “E.T.” – também chegaram à posição número 1. Katy Perry é a primeira artista em todos os tempos a manter uma música entre as dez primeiras posições das 100 mais por um ano inteiro. Ela foi indicada a cinco Grammys. Foi convidada especial do seriado How I Met Your Mother. Casou-se com o ex-viciado em sexo e comediante pirado Russell Brand, e aparentemente o mantém bem satisfeito – e vice-versa. Seus versos – ou pelo menos as oito palavras de uma de suas músicas (“I kissed a girl and I like it” – “Eu beijei uma garota e gostei”) – tiraram do sério tanto a extrema direita quanto a extrema esquerda. Já foi chamada de artista vulgarmente comercial e conivente mestre manipuladora da cultura, embora tenha sempre mantido sua inocência, mesmo enquanto exibia faixas como “Waking Up in Vegas” e “Peacock” e cantando frases como “Infect me with your love and fill me with your poison” (“Infecte-me com seu amor e preencha-me com seu veneno”). Resumindo, atualmente ela é a princesa do pop-candy, com uma piscadela marota e um saboroso e saudável sorriso. Se você não entende o que Lady Gaga tem, entenderá o que Katy Perry tem.

O vídeo de “Last Friday Night” consiste nas desventuras de Kathy Beth Terry, interpretada por Katy, usando óculos fundo de garrafa e aparelhos nos dentes. Em certo ponto, uma porção do corpo dela aparece em cena.

“Ei, vamos voltar para a última cena”, pede a cantora. O vídeo retrocede e avança. Ela se aproxima. “Meus peitos”, ela diz. “Eles vão ter que arrumar isso. Essa é a imagem que todo mundo vai copiar e colocar na internet”, aponta. “Tem que borrar aqui, ali e ali.”

“Borrar os peitos”, um assistente anota.

“E eles arrumaram a bunda?”, pergunta Katy.

“Acho que eles cortaram.”

“Deixa eu ver”. Ela olha bem perto. “Está bom. Ok. Posso ver o trailer? O novo, que tem os arrotos e os peidos cortados?”

Ah, peitos, bundas, arrotos e peidos. Agora sim. Com certeza uma porção de trocadilhos sugestivos e frases maliciosas de duplo sentido, duas características tão conhecidas de Katy, uma piadista afiada, não devem demorar muito a surgir. Mas, de fato, demoram; na verdade nem aparecem. Hoje, ela está totalmente focada nos negócios. Falando francamente, é um tanto desorientador. Por exemplo, não foram seus peitos e sua bunda duas das coisas que a trouxeram até aqui? E ela quer cortá-los, borrá-los, condenando-os ao esquecimento? Seria essa a verdadeira Katy Perry? A mesma que posta no Twitter coisas como “Fui artificialmente inseminada com um feto de gato!”? Sério. Onde foi parar aquela garota louca e divertida?

Ou você odeia a música dela com todas as forças ou ama de paixão. Ou você acha que a voz dela flutua impecável ou que é um mero produto do Auto Tune, a máquina do tom perfeito. Ou você se sente instigado e/ou excitado pelo modo como ela se veste, toda retrô, de modo burlesco, com cupcakes felizes e sorridentes para arrematar, ou você é como aquelas mães da PTA (Parent-Teacher Association, algo como Associação de Pais e Mestres) odiadoras de decotes, que baniram o dueto da cantora com o personagem Elmo no programa Sesame Street (no Brasil, Vila Sésamo). É uma daquelas coisas que Katy Perry tem. Quase tudo o que ela faz, diz, veste ou não veste pede uma reação extrema. Mas tudo o que ela quer fazer é tocar sua música.


“Desde os 9 anos”, diz ela no intervalo entre ensaios certo dia, “tudo o que eu queria era dividir minha perspectiva na esperança de ajudar as pessoas através da minha música, seja fazendo alguém sorrir ou com uma música que se torne o mantra da vida dela ou seu lema ou sei lá o que. Quero fazer músicas que sejam divertidas e tenham sentimento e emoção. Se vou fazer uma música dançante como ‘Firework’, quero que tenha um propósito, de modo que você dance com um objetivo para que não seja tão materialista ou vazia e deixe você inspirado, em vez de oco. Não sou idiota. Sei que ‘California Gurls’ não vai salvar o mundo. Mas eu fui criada com muito carinho, e coloco muito desse carinho nas minhas músicas.”

Soa meloso. Mas vá dar uma olhada em alguns de seus primeiros vídeos, quando ela ainda era uma loirinha usando rabos de cavalo, inocente, cheia de curiosidades, ou mesmo os que vieram em seguida, depois que ela tingiu o cabelo de preto e estava se matando para dar certo em Los Angeles, parecendo um pouco com Chrissie Hynde enquanto tocava seu violão em casas noturnas meio vazias, onde tudo o que os clientes queriam era que ela calasse a boca para que eles pudessem conversar. Ela é simplesmente muito determinada. E assim você tende a acreditar quando ela diz: “Fico emocionada no palco. Choro às vezes. Choro quando canto minhas músicas, porque elas são tão... ‘Pearl’ é uma canção tão honesta para mim. As pessoas acham que é sobre uma terceira pessoa, mas é mesmo sobre mim” – a música fala sobre se sentir sufocada em um relacionamento e então se ver livre – “e colocar aquelas emoções para fora às vezes torna você verdadeiramente vulnerável”.

Ela para de falar e fica sentada em silêncio. Aparentemente ela está cheia de sentimentos em estado bruto como esse. Seria tão fácil tirar sarro deles, claro, fazer pouco caso, revirando os olhos e bufando, mas a coisa mais decente a fazer é deixá-la quieta.

Agora, depois de três anos no negócio, Katy é conhecida por muitas coisas. Por ter crescido em Santa Barbara, Califórnia, filha do meio de pastores evangélicos e tementes a Deus, que fizeram o diabo para tentar protegê-la do mundo secular, proibindo-a de frequentar festas de faculdade, ler revistas de cultura pop, ver filmes e programas de TV e de comer o cereal Lucky Charms, simplesmente porque “lucky” soa demais como “Lúcifer”.

É conhecida por ir a Nashville aos 14, despontar como cantora cristã, fechar um contrato com uma gravadora, fracassar, se mudar para Los Angeles conseguindo mais dois contratos, fracassar mais duas vezes, ir a bares e dançar, levantando a saia para mostrar o que havia debaixo sempre que sua impulsividade mandava (“Sou meio doida, isso é certo. Estou pouco me fodendo”), assinar com a Capitol, se preocupar ao imaginar que se fracassasse mais uma vez estaria fora de vez, estar no chuveiro quando uma inspiração provavelmente menos que divina permitiu que a frase “I kissed a girl and I liked it” penetrasse em sua consciência e tivesse seu potencial como sucesso certo reconhecido.

É conhecida por seu amor pelos gatos, especialmente sua preciosa Kitty Purry, além de sua paixão por coisas fofas. “Vejo tudo em cores. Quando vejo uma estrada em obras e eles têm aquelas coisas enfileiradas, eu as vejo como doces em forma de bengala. Eu tento ver o lado fofo de tudo na vida.”

Mais recentemente tornou-se conhecida por casar com o lunático Russell Brand. Publicamente, isso quer dizer que ela tem sido perseguida de maneira implacável por paparazzi, precisando sair dos lugares que frequenta escondida na parte de trás de caminhões de lavanderia. Na vida privada, significa acordar com Brand tirando fotos dela logo de manhã, ainda com cara de travesseiro, e tuitando para o mundo todo.

Mas seu atributo mais conhecido, ou ao menos em proporção equivalente à sua música, são seus seios espetaculares, instrumento que ela tem usado para sua espetacular vantagem em todas as oportunidades, com ornamentos dependurados de suas balouçantes pontas semicobertas, creme de chantili em erupção de cada um deles em grandes, estranhos e orgásmicos jorros.

E ainda assim Katy Perry e seus seios nem sempre estiveram de bem. “Comecei a rezar por eles quando tinha 11”, diz ela, “e Deus respondeu a essas preces além das expectativas, tipo umas 100 vezes mais, até chegar ao ponto de eu pensar ‘Por favor Deus, pare. Não consigo mais nem ver meus pés. Por favor pare!’ Eu era bem mais retangular na época. Não entendia meu corpo. Alguém na 6ª série me chamou de peituda. Eu não sabia que podia usá-los. Então enfaixei-os. Por quanto tempo fiz isso? Provavelmente até uns 19 anos. E não, eu não tenho nenhuma sequela psicológica por causa disso.” E por que deveria? Uma vez livres, ela fez bom uso deles, e todos os problemas possíveis de se resolver com um par de peitos foram resolvidos, funcionando como um louco feitiço lançado sobre qualquer um que caísse sob sua influência.


Agora ela está no palco, ensaiando. Uma música apresenta vários metros de corda sendo balançados pelo palco. “As cordas estão limpas?”, ela pergunta pelo microfone. “Elas não parecem meio cinzas? Já foram limpas desde que a turnê começou? Não, não foram. Oh, vamos fazer ‘Pearl’ de uma vez. Alguém pode jogar essas cordas na lavadora? Cadê a Sue? Sue! A gente deveria começar essa a partir do segundo verso. Sue! Cadê a Sue? A Sue deveria estar no backstage! As garotas estão fazendo as acrobacias aéreas? Me dá o segundo verso. Quando você encontrar a Sue, faça ela pegar todas as cordas e jogar na lavadora já. Por favor.” Pobre Sue. Mas o que é legal é que Katy não diz essas coisas com raiva ou frustração. É tudo feito com naturalidade, como se organizar um show deste tamanho – 97 membros da equipe circulam pelo lugar em 13 caminhonetes e sete ônibus, carregando cerca de meio milhão de quilos em equipamento, incluindo oito bonecos de homem-biscoito em “tamanho natural” – fosse moleza para ela.

No dia seguinte, entretanto, enquanto come um prato de ovos mexidos à 1 da tarde – horário também conhecido como logo-depois-de-ela-acordar –, Katy admite que, de fato, as dificuldades e responsabilidades de sair em turnê a deixaram totalmente estressada. Ela está desmontada de novo, vestindo um pijama simples e está sem maquiagem. Ela diz que não, não agradece a Deus antes de cada refeição, porque “agradecer é algo que faz parte de mim e me preenche o tempo todo. Em vez de fazer a oração tradicional, eu simplesmente encho a barriga”. Mas hoje ela só belisca a comida. Parece cansada, um pouco exausta. “Ainda estou com remela no olho”, diz, “e estou naquele clima de quem acabou de acordar.” Ela diz que teve sonhos com um “perseguidor” durante a noite, mas não quer falar sobre eles. Diz que está com o nariz congestionado há dias, vem tomando antibióticos e tem assoado uma porção de muco verde.

Ela fala sobre como é ser Katy Perry neste exato momento de sua vida. Conta que sempre sorri para os fãs e sempre faz cara de quem está feliz em vê-los, mesmo se estiver em um dia ruim e não muito no clima. “Lembro-me de ir a Los Angeles pela primeira vez e encontrar Gwen Stefani e como ela foi gentil e maravilhosa, e então de encontrar outra artista de quem eu era fã e de como ela foi escrota. Arruinou os sonhos que eu tinha sobre essa pessoa, a cuzona. Sempre serei fã de quem é gentil.”

Diz que sente falta da simplicidade de sua antiga vida, de poder ir ao shopping, sair para dançar. Às vezes as coisas ultrapassam os limites e ela brinca de “dispensar o guarda-costas” e sai à procura de “uma vida real”.

Ela conta também que sente falta da lanchonete In-N-Out-Burger. “Pego o Double-Double com cebolas, sem fritas ou milk-shake, só o cheeseburger. Quero o gosto dessa merda na minha boca pelo resto do dia, e não quero que nada mude isso!”

Katy tem assistido ao programa Ancient Aliens na TV. Outra coisa que tem a deixado pirada são documentários como Gasland, sobre as horríveis conseqüências da extração do gás natural, e Inside Job, sobre a crise financeira. “Parece que o que rege nosso país é um banco, o dinheiro. Sei que soa como uma visão radical, mas estou apenas tendo o véu retirado de meus olhos lenta, mas decididamente. Quando eu era criança, questionava minha fé. Agora estou questionando o mundo.” E prossegue: “Acho que estamos precisando desesperadamente de uma mudança revolucionária no modo como nós pensamos. Nossa prioridade é a fama, e a prioridade do bem-estar das pessoas está lá embaixo. Digo isso tendo plena noção de que sou parte do problema. Estou jogando o jogo, embora esteja tentando redirecionar. Enfim, sem querer fazer discurso político ou entrar em uma conversa introspectiva, mas o fato de que os Estados Unidos não têm assistência médica gratuita me deixa fodidamente louca da vida, e isso é tão errado”. Ela diz a frase com uma boa dose de raiva na voz, se excitando pela primeira vez no dia.

Quatro horas antes do primeiro show de sua turnê, em seu camarim, Katy senta em uma cadeira em frente a um espelho e deixa sua equipe trabalhar, transformando-a na Katy Perry que surgirá no palco. O processo é oficialmente conhecido como “Glam” [de glamour ou glamuroso], e no cronograma há três horas reservadas para ele. Agora, Todd Delano, o maquiador da cantora, se alinha ao lado dela, avaliando a situação. A base vem primeiro, por todos os lados, aquecendo o tom de sua pele um pouco. Então ele dá a suas pálpebras um tom leve e enfumaçado de púrpura, usando o lápis de olho para dar a eles um formato pontiagudo, meio felino. Então vêm os cílios falsos – Eylure Naturalites Double Lashes 205 – pretos, superlongos. Eles são seguidos pelo corretivo e um brilho cintilante, um tom bronzeador e uma bela quantidade de blush brilhante rosa-bebê. Então ele escurece e modela suas sobrancelhas, muito Bettie Page, muito Betty Boop, os pelos finos mantidos no lugar pela aplicação de um gel transparente específico para o local. Finalmente, sobre a pintura felina no olho, Delano passa uma última linha de acabamento, lavanda e ultrabrilhante. Depois disso, Kim, a garota das perucas, entra trazendo a característica peruca azul de Katy. Depois, a cantora cuida de seus próprios lábios, da cor nocauteante da mais madura das cranberries.

Há uma batida na porta. É uma das atrações de abertura, a cantora de dance-pop sueco, Robyn. Katy é uma grande fã. Depois de trocar gentilezas, ela não se contém. “Amo você! Quero arrancar sua pele para vestir você como a última coleção da Versace!”

É um momento interessante. Ela mudou. Ela não é mais uma réplica anêmica. Já se transformou na supervivaz e sarcástica Katy Perry lendária, no visual, nas atitudes e nas ações. É realmente uma virada quase chocantemente completa.


“Ooh, hoje a noite vai ser louca, louca”, ela diz. Poucos minutos depois, ela levanta a cabeça, ouvindo uma batida quebrada vinda da arena. “Oh, Robyn entrou? Robyn entrou! Vamos assistir, bem, bem rapidinho.” Ela mergulha em um agasalho preto, joga o capuz sobre a cabeça (porque ela está totalmente reconhecível como Katy Perry, com a peruca azul), brinca de “dispensar o guarda-costas” (garota má: “Como posso fazer o meu trabalho quando ela fica fazendo isso?”, reclama o guarda-costas mais tarde) e corre até perto da ala esquerda do palco, onde dança ao som cheio de sintetizadores de Robyn, despercebida e feliz.

Uma hora mais tarde, é a vez de Katy Perry. Logo ela já está flutuando lá no alto em uma nuvem de algodão-doce mecanizada, elevada por engrenagens e correias, sua altitude mantida por longos minutos até que chega o momento de trazê-la de volta à Terra e ao palco. Ela sorri constantemente. E parece sentir-se em casa. Ela dá a todos o que eles querem e muito mais – todos os seus sucessos, bem como um medley de algumas de suas canções favoritas (“Big Pimpin’”, do Jay-Z, “Friday”, de Rebecca Black, e “Whip My Hair”, de Willow Smith), tudo acompanhado por grandes quantidades de decotes espetaculares. Como recompensa, Katy recebe o que queria: 10.131 rostos felizes. Ela também tem uma sessão de autógrafos e fotos com 85 fãs e amigos sortudos. E não vai voltar ao hotel antes das 2 da manhã. E não vai conseguir dormir antes das 5. E não vai acordar de novo antes da 1 da tarde.

No dia seguinte, em seu quarto de hotel, Katy está de novo de pijamas, de novo cansada (“tão cansada”), de novo sem maquiagem, de novo parecendo ter 17, não 26. Ela está falando sobre algo que seu marido disse recentemente. Ele disse: “Não acredito que eu costumava transar 20 vezes por semana, especialmente agora que estou casado. Mas hoje sou um jardineiro bom pra cacete!” Ela diz: “Ele transava mais do que qualquer um que conheço, então, é claro, muda quando você faz parte de uma relação monogâmica. Eu não consegui dar conta desse – é um tipo de vício, e ele era muito viciado. Eram drogas, sexo e álcool. E ele está tão em forma agora. Ele mudou tanto. Se tenho ressaca, olho para ele e digo: ‘Como diabos você conseguia usar heroína todos os dias, quando eu não consigo nem tomar três taças de vinho sem jurar que não vou beber nunca mais na vida?’” Ela faz uma pausa. “Estou tão feliz por ele ter sobrevivido, claro. Deus o abençoe.”

Mas e a foto que Russell tuitou para o mundo, em que ela está com uma cara mais ou menos igual à que está agora? Ela não ficou puta?

“Não fiquei puta”, ela afirma. “Quero dizer, não dá para se montar como um traveco todos os dias da semana. Essa é só uma parte exagerada da minha personalidade. Sou eu ampliada. O meu exterior é um pouco mais sorridente do que o meu eu interior. Meu eu interior é um pouquinho mais sério. Então aquela foto mostra que sou uma mulher normal, comum, que tem sonhos realmente grandes. Serve como encorajamento para todas as garotas, mostrando que elas podem também ser como um desenho animado maior do que a própria vida.”

Um pouco depois, Katy está com uma caneta na mão, fazendo um desenho que representa como ela pensa que se parece. “Estou fazendo com calma”, afirma, então se concentra em sua criação. Os minutos passam. “E… ainda não terminei”, diz ela, a cabeça ainda baixa olhando para o desenho. Finalmente, ela mostra seu trabalho. Ela o descreve assim: “Uma gatinha brilhante, se escondendo atrás de um coração estampado com bolinhas, um cheeseburger e raios de sol”. Ela parece muito satisfeita com seu autorretrato, e deveria mesmo estar, já que se trata de uma representação muito mais atraente que a que seu marido tuitou. E muito mais parecida com a realidade também.