Entrada Franca

Onda de festivais gratuitos pode chegar ao Brasil

José Norberto Flesch Publicado em 02/08/2007, às 13h33 - Atualizado em 31/08/2007, às 18h50

Rolling Stones em Copacabana: o maior show gratuito da história?
Divulgação

O Ozzfest de 2007 será de graça para o público. Foi só a empresária Sharon Osbourne anunciar que a edição deste ano do festival itinerante de metal teria entrada franca para o Genesis avisar, poucos dias depois, que não cobrará ingresso no show de encerramento da parte européia da turnê "Turn it on Again", no dia 14 de julho, em Roma. "Eu não faço nada para perder", afirmou Sharon. "Não sou idiota. Nossos custos serão cobertos." A turnê de heavy metal, que inicia no dia 7 de julho e tem 25 datas confirmadas, terá como principais patrocinadores as bebidas Jägermeister e Monster Energy Drink.

Cruzou os dedos para a onda pegar por aqui? "Ainda é cedo para dizer que é uma tendência, mas são ações promocionais que estão sendo testadas e o mundo inteiro está assistindo de camarote para ver o resultado", diz William Crunfli, sócio da Mondo, empresa que trouxe o New Order e o cantor Ben Harper ao país, mas ainda não produziu espetáculos internacionais gratuitos. "Só seria possível trazer certos artistas dessa forma, com uma verba de patrocínio para uma apresentação de graça", confirma Alexandre Faria, diretor artístico da CIE Brasil, responsável pelos shows nacionais do Pearl Jam e do Aerosmith.

O certo é que não falta know-how ao Brasil para promover festivais de grandes proporções - musicais e comerciais como o Ozzfest - com entrada franca. Para o produtor Rafael Reisman, que promoveu o show gratuito de Lenny Kravitz no Rio de Janeiro, em 2005, e negocia a vinda de Elton John em 2008, o maior problema é convencer o artista. "No caso do Ozzfest, o Ozzy Osbourne acha que os cachês e ingressos estão cada vez ficando mais caros, inviabilizando o acesso do público jovem roqueiro aos shows. Daí, se montou essa estratégia com o apoio de um patrocinador. Com o Lenny, a idéia de fazer de graça na praia surgiu porque o preço pedido pelo aluguel do lugar pretendido era muito alto, e ele não queria tocar na Apoteose", explica Reisman, que afirma que o formato brasileiro de apresentações gratuitas chama a atenção no exterior. "Nos Estados Unidos, esse tipo de concerto é incomum, porque lá as bandas têm participação na bilheteria. Mas depois do sucesso de Lenny Kravitz e dos Rolling Stones, vários cantores e empresários de peso falaram comigo sobre a possibilidade de fazer uma turnê aqui, incluindo um show aberto."

Luis Oscar Niemeyer, da Planmusic, responsável pela apresentação dos Rolling Stones em Copacabana, no ano passado, confirma que o interesse dos patrocinadores pode definir a quantidade de shows gratuitos no país. "Naturalmente, é mais fácil com bilheteria, mas várias empresas têm apostado em levar grandes atrações de graça para o público. O grande diferencial é a possibilidade de se atingir uma platéia de mais de 1 milhão de pessoas, o que torna o evento único."