As melhores músicas nacionais de 2014

Sons para sacudir o corpo, refletir sobre a melancolia e ativar os instintos: as canções do ano comentaram tempos de mudanças

Bruna Veloso, José Julio do Espirito Santo, Lucas Brêda, Marcelo Costa, Marcos Lauro, Mariana Tramontina, Mauro Ferreira, Pablo Miyazawa, Paulo Cavalcanti e Pedro Henrique Araújo. Publicado em 14/01/2015, às 13h26 - Atualizado em 15/01/2015, às 13h01

Outro horizonte
Racionais segue questionando.

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1 Racionais MC’s“Quanto Vale o Show”

A expectativa era alta quando o Racionais liberou na internet a música “Quanto Vale o Show”, primeiro single de Cores e Valores. Se ainda não era possível saber o que esperar do novo disco, a faixa deu algumas dicas: começa com uma batida de pandeiro, traz o sample da guitarra de “Gonna Fly Now”, tema de Rocky – O Lutador, e tem a voz de Silvio Santos no curto refrão. O Racionais vinha para a briga preparado para chamar atenção. A cena do rap deu um giro de 360 graus nos 12 anos em que a produção de álbuns inéditos do grupo fi cou parada. Apesar da pausa, os integrantes se mantiveram ampliando o alcance das batidas em projetos solo e trazendo novas referências. Agora soul, samba e funk fazem parte de vez da equação. Sobre os beats produzidos por DJ Cia, do RZO, e por ele próprio, Mano Brown lembra a adolescência e a entrada no universo do hip-hop. Se “83 era legal”, como diz Brown na letra, 2014, ao menos para o Racionais, foi revolucionário e surpreendente.

2 Alice Caymmi“Meu Recado”

Alice coloca a alma na voz ao discorrer sobre uma desilusão amorosa tão profunda quanto as narradas no cancioneiro brega. Som orquestral e um solo de saxofone enriquecem

o panorama: é para expurgar o sofrimento, e depois erguer a cabeça no último acorde.

3 Banda do Mar“Mais Ninguém”

Mallu avisa que não está a fim de fazer social neste rock sessentista, embalado por guitarras que lembram a surf music. Exalando maturidade, ela evoca algumas de suas heroínas: Nara Leão, na malemolência serena, e Rita Lee, na provocação desbocada.

4 Criolo “Cartão de Visita”

A parceria com Tulipa Ruiz rende uma resposta inteligente a um bullying de internet. Com o verso “Lázaro, alguém nos ajude a entender”, Criolo dá a volta em quem zombou

do discurso dele, enquanto destila versos com cheiro de ironia à onda da ostentação.

5 Nação Zumbi“Um Sonho”

As alfaias cedem espaço para a guitarra dedilhada de Lúcio Maia em “Um Sonho”, que se sobressai pela singeleza sonora e pela letra inspirada no livro Androides Sonham com Ovelhas Elétricas? (Philip K. Dick). Fantasia onírica e realidade lado a lado.

6 Juçara Marçal“Ciranda do Aborto”

Juçara intercala doçura e agressividade em um mar de sentimentos à flor da pele. Em “Ciranda do Aborto”, tudo é intenso e dolorido. Causa desconforto e estranheza, mas ainda é extremamente bela.

7 Jaloo“Insight”

Se você ouviu o nome de Jaloo ligado ao rótulo “tecnobrega paraense”, esqueça. Produzido por Carlos Eduardo Miranda, esse tecnopop em midtempo mostra o potencial

do cantor para além de fronteiras geográficas.

8 Titãs“Cadáver sobre Cadáver”

A percussão incessante e repetitiva da faixa dá o tom da violência urbana crescente musicada pelos Titãs. Uma faixa certeira que expressa com precisão o estado deplorável

desta babilônia.

9 O Terno “O Cinza”

Mesclando momentos de euforia e tranquilidade, O Terno cria um autêntico retrato de São Paulo com a linguagem simples e atualizada do vocalista Tim Bernardes, uma das características mais fortes do trio.

10 Russo Passapusso “Paraquedas”

Espécie de sobrinha de “Politicar” (Tom Zé), a canção tem arranjo grandioso, linha de baixo marcante e percussão que convida a dançar. Um belo cartão de visita para a carreira do cantor.

11 Rubinho Jacobina“Clichê Colado”

Levado pelas guitarras de Pedro Sá e Bartolo, esse rock traz Jacobina abusando de versos metalinguísticos. “Todas as músicas são melhores do que essa”, avalia o cantor na letra.

12 Pato Fu“Cego para as Cores”

Uma canção que resume o Pato Fu: um ri distorcido abre a faixa e divide espaço com uma batida seca de violão. Quando Fernanda Takai surge, o clima fi ca dançante. Ontem e hoje em uma mesma canção.

13 Thiago Pethit“Romeo”

Essa atraente balada arma seu jogo de sedução com versos escritos em inglês e português por Pethit e Hélio Flanders. A música é valorizada ainda pelo “road clipe” que mostra um

caso de amor bandido.

14 Pitty“Setevidas”

São pouco mais de quatro minutos de guitarras diretas, sem muita invenção e com a banda em ótima forma. A voz de Pitty, desprendida dos gritos que lhe eram comuns

anos atrás, surge mais vigorosa do que nunca.

15 Silva“Vista pro Mar”

Uma esperançosa canção sobre seguir em frente. “Só vai se afogar quem não reagir, mesmo que sozinho”, ele canta. É um verdadeiro incentivo para olhar o horizonte e começar

uma nova caminhada molhando os pés na água.

16 Far from Alaska“Dino Vs. Dino”

A mistura de hard rock e blues funciona tão bem ao vivo quanto na gravação. Os vocais hipnotizantes descambam para berros no refrão – uma lembrança dos gritos de Kurt Cobain.

17 Racionais MC’s“A Praça”

A voz grave de Edi Rock é o veículo para a versão do grupo sobre a noite do show na Virada Cultural 2007, que foi interrompido pela ação da Polícia Militar em um controverso episódio.

18 Anelis Assumpção“Eu Gosto Assim”

Uma das canções mais “chamegosas” de Anelis, com contagiante tempero latino, solo de Edy Trombone e letra esperta da compositora, que chega avisando: “Pra me sacar

não tem segredo”.

19 Mombojó“Summer Long”

Laetitia Sadier, fundadora do Stereolab, canta e toca uma guitarra cheia de fuzz nesta faixa que trata de memórias de infância e, assim como o disco Alexandre, investe em belas experimentações.

20 Elo da Corrente“Memórias”

Fãs da obra de Arthur Verocai, os integrantes do Elo da Corrente convidaram o maestro para reger “Memórias”, que traz ainda um inspirado Danilo Caymmi rimando com o trio paulistano.

21 Lucas Santtana“Funk dos Bromânticos”

Santtana abraça com autenticidade um vasto espectro de gêneros, tratando o “amor livre” com a leveza necessária. O baiano não deixa de soar contemporâneo.

22 Maglore“Mantra”

Com pop de apelo radiofônico e raízes roqueiras, a canção é um hino místico que faz jus ao título: tal como um mantra, o refrão cantarolado embala e entorpece os versos poéticos de cunho existencialista.

23 Charme Chulo“Meu Peito É um Caminhão Desgovernado”

Uma faixa longa e teatral que junta toada caipira e tons épicos dos filmes de western spaghetti, tudo pontuado por uma letra galhofeira.

24 Saulo Duarte e a Unidade“Flores pelo Ar”

Guitarrista de talento, cantor eficaz e compositor criativo, Duarte acerta em “Flores pelo Ar”, na qual evoca suas raízes musicais e faz, com extrema eficiência, música para dançar.

25 Ogi“Trindade Pt 2”

Essa crônica de uma noite regada a álcool e drogas e com final trágico intensifica a espera pelo novo disco de Rodrigo Ogi, previsto para 2015. Vale assistir ao clipe em animação criado para a música.