Fiel Espectador

Por mais de quatro décadas, o fotógrafo, jornalista e radialista Maurício Valladares tem testemunhado e registrado os grandes eventos do Rock e do Pop

Paulo Cavalcanti Publicado em 14/01/2015, às 11h40 - Atualizado às 12h48

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Maurício Valladares não apenas clicou astros globais do pop e do rock: ele também ajudou a criar a identidade visual de gigantes da música nacional. Nascido em 1953, no Rio de Janeiro, o sempre jovial e antenado fotógrafo lembra que as guitarras estavam no auge da popularidade enquanto ele saía da adolescência, no final dos anos 1960. “Era o que tocava nas rádios, nas festas, o som que você ouvia nas ruas. Era preciso conhecer Beatles, Rolling Stones e todos os grandes”, ele conta, relembrando ainda a sonoridade do país natal. “Eu cresci sob a influência do rádio. Na década de 1970, tocava muita MPB de qualidade também, e eu queria saber de onde vinha tudo aquilo.”

Junto aos sons que começavam a fazer a cabeça dele, Valladares – conhecido carinhosamente pelos fãs e amigos como Mau-Val – ficou igualmente fascinado pelo registro visual dos artistas de quem ele gostava. Imagens clássicas como as de grandes festivais de rock e de ícones do estilo ajudaram a fomentar a paixão do jovem pelo fotojornalismo (“A urgência e o imediatismo do fotojornalismo sempre me interessaram mais do que qualquer outro tipo de estética”, crava).

Incentivado pelos pais, Valladares saiu à luta e começou a clicar. Quando tinha por volta de 20 anos, partiu para conhecer o mundo. A primeira parada foi a Inglaterra, em 1973. “Naquele tempo, Londres era o local perfeito para quem gostava de rock”, conta. O rapaz não perdia um show e foi um dos raros brasileiros que conseguiram ver de perto as principais bandas da época no auge e no vigor da juventude.

Depois de sair de terras britânicas, Mau-Val voltou a Londres em 1975, onde permaneceu até o início da década de 1980. A fotografia, que a princípio era um hobby, tornou-se profissão. As fotos de Valladares passaram a ser vistas nos principais jornais e revistas do Brasil – as primeiras imagens publicadas foram do Led Zeppelin, n’O Globo, em 1975 – e também em prestigiosas publicações inglesas, como o semanário New Musical Express.

Naqueles anos, Valladares contribuía com veículos brasileiros diretamente da Europa. Quando enfim retornou ao país, em 1981, encontrou um panorama cultural bastante mudado. Ele se associou à fértil cena do rock nacional que iria explodir a partir daquela década e ficou particularmente próximo d’Os Paralamas do Sucesso, ajudando no começo da divulgação do trabalho do trio. Com o tempo, virou o fotógrafo oficial deles. A longa associação com Herbert Vianna e cia. rendeu o aclamado livro fotográfico Os Paralamas do Sucesso, publicado em 2006. Para 2015, valladares está cheio de planos. “Eu nunca fiz uma exposição ou lancei outros livros com minha obra porque nunca tive ofertas compatíveis”, afirma, emendando que agora, com a ajuda do curador Raul Mourão, o panorama deve mudar. “Neste ano, faremos uma mostra na galeria Lurixs, no Rio de Janeiro, e vou lançar mais um livro. Esse não ficará apenas no lado da música, vai passar por todos os meus interesses, como futebol, Carnaval, viagens e as pessoas que eu conheci na rua.”

Enquanto isso não acontece, vale ouvi-lo no programa de web rádio Ronca Ronca. O site www.roncaronca.com.br também está sempre atualizado com novidades sobre o fotógrafo e radialista.

Na página na internet, a seção “Positivos e Negativos” exemplifica o porquê do sucesso de Valladares: os registros dele chamam atenção pelo inusitado e pelo grau de cumplicidade que o fluminense costuma conseguir junto aos retratados. “Como fotógrafo, sempre segui o caminho da verdade, sem forjar situações”, ele analisa. “Meu trabalho é tentar mostrar o momento decisivo exatamente quando ele acontece.” Sorte, bons contatos e estar no lugar certo na hora certa são fatores cruciais para um portfólio como o de Valladares; um pouquinho de insistência e cara de pau também ajudam. Mas a última coisa que ele procura é ser intrusivo. “Se o cara diz ‘não’ e vira as costas, só me resta falar: ‘Valeu, um abraço’.”