Orquestra da Capital

Nome e formação inusitados não impedem a boa fama do Móveis Coloniais de Acaju no circuito underground

Adriana Alves Publicado em 01/06/2007, às 00h00 - Atualizado em 21/08/2007, às 10h46

Móveis Coloniais de Acaju: espírito de big band
Fabricio Ofuji/Divulgação

O nome foi feito para confundir, mas o site da banda brasiliense Móveis Coloniais de Acaju traz a explicação: "É uma homenagem à Revolta do Acaju, ocorrida no século 18, quando índios e portugueses se uniram para tomar de volta a Ilha do Bananal da Coroa Britânica. A destruição de móveis e cachimbos feitos da madeira acajus mognole deu nome à revolta". Verdade ou não, o fato é que a "orquestra" de dez integrantes fez fama por onde passou durante a turnê de seu disco de estréia, Idem (2005), uma bem elaborada mistura de ska e MPB. "Nosso show é sempre muito interativo, espontâneo, sincero", conta o vocalista André Gonzáles. A trajetória de quase dez anos rendeu um EP e o álbum Idem, que já vendeu quase 5 mil cópias e terá nova tiragem. "Nosso combustível é a pluralidade. Somos muitos e muito diferentes, e o disco é resultado desse processo. As músicas ficaram maturando uns dois anos até gravarmos", diz André. O mesmo procedimento é usado na criação do sucessor, ainda sem data definida. "Tocamos as músicas nos shows e muita gente já as canta de ouvir no YouTube. Se a pirataria existe e a internet dissemina tudo, temos que tirar proveito."

A banda costuma se dedicar a outros projetos, como o Móveis Convida, um show da banda anfitriã acompanhada de mais duas convidadas. "Organizamos desde o cachê das bandas até o local do show", fala o saxofonista Esdras Nogueira. E está previsto para este mês o lançamento de um compacto em vinil feito em parceria com Gabriel Thomaz (Autoramas), com releituras de músicas do Little Quail e do Câmbio Negro. O disquinho sairá pela Gravadora Discos, do próprio Thomaz (ex-líder do Little Quail).