Contra as problabilidades

Como uma das maiores bandas dos anos 2000 se transformou em sobrevivente improvável nas paradas

Andy Greene | Tradução: Ana Ban Publicado em 12/02/2015, às 15h00 - Atualizado às 15h33

NOVA ERA
Wentz, Andy Hurley, Stump e Joe Trohman: de volta aos eixos.
Pamela Littky

Ultimamente, as coisas têm acontecido rápido para o Fall Out Boy. A banda está no meio de uma sequência intensa de shows, com datas marcadas até outubro, passando por Austrália, Japão, Estados Unidos e Europa. O single “Centuries” tocou mais de 30 milhões de vezes no Spotify. “Immortals”, música deles que faz parte da trilha sonora da animação Operação Big Hero, chegou ao Top 10 da parada de rock norte-americana. E eles acabaram de lançar o sexto álbum da carreira, American Beauty/American Psycho. Isso significa que, junto ao Maroon 5 e ao Imagine Dragons, o Fall Out Boy é um dos poucos grupos de rock no mundo capazes de competir com nomes como Taylor Swift e Meghan Trainor no Top 40.

Ninguém poderia ter previsto esse tipo de volta triunfal, muito menos os próprios integrantes. O quarteto reinou no coração do público emo em meados dos anos 2000, mas, quando retornou aos palcos em 2012, depois de um hiato de três anos, o punk rock com jeito pop não era mais parte do mainstream, e a dance music estava em alta. “Achamos que era o fim das rádios para nós”, diz o vocalista Patrick Stump, de 30 anos. “Pensamos que iríamos gravar, fazer alguns shows, só isso. Esta é uma era de música para dançar, então escutar nossas faixas no rádio é meio que uma surpresa.”

Pete Wentz, de 35 anos, baixista e letrista do grupo, se delicia com o fato de o Fall Out Boy ainda ser capaz de produzir singles de sucesso. “Nós sobreviveríamos sem as rádios”, afirma. “O Batman é capaz de ir lá e lutar sem a capa. Mas, quando ele aparece, as pessoas querem ver que ele está usando a porra da capa. Meu objetivo sempre foi: ‘Quero ser o maior’. O de Patrick sempre foi: ‘Quero ser o melhor’. A certa altura, percebemos que eram duas versões diferentes da mesma coisa.”

O Fall Out Boy ficou em maus lençóis depois que o disco Folie à Deux (2008) não conseguiu emplacar nenhum sucesso. Os paparazzi não largavam do pé de Wentz, recém-casado com Ashlee Simpson, e os integrantes estavam brigando entre si. “Eu literalmente passei os meus 20 e poucos anos sendo a pessoa mais egoísta que conheço”, Wentz admite. “Não tinha a capacidade de ter empatia em relação ao que as outras pessoas pensavam sobre as coisas.” Depois do último show da turnê de 2009, a banda se separou e os integrantes passaram anos praticamente sem se falar.

O ponto mais baixo foi, possivelmente, em 2012, quando Stump, que tinha dado início à carreira solo com o disco Soul Punk (2011), postou uma carta chocante em seu blog, confessando que não tinha dinheiro suficiente para dar continuidade a uma turnê e que os fãs caçoavam dele, dizendo: “A gente gostava mais de você quando era gordo”. “As pessoas

pensaram, de verdade, que fosse uma carta de suicídio”, ele relembra. Apesar do arrependimento (“Cada parte de mim deseja que eu não tivesse escrito aquela coisa”, o cantor

diz hoje), a nota inspirou Wentz a entrar em contato com Stump. A dupla reatou a amizade e, logo, a banda se reuniu.

A intenção do Fall Out Boy não era praticar um exercício de nostalgia. “Nós perguntamos a nós mesmos: ‘O que iríamos querer se o Smiths ou alguém assim voltasse?’”, Wentz conta. “Nós iríamos querer um álbum novo, uma música nova, uma turnê imediata e que não ficasse apenas passando por feiras rurais.” Eles voltaram para o estúdio e descobriram que ainda tinham dentro de si músicas que colam no ouvido.

Apesar do sucesso revivido, a banda é, atualmente, como uma anomalia no universo pop. “Nós não somos a última banda de rock”, Stump declara. “Mas somos a última banda

de rock que não acha que pop é palavrão.”

Stump, que acaba de se tornar pai, faz parte do Fall Out Boy desde os 17 anos. O vocalista sabe muito bem o que a fatia do público contrária ao sucesso do grupo pensa sobre a música deles – e não se incomoda. “Nós fomos rotulados com vários títulos depreciativos. ‘Ah, eles são uma porra de uma banda de punk pop’ ou ‘Eles são uma porra de uma banda emo – os caras são um saco’ ou ‘Eles são uma porra de uma banda de rock de estádio – os caras são um saco’”, afirma. “Ninguém consegue chegar à conclusão de por que nós somos um saco – para mim, isso significa que estamos fazendo a coisa certa.”