Fora de Cena

Sueco e indie, José González assume o gosto pela MPB

Dagoberto Donato Publicado em 02/08/2007, às 10h14 - Atualizado em 31/08/2007, às 18h31

O sueco José González: sem rótulos
Divulgação

Ao longo dos anos, a Suécia vem se afirmando como reduto de excelência no cenário independente mundial. Nomes como The Knife, Jens Lekman e Peter Bjorn and John ganham cada vez mais destaque na imprensa musical, enquanto novas promessas -I'm From Barcelona e Loney, Dear - fazem a festa dos blogueiros. José González, 28, maior expoente desta safra, prefere, no entanto, não se vincular a esta movimentação. "A Suécia é um país pequeno, com cidades pequenas, então você acaba trombando outros músicos, mas não faço música com eles. Temos aqui um bom ambiente para se fazer música, mas não acredito que eu seja parte de nenhuma cena", diz, de sua casa, em Gotemburgo.

Filho de argentinos, González conta que cresceu escutando música latina e brasileira. "Comecei a tocar violão influenciado por Silvio Rodriguez, Caetano Veloso, Chico Buarque e João Gilberto." Aprendeu os primeiros acordes tirando canções dos Beatles e clássicos da bossa nova e, depois, dedicou-se ao violão clássico e teve bandas de rock. "Acho que a mistura do aprendizado do violão com o indie norte-americano me trouxe para onde estou hoje." Veneer (2003), seu primeiro disco, levou-o ao 7º lugar das paradas inglesas, foi disco de ouro na Suécia, teve uma das músicas como trilha de um comercial de televisores e outra embalando o episódio de encerramento da segunda temporada do seriado The O.C. Agora, o trabalho chega ao Brasil, acompanhando os shows que ele fará por aqui no início de junho.

O sucesso de Veneer pegou González de surpresa, principalmente por se tratar de um disco gravado em casa, apenas com o auxílio de um computador e um par de microfones. "Minhas expectativas eram muito baixas. A maior parte das coisas que escuto não vendem muito, então achei que seria igual", conta. "Gravei o disco na minha cozinha. É bem lo-fi."

Para os shows (sem data definida até o fechamento da edição), os fãs brasileiros podem esperar o que se escuta em seu primeiro disco: "É um show de violão e voz". Além das músicas de Veneer, González deve mostrar composições novas, que deve manter as raízes lo-fi, mas longe da cozinha. "Agora tenho um escritório-estúdio, que posso utilizar sem ter que pensar na louça que tenho que lavar enquanto gravo", brinca.