Dentro da Nave-Mãe

George Clinton fala sobre as gravações com Kendrick Lamar e os 50 anos de funk

Bryan Hiatt Publicado em 13/01/2015, às 16h08 - Atualizado em 06/02/2015, às 15h43

Experiência Lisergica

O LSD mudou a cabeça de George Clinton.

Entre o Parliaments, o Funkadelic e seus derivados, George Clinton trabalhou em pelo menos 37 álbuns na década de 1970. “Tínhamos três estúdios funcionando ao mesmo tempo”, conta Clinton, aos 73 anos, oferecendo uma avaliação sincera e divertida sobre seus anos de glória na biografia Brothas Be, Yo Like George, Ain’t That Funkin’ Kinda Hard on You? “Vivíamos, respirávamos e comíamos música. Era um movimento, como a Motown, mas em uma banda só.” Clinton acaba de concluir um álbum novo e também colaborou com Kendrick Lamar em faixas que possivelmente estarão no próximo álbum do rapper. “Ele é um garoto esperto”, diz.

A sua carreira passou do doo-wop, com seu grupo original, The Parliaments, ao hip-hop e além. Como explica essa longevidade?

Sempre que ouço gente – como por exemplo músicos mais velhos – falando que algo novo “não é música”, corro para ver o que é.

Quando ouviu a palavra “funk” pela primeira vez?

Pode ter sido com Lightnin’ Hopkins, Muddy Waters, James Brown ou até Louis Jordan – músicos de jazz também usavam [o termo]. Mas nós adicionamos a ideia de que viveríamos o funk.

Você fumou crack até uns cinco anos atrás, mas nunca deixou de ser produtivo.

Foi isso que me encrencou! Como eu era produtivo e capaz de fazer música, não tinha problema nenhum. E isso estava bem longe da verdade, porque o conceito de se drogar é se foder todo. E quando você se fode faz coisas que ferram com a sua vida! Estou tentando recuperar meus direitos autorais [de ex-empresários] e isso fez com que eu me endireitasse, porque não conseguia me concentrar nos processos e em todo o resto ao mesmo tempo.

Como o LSD afetou a sua criatividade?

Mudou a minha cabeça em relação a várias coisas pelo lado positivo, me ajudou a sair da mentalidade de agarrar, arranhar e brigar por causa de tudo, ter inveja de tudo. Nos ajudou a experimentar coisas novas que jamais teríamos experimentado. Mas essa parte chegou ao fim em 1970. Para mim, Woodstock acabou, e era necessário recomeçar. Em Chocolate City (1975), e depois em Mothership Connection (1975), nosso panorama era completamente diferente.