Quero Ser Superstar

Superguidis investe em melodia e distorção rumo ao topo. E mais: Duran Duran grava com Timbaland

Mateus Potumati Publicado em 16/05/2011, às 12h46

Superguidis: mantendo o rock vivo
Divulgação

"A gente tocou no rio Grande do Norte e tinha bastante gente pedindo música, cantando junto. Isso é legal demais. O melhor de tudo é que aconteceu sem rádio, TV, nada", conta Lucas Camacho, guitarrista do quarteto gaúcho Superguidis. Eles, como outros grupos desta geração, são moleques mal chegados aos 20 anos que, por um daqueles motivos que forçam a ciência a generalizações obscuras, juntaram talento com disposição para ir à luta. O movimento atual de boas bandas vindas de vários pontos do Brasil, lançando discos e tocando para platéias razoáveis, aos poucos redesenha o mapa musical no país. E o Superguidis, prestes a lançar o segundo disco, desponta como um dos líderes desse movimento.

O talento do grupo de Guaíba (região metropolitana de Porto Alegre) está em assimilar com propriedade influências do rock americano e britânico, como Grandaddy e Teenage Fanclub, e criar refrãos pegajosos, com letras inteligentes em português. "Malevolosidade", do primeiro disco homônimo, é uma das melhores músicas lançadas pelo rock brasileiro de 2006. Há várias qualidades que provam que esta não é apenas outra brincadeira de adolescentes que vai morrer no ostracismo. Comunicar é sem dúvida uma delas: as músicas do Superguidis ganharam a crítica em peso e têm potencial para fazer um estrago com o grande público.

Às vésperas de lançar A Amarga Sinfonia do Superstar, gravado em Brasília com produção de Philippe Seabra (ex-Plebe Rude), Camacho falou sobre o disco: "As músicas seguem na mesma pegada, mas acho que as letras estão mais reflexivas, com um enfoque bem pessoal". A criação fica por conta da parceria entre ele e o vocalista/guitarrista Andrio Maquenzi. A dupla forma um binômio clássico, à Lennon-McCartney, no qual Camacho cria texturas baseadas em acordes menores, com letras mais secas, e Maquenzi joga o ânimo para cima. Apadrinhados por Seabra e Fernando Rosa, ambos da gravadora brasiliense Senhor F, a banda lança Sinfonia em julho para em seguida encarar o frio dos Pampas em uma turnê por Argentina e Uruguai. "O Fernando e o Philippe são como pais da gente", brinca Camacho. "Confiamos tanto neles que, se pedirem, tocamos até Ivete Sangalo.