P&R - Justin Timberlake

Atualmente mais ator do que músico, Justin Timberlake fala sobre seus papéis cômicos

Bruna Veloso Publicado em 13/09/2011, às 15h20 - Atualizado em 07/11/2011, às 13h29

DESPREOCUPADO Justin não liga para o que pensam os críticos de cinema
ONY PICTURES ENTERTAINMENT INC/DIVULGAÇÃO

Justin Timberlake é uma das crias mais bem-sucedidas de boy bands. Depois da descrença de muitos diante do talento (ou falta de) de grupos vocais de garotos, como foi o caso do ‘N Sync, ele foi aclamado em sua carreira solo, revelando-se posteriormente um ator promissor. No final deste mês, Timberlake estreia ao lado de Mila Kunis na comédia romântica Amizade Colorida. No roteiro, nada de novo (a história é bem semelhante, aliás, à de Sexo sem Compromisso, com Ashton Kutcher e Natalie Portman): dois amigos que decidem manter relações sexuais, sem comprometimento amoroso. Falando a um grupo de jornalistas em um quarto de hotel em Los Angeles, Timberlake proibiu perguntas sobre sua carreira musical, mas confessou o nervoso que passou por aparecer nu em cena.

Clique aqui para ler uma entrevista com a atriz Mila Kunis.

A química entre você e Mila Kunis chama a atenção. Como foi contracenar com ela?

Tivemos sorte de trabalhar com alguém com quem fosse divertido. Poderia ter sido um saco porque tivemos que passar muito tempo diante das câmeras. Ela é muito divertida, cheia de energia. Na última semana, trabalhamos 17, 18 horas por dia, e é bom ter alguém pra te acompanhar na hora de ficar lá, exausto. Esse é o tipo de filme em que são necessárias duas pessoas entre as quais exista uma troca na comédia. E não há muitas mulheres por aí que conseguem fazer comédia como a Mila.

Vocês dois ajudaram muito no roteiro, certo?

Essa foi a parte divertida, e acho que foi uma das razões pelas quais fizemos esse filme. Foi um modo bem livre de trabalhar.

Não há cenas explícitas, mas existem muitas sequências de sexo. Vocês ficaram envergonhados em algum momento?

Poderia ter sido muito ruim. Mesmo que você se sinta confortável com a pessoa, e que você tenha passado todas as filmagens meio que se preparando para essas cenas – porque nós as gravamos no final de tudo – ainda é a hora em que você tem que chegar lá, na frente de toda a equipe... eu provavelmente fiquei mais envergonhado, porque rolou mais nudez comigo. Eu marquei no calendário o “dia da bunda”: esse será o dia em que eu ficarei inseguro. E eu estava.

Assista abaixo ao trailer do filme Amizade Colorida:

Para você, quem é o Dylan, o seu personagem em Amizade Colorida?

Vejo-o como alguém que cresceu em uma família muito boa. Acho que, quando se é jovem, há um momento em que todo mundo passa por uma fase de: “Ah, isso são as coisas que os meus pais me deram, boas e ruins”. Acho que são duas pessoas [ele e Jamie, personagem de Mila Kunis] passando por esse processo.

É possível manter uma relação como a deles – de amigos que fazem sexo, mas não se envolvem amorosamente?

É uma ideia ótima... até o momento em que se torna uma péssima ideia. Acho que duas pessoas que decidem ter algum tipo de intimidade obviamente têm alguma química, e em algum momento um dos dois vai sentir algo a mais pela outra pessoa, ou os dois vão sentir algo a mais.

No ano passado, você recebeu elogios pela atuação em A Rede Social. Críticos costumam prestar mais atenção em papéis dramáticos. Isso é um problema?

Eu não consigo imaginar o que é ser crítico. Vejo muitos filmes, e eu tiro uma coisa boa de cada um deles. Mesmo que não seja o meu filme favorito, encontro algo que eu amo [em qualquer filme]. Então, não consigo imaginar o que é ser pago para criticar. Acho que faço comédia porque me divirto no processo. Tudo o que acontecer depois é o que é.

Woody Harrelson é um exemplo de ator que caminha com desenvoltura por papéis dramáticos e cômicos. Como foi a experiência de tê-lo no set?

O papel que o Woody interpretou, ninguém poderia ter interpretado como ele. Fomos a uma exibição do filme, e vimos pela primeira vez a reação do público: Woody arranca as risadas mais altas da plateia. Eu não conheço ninguém que pudesse ser tão chocante quanto ele, e ainda ser genuíno... você acredita naquilo [que ele te mostra]. É um ator brilhante.

Você se sente confortável improvisando?

Em um filme como esse, com dois protagonistas, cada um tem que ter seus próprios momentos de dominar ou ser submisso. Eu acho que se você pedisse para um grupo de atores improvisar, oito entre dez teria o instinto de dominar a cena. E ser submisso em uma cena é uma arte, e uma coisa importante em comédia. Não sei se é algo que se pode ensinar, mas sinto que é algo que a Mila já tinha. Talvez seja só humildade.