Batidas do Inferno

Em fase eletrônica, Iggor Cavalera firma parceria com DJ Hell

Erika Brandão Publicado em 02/08/2007, às 13h20 - Atualizado em 31/08/2007, às 18h42

Hell, Laima e Iggor, no estúdio, em São Paulo: ansiedade pelas pistas
André Porto

Apesar de eu ter chegado atrasada ao local do encontro graças ao caótico trânsito de São Paulo, o casal Iggor Cavalera e Laima Leyton também não foi pontual: os dois haviam ficado de buscar o DJ Hell em um hotel, para, juntos, finalizarem a faixa inédita que compuseram em parceria. Uma hora e vinte minutos após o combinado, nos encontramos em uma sala do novíssimo estúdio Na Cena do Krime. O lugar, ainda em construção, está sob os cuidados de Maurício, engenheiro de som que já trabalhou com Iggor na época do Sepultura (quando ainda não usava os dois "g" no nome). Laima abre uma sacola e entrega uma camiseta preta para Hell, que a veste na hora: "Achei que tinha tudo a ver com você quando vi na loja".

"Foi a Laima quem colocou ordem na casa", conta Iggor, com orgulho da esposa e parceira no projeto MixHell. A ordem a que ele se refere vem do fato de o trio ter passado três intensos dias produzindo sons e discutindo sobre como seria a faixa, mas foi Laima quem "organizou o caos", nas palavras do alemão Helmut Josef Geier, globalmente conhecido como DJ Hell e dono do Gigolo Records, um dos selos mais respeitados de electro do mundo. "Venho para cá sempre que posso. Toco bastante, mas adoro passear em São Paulo", conta Hell. "Aqui posso fazer tudo o que faço na Europa - ir ao cinema, sair à noite, assistir a uma partida de futebol, que adoro."

A colaboração entre o grupo surgiu naturalmente. "Tudo começou com um jantar que fiz para alguns amigos, e deu certo de o Hell ir também", explica Laima. "Sentamos na frente do computador e começamos a conversar sobre música." Hell já havia escutado sobre Iggor, e vice-versa, através do grupo Digitaria (de Belo Horizonte), que faz parte do cast da Gigolo, ao lado de Fischerspooner, Tiga e Vitalic.

"Foi uma surpresa ouvir o que saiu de um loop inicial que já tínhamos feito", conta Iggor. "Acho que muita gente vai ficar surpresa, porque muitas das texturas não têm nada a ver com o som do Hell nem com o tipo de coisa que eu e a Laima estamos produzindo." E completa: "Tem sido uma experiência incrível. Estou no meio musical há 20 anos e vi que entrei num mundo totalmente diferente". Iggor, 36 anos, dedicou mais da metade da vida às baquetas do Sepultura, foi casado e tem três filhos do primeiro casamento. Conheceu Laima, que trabalhava na área educativa do MAM, e juntos formaram o MixHell - um projeto de discotecagem que mistura música eletrônica e rock. Eles têm um filho, Antonio, 2 anos.

A faixa que Iggor, Laima e Hell produziram, ainda sem nome, começou com o loop criado na casa do casal e seguiu para os estúdios do produtor Apollo 9. Lá, eles gravaram sons de aparelhos analógicos e instrumentos, entre eles, uma bateria e um "magic box", uma caixa de madeira que emite ruídos que ora soam como um teremim, ora como um moog. E Apollo também operou sintetizadores para dar ainda mais riqueza de timbres à faixa.

Até o fechamento desta edição, o destino da faixa, que terá por volta de 8 minutos, ainda era uma incógnita. "Espero que seja lançada pela Gigolo, mas o que mais quero é poder tocar essa música logo", confessa Iggor. "O que vai acontecer é conseqüência, porque o que gostamos é de produzir, ter todo esse trabalho e experimentar ao vivo." Hell dá a dica: "Mas a gente podia colocar na rede para as pessoas baixarem amanhã mesmo ou mesmo hoje".