Na Vanguarda

Trilíngüe, melódico e favorito indie, Vanguart planeja os próximos passos

Márcio Cruz Publicado em 02/08/2007, às 13h38 - Atualizado em 31/08/2007, às 18h52

(Da esq. para a dir.) Reginaldo, David, Hélio, Lazza e Douglas formam o Vanguart
Daigo Oliva

"Sempre disseram o contrário de São Paulo. Mas o público daqui é legal demais". A frase é de Reginaldo Lincoln, 20, baixista do Vanguart, uma das bandas que emergiram recentemente da cena indie de Cuiabá, enquanto toma cerveja e come raríssimos bolinhos de bacalhau no "Boteco do Português", no bairro do Sumaré.

Decididos a levar adiante a carreira de músicos, o quinteto se mudou para São Paulo e atualmente busca um lugar fixo para morar. Pela primeira vez desde 2005, quando iniciaram a rotina de shows e festivais independentes, a banda se encontra dividida. "Douglas [Godoy, bateria] e Hélio [Flanders, vocal e violão] estão no Sumaré. Reginaldo e o Lazza [teclados] estão na casa do Jair da Ludovic, na Rua da Consolação, e David [Dafre, guitarra] fica na casa da mãe, perto da Teodoro Sampaio", explica Bruno Montalvão, produtor do grupo.

"A gente já fez uns 20 shows em São Paulo", comemora Flanders, 22 anos, o líder da banda com o ânimo adolescente que a maioria das pessoas só tem uma vez na vida. Conhecidos pelo repertório cantado em inglês e pela influência do folk norte-americano, o Vanguart é caso raro de banda independente que é unanimidade de crítica e público. "Nunca recebemos críticas muito negativas. Também, nenhum crítico vai ter coragem de criticar um cover de 'Dig a Pony', dos Beatles, em um show", analisa o vocalista.

A música do Vanguart é feita para entreter, mas a imagem da banda destaca-se do seu som. "Hey, O Silver", lançada em single, é a prova disso. O refrão galopante é capaz de levantar até o mais blasé dos indies. Em março, o Vanguart lotou casas de shows paulistanas como Vegas, Belfiori e Inferno, sempre com o público cantando junto. "Honestamente, a gente não faz o lance artista-fã, se alguém vem dizer algo, a gente sempre ouve. Eu prefiro transformar fã em amigo", diz Flanders.

Com previsão de lançamento para maio, o primeiro disco (ainda sem nome e bancado por leis de incentivo) deve mostrar outros lados de uma banda que sempre privilegiou as canções de inspiração folk. "Este trabalho vai mostrar a música de uma banda que vem tocando junto há um ano. A gente se sente abençoado por se sentir tão bem junto", diz o líder e responsável pelas composições do Vanguart. As melodias em português ainda são novidade para uma banda que se acostumou a cantar em inglês. "Em inglês, a gente consegue deixar as coisas no ar. Em português, é muito claro e direto", explica o baixista Reginaldo, justificando a escolha de músicas no idioma materno para os clipes da banda. "Cachaça" concorreu ao prêmio de Melhor Videoclipe do Ano no VMB de 2006.

"A gente tinha oito músicas em inglês, três em português e uma em espanhol. Não tem grilo: vamos fazer músicas nos três idiomas", afirma Flanders. Apesar de assumidamente influenciado por Bob Dylan, suas letras passam longe do engajamento político. "A gente não pensa em fazer arte política. A gente acredita na arte antes de tudo. Se eu sentar para escrever algo político não vai rolar", avisa o vocalista, cujas ambições literárias não se limitam à carreira de músico: ele acaba de ter um conto lançado pela série Mojobooks, inspirado no disco Pet Sounds, do Beach Boys.