Wander Volta

"Não pertenço ao showbizz, não compactuo com a máfia musical brasileira"

Ademir Correa Publicado em 02/08/2007, às 13h54 - Atualizado em 01/09/2007, às 18h49

Wander Wildner: seguindo caminhos alternativos
Divulgação

Wander wildner, ícone do punk brega contemporâneo, arquiteta mais um passo para seu plano de dominação do mundo. Agora é o disco La Cancion Inesperada, em fase de gravação. E o que se pode notar de realmente "inesperado" neste trabalho de Wander é o fato de ele estar fugindo um pouco de suas composições nostálgicas - dos tempos em que se entorpecia, musicalmente, "Bebendo Vinho", morava no Rio de Janeiro e lembrava de Porto Alegre (ou estava em Porto Alegre) e compunha sobre o passado. "Estou falando de minha vida hoje, minhas aspirações, meus sonhos", adianta.

O álbum tem ainda uma inesperada parceria entre Totonho Vileroy e Jimi Joe que surgiu quando o primeiro recebeu um e-mail de divulgação de shows que WW faria em São Paulo. "Ele me respondeu com uma letra, 'Bocomocamaleão'. Como não conseguia achar a música, resolvi passar para o Jimi, que, no outro dia, apareceu com uma rancheira, meio moda de viola", explica Wildner.

Produzido por Alexandre Kassin e Berna Ceppas no estúdio Monaural, o gaúcho justifica sua escolha: "Eles têm algo de Tom Capone, pela generosidade e astral. São pessoas muito simples, inteligentes, agradáveis". E vai além: "Só trabalho com amigos, todos com liberdade para criar o que quiserem". Entre os convidados que participam da empreitada: Flu (baixo), Barba, do Los Hermanos (bateria), Jimi (violões, guitarra e harmônica) e João Vicente (gaita).

A produção já está na metade do caminho e o cantor quer se divertir: "Componho por intuição, é fácil. Tenho 47 anos e prefiro o prazer ao sofrimento". Ao todo, são 12 canções, entre inéditas e versões, como "Amigo Punk", hino da Graforréia Xilarmônica, a banda que é "um pilar da música gaúcha contemporânea", como o gaúcho faz questão de sublinhar. "Ainda tem duas em espanhol selvagem, e muito violão. É mais brega. Já gravamos todas as bases e estamos trabalhando nos detalhes", orgulha-se. Se ele pudesse escolher um clima para seu novo álbum, seria algo "caliente! Uma praia mexicana, sol, rede, um violão e uma boa companhia".

Alheio às formas virtuais de acesso e comercialização do mercado fonográfico atual, ele prepara um CD em um momento em que se discute a permanência dessa mídia: "Não pertenço ao showbizz, não compactuo com a máfia musical brasileira. Sigo meu caminho alternativo. Sou do tempo do vinil, aí veio o CD, o mp3 e estamos aí. Aliás, gostaria de lançar este disco em vinil também, depois..."