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Homenagem–Surpresa

Ney Matogrosso recebe prêmio especial do Grammy Latino

Luciana Rabassallo Publicado em 11/12/2014, às 15h28 - Atualizado em 29/08/2015, às 16h53

Desavisado
Ney ficou surpreso quando se viu no DVD Atento aos Sinais.
Divulgação

Quando sobe ao palco, Ney Matogrosso é uma entidade inquestionável. Aos 73 anos, ele carrega na bagagem mais de quatro décadas de carreira. Toda essa experiência e o amor pelo trabalho são a base do CD e DVD Ney MatogrossoAtento aos Sinais Ao Vivo, que retrata a turnê do disco homônimo lançado em 2013. “Tenho paixão por tudo o que faço. Do contrário, eu não estaria mais trabalhando”, ele garante. A contribuição de Ney ao mundo artístico rendeu ao ex-Secos & Molhados o Prêmio à Excelência Musical do Grammy Latino, entregue no mês de novembro, nos Estados Unidos.

Como você se sentiu ao receber um troféu internacional pelo conjunto da sua obra?

Eu não fazia ideia de que eles estavam de olho no meu trabalho por lá. Talvez eu tenha pensado isso pelo fato de o Brasil parecer um país à margem da América Latina. Não achei que a organização do Grammy reparasse no que eu estou fazendo por aqui. Mas, na verdade, não mudou muita coisa na minha vida.

Você acha que o prêmio não tem relevância no Brasil?

A questão não é ter ou não relevância, mas sim o que isso implica. Eu acho que no Brasil um prêmio como esse não muda em nada a vida do artista. Nos Estados Unidos ou na Europa, por exemplo, se um músico ganha um Grammy, a carreira dele melhora em alguns sentidos. Há algum tempo eu tenho observado isso. A estatueta não mudou a vida da maioria dos artistas nacionais que a ganhou e também não mudou a minha. Mas eu fiquei muito emocionado.

Qual foi a sua participação na produção do DVD Ney Matogrosso Atento aos Sinais?

Eu simplesmente fiz o meu show. Não opinei na direção de imagens ou em qualquer outra coisa. Apenas na escolha do repertório. Gostei do resultado, mas, quando vi as imagens pela primeira vez, fiquei um pouco assustado. Na hora, pensei: “Nossa, é assim que eu sou no palco?” Eu não tinha ideia até ver as cenas.

O que te deixou tão assustado?

Acho que foi a questão da sexualidade. O diretor [Felipe Nepomuceno] fez questão de ressaltar essa sexualidade no DVD. Mas depois eu refleti e concluí que sou assim mesmo, não tenho motivos para esconder esse meu lado. Tudo o que eu faço no palco é visceral e verdadeiro. Não tenho nenhum tipo de ensaio ou coreografia.

Quais são seus planos agora? Já tem um novo disco em mente?

Por incrível que pareça, essa é a primeira vez que eu não sei o que virá a seguir. Por enquanto, não tenho planos de lançar nada. Talvez em 2015 eu reúna em um box com alguns DVDs os

momentos mais marcantes da minha carreira, mas ainda não fui pego por nenhuma boa ideia em relação a um trabalho de estúdio. Pode ser que isso mude amanhã, mas, por enquanto, estou

sem planos.