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Requinte Juvenil

DÔNICA, banda do caçula de Caetano Veloso, quer profundidade sonora

Lucas Brêda Publicado em 17/04/2015, às 19h20 - Atualizado em 01/09/2015, às 19h49

Fora da Asa
(A partir da esq.) Deco Almeida, Lucas Nunes, Tom Veloso, Miguima e José Ibarra
Léo Ramos/Divulgação

“Gostamos muito de cinema, lemos bastante, mas não nos preocupamos se somos intelectuais ou não”, conta Miguima, baixista do Dônica, grupo carioca que prepara para maio o disco de estreia, um trabalho embebido em rock progressivo, MPB e Clube da Esquina. Apesar das referências sofisticadas e da seriedade sonora, com melodias intricadas e letras nada prosaicas, o integrante mais velho não passa de 20 anos.

Os versos das quatro faixas do EP Dônica (2014) vêm da parceria entre o vocalista José Ibarra e alguém de sobrenome bem conhecido: Tom Veloso (ambos de 18 anos), caçula de Caetano, que assina como compositor. “Já cheguei compondo, e eles tocando minhas músicas”, admite Tom. “Nem me considerava da banda, mas passei a

chegar junto e fazer o que eles fazem – menos tocar [risos].”

Mesmo sendo membro ofi cial do Dônica, Veloso não assume nenhum instrumento e, apesar da descontração ao falar do assunto, demonstra timidez quando comenta a possibilidade de subir ao palco com o grupo. “Vontade...

rola sim”, confessa, acanhado.

Tom Veloso está com o Dônica no estúdio Maravilha 8, no Rio de Janeiro, onde eles gravam os últimos vocais e os trechos de teclado para o álbum de estreia, que terá produção do renomado Berna Ceppas e de Daniel Carvalho. “O EP foi nossa primeira experiência em estúdio. Agora sabemos um pouco mais aonde queremos chegar”, diz o guitarrista Lucas Nunes, comparando este trabalho (“a parada mais importante” da banda) ao anterior.

Essa “parada” fica ainda mais importante com uma das participações: Milton Nascimento, que canta em “Pintor”. “Ficamos sentados do lado dele durante a gravação”, lembra Miguima. “Foi bem intenso.”

Se a presença de Nascimento no registro só foi possível pela relação de Tom com o amigo do pai, os cariocas ressaltam o “lado ruim” da filiação. “Rola uma maldade das pessoas ao não encarar as coisas como se eu não fosse filho do Caetano”, diz Tom. Miguima é mais incisivo: “Tem gente que não deve nem escutar nossa música: [pensam] ‘Estão ali só porque é filho do Caetano’”.