Aula Prática

Em visita ao Brasil, DJ Premier indica novas direções ao hip-hop nacional

André Maleronka Publicado em 16/05/2011, às 12h46

Dj Premier
André Porto

Ao chegar em Nova York, no final da década de 1980, o DJ texano Premier desenvolveu um estilo de batidas de rap que logo se tornariam sua assinatura: dançantes, com samples de jazz e funk cortados de jeitos inusitados, ataques de caixa agressivos, samples de cordas e sopros e refrãos repletos de scratches de vozes. Premier abriu portas para produtores do mundo todo, prestando serviços para nomes do rap e da dance music (até Cristina Aguillera se rendeu). Em passagem pelo Brasil, em maio, o DJ compartilhou experiências em uma oficina patrocinada por uma marca de calçados e material esportivo e organizada pelos membros do Racionais MC's.

"A presença dele fortalece a cultura dos DJs. É como ter um workshop com Pelé, Ronaldinho, Robinho", comparou KL Jay, o DJ do Racionais, sobre o evento no estúdio Bebop, em São Paulo.

Antes de montar uma batida ao vivo, Premier relembrou o início da carreira - "Todo mundo tinha um som novo, eu queria soar diferente. Tenho 41 anos, os samples me lembram de quando eu estava crescendo: o som antes da disco music" - e deu dicas - "É tudo questão de ouvido e de engenharia, de achar um cara que saiba trabalhar seu som.

Não importa o que você use, mas como você faz aquilo soar."

Para KL Jay, o som feito por Premier reflete as mudanças de paradigmas da música: "O DJ tem que prender as pessoas pelo jeito que toca. Se você faz rap, as músicas têm que ser pra cima, como o funk carioca e o samba fazem. Rap é ritmo e poesia. Então, primeiro vem o ritmo, depois a poesia. É o ritmo que pega, que te prende, em tudo", decreta.