Pulse

Ringo levado a sério

Depois de cinco décadas, o coadjuvante alegre da maior banda de todos os tempos está finalmente tendo seu momento de destaque

Stephen Rodrick | Tradução: Ana Ban Publicado em 14/04/2015, às 15h52 - Atualizado em 07/07/2017, às 15h37

Ringo levado a sério

Ver Galeria
(5 imagens)

Existem algumas coisas em que Ringo Starr acredita piamente. “Se você está em uma ilha deserta e há cocos nela, consegue sobreviver.” Ele não consegue responder a determinadas perguntas. “Taxman” foi gravada em quatro ou oito canais? “Pergunte a quem sabe. Só sei que estou nela.” E há momentos em que Ringo pode se mostrar bastante mordaz. “Jantei com ele recentemente em Los Angeles, com Dave Grohl e nossas esposas”, conta Paul McCartney. “Sei que Ringo está sóbrio há anos, então brinquei: ‘Qual é, Ringo, toma um uísque’. Ele me olhou por um segundo e disse: ‘Por que, para acabar parecido com você?’ Mereci.”

O nome verdadeiro dele é Richard Starkey. A esposa, Barbara Bach (os dois estão juntos há 34 anos), o chama de Ritchie. Ele tem 74 anos. É um dos maiores bateristas do rock e, mesmo que não tenha os dons de composição dos outros Beatles, é um dos mais importantes artistas da história da civilização ocidental.

Pense nisso: se você tem entre 20 e 80 anos e alguém menciona Ringo, o que você faz? Se não é Hitler, começa a sorrir. E se você é pai, agradece a Ringo pelos três minutos de serenidade que “Yellow Submarine” traz a cada moleque chorão de 4 anos. Ele consegue trabalhar alto – batucando ao fundo para John, Paul e George. Consegue trabalhar baixinho – em uma noite de quarta-feira para uma plateia idosa em Fort Pierce, Flórida, tocando “Rosanna”, do Toto.

Ringo levará seu show à cidade de Cleveland em 18 de abril para um tipo diferente de evento, quando será induzido ao Hall da Fama do Rock and Roll como artista solo. McCartney fará o discurso. Haverá os elogios de sempre, mas provavelmente pouca conversa sobre Ringo como um artista torturado, caso de tantos outros homenageados. Esse não é Ringo, mesmo que ele tenha sobrevivido ao alcoolismo, crescido sem pai nem vaso sanitário e passado dois anos com tuberculose em um sanatório. “Sempre achei que tive uma ótima infância”, ele diz com uma risada, quando relembra o fato de que a mãe pegava dois ônibus e uma balsa pelo rio Mersey, no norte da Inglaterra, para visitá-lo uma vez por semana. “Então, um terapeuta me disse: ‘Bom, na verdade, soa como se você tivesse sido abandonado e morado em uma favela’.” O riso como o melhor remédio faz sentido para ele.

Ringo é magro como o Gollum de O Senhor dos Anéis e parece mais jovem que o filho dele, Zak, que toca bateria no The Who – provavelmente porque a dieta de Zak não consiste apenas de verduras, sucos e batata assada. “Toda vez que vejo Ringo, ele tem cheiro de couve”, brinca Joe Walsh, guitarrista do Eagles e cunhado do ex-beatle.

“Não quero soar piegas, mas todos tivemos uma vida difícil”, diz McCartney. “Todos nós, exceto George, perdemos alguém. Perdi minha mãe aos 14 anos, John perdeu a dele, mas com Ringo foi pior. O pai dele sumiu; ele era tão doente que falaram para a mãe dele que não viveria. Imagine criar sua vida a partir disso, naquele ambiente. Sem família, sem escola. Ele teve de se reinventar. Todos tivemos de formar um escudo, mas Ringo formou o mais forte.”

Parte desse escudo era fazer papel de bobo; outra parte foi a bebida. Isso levou a uma década perdida de festas em Los Angeles, Londres, Monte Carlo. Ele está sóbrio há 26 anos, mas existe uma coisa essencial que o mantém são e jovem: as baquetas e a bateria.

“Toco com qualquer outro músico a noite inteira, mas não consigo fazer isso sozinho”, Ringo me diz enquanto nos dirigimos para o que ele estima ser algo entre o 800º e o 900º show da All Starr Band, em Fort Pierce. “Não vejo alegria em sentar ali sozinho.” Todd Rundgren, amigo e colega de banda, acrescenta: “Ele sempre toca com um segundo baterista. Acho que foi reconfortante nas primeiras turnês solo, mas agora é um hábito”.

Ringo é filho único. Perdeu os dois irmãos postiços – Lennon e Harrison – e seu melhor amigo, o cantor e compositor Harry Nilsson, muito precocemente. Viu a carreira solo ascender incrivelmente – sete participações no Top 10 entre 1971 e 1975 – e depois cair no esquecimento. Agora, atingiu um ritmo confortável em seus anos dourados com uma banda que incluiu de Billy Preston a Levon Helm. E Ringo ainda está aqui, com uma expressão jovial no rosto por ter durado mais que alguns dos melhores amigos dele.

Espontaneamente, três integrantes da atual formação da All Starr Band me dizem a mesma frase com espanto feliz: “Ringo Starr é a porra de um beatle”. Sendo assim, as coisas são feitas de um jeito um pouco diferente. Na ocasião do nosso primeiro encontro, recebo um chamado para conversar rapidamente com Ringo no aeroporto da cidade de Van Nuys, Califórnia, antes de a banda partir para uma turnê que a levaria a Birmingham, Alabama, República Dominicana, Sarasota, Flórida e, recentemente, ao Brasil. Estou esperando no lobby quando recebo uma mensagem de texto urgente do empresário da turnê: “Só um lembrete, Ringo não dá apertos de mão. Cumprimenta com o cotovelo”. É uma questão com germes.

Ringo chega: é pequeno como um jóquei, talvez com 1,65 m e 54 kg. Batemos cotovelos. Brinco que esta deve ser sua milionésima entrevista. Ele sorri. “Talvez a bilionésima. Passei da marca dos milhões nos anos 1960.”

Ele me olha um pouco sem entender (a equipe de Ringo pode não querer sobrecarregá-lo com detalhes; eles insistem que o músico ficaria feliz em bater um papo rápido e pular toda a “chatice” que o processo de uma reportagem de capa envolve). “Diga, por que você está aqui? Você veio para falar comigo por 15 minutos?” Balança a cabeça, para por um momento e faz uma piada: “‘Quinze Minutos no Aeroporto’ – parece o título de um romance”.

Ringo afunda na cadeira e se reanima quando começa a falar sobre a banda. Aponta para um jatinho Gulfstream GIV. “A esta altura, só fazemos isso com luxo – avião particular e os melhores hotéis.” A All Starr Band existe há um quarto de século e, normalmente, Ringo muda a formação a cada ano. Esta formação está junta há três anos. Há uma exigência obrigatória: é preciso ter feito parte de uma banda com ao menos três singles de sucesso. Assim, o baterista consegue aumentar a ilusão de que é apenas mais um e só precisa ser o líder durante um terço do show.

“Toda vez que digo ‘Esta é a última turnê deles’, acaba acrescentando mais shows”, conta Ringo. Alguém entra e diz que o avião está abastecido e pronto para decolar. Ele me agradece por não ter começado com perguntas sobre os Beatles e vai para a sala onde a banda o aguarda.

Ringo não poupa detalhes sobre sua recuperação do vício em álcool. Ele e Barbara entraram juntos na reabilitação em 1988. Pergunto o que finalmente o fez querer ficar sóbrio. “A coisa fica muito solitária, sabe?”, explica. “É muito frio e solitário. É uma doença miserável, no final. Há uma multidão ao seu redor e você está solitário. Porque tudo o que está fazendo é se detonar, entende?” Nos anos 1970, Ringo se encontrava em um lugar estranho e isolado na cultura pop. Com a separação dos Beatles, as expectativas sobre o baterista eram minúsculas, mas ele conseguiu vários hits, frequentemente colaborando com Lennon e Harrison. Havia no trabalho dele um senso de humor dissimulado que não existia na produção solo dos ex-companheiros de banda e uma audácia em músicas como “No No Song”, um hit antidrogas gravado ironicamente enquanto ele ia a todas as baladas possíveis.

Fazer Ringo falar sobre o Fab Four é complicado. Ele diz que nunca escreverá uma autobiografia, porque todos só querem ler sobre fofocas da época dos Beatles e não pretende alimentar isso. Mesmo assim, os fãs não vão ao show da All Starr Band para ouvir covers de bandas como Toto: eles vão para escutar “Yellow Submarine” e “With a Little Help from My Friends”. Ringo sabe disso e não tem medo de minar a nostalgia a seu próprio modo. O novo álbum dele é chamado Postcards from Paradise, uma referência aos cartões-postais que recebia dos outros Beatles quando estavam de férias. A faixa-título é essencialmente uma lista de nomes de músicas dos Beatles que Ringo escreveu em um envelope e deu a Todd Rundgren, junto com uma faixa demo, para formar uma música.

Mas até Walsh, o cunhado astro do rock de Ringo, é cauteloso ao mencionar a antiga banda. “Faço algumas perguntas técnicas – como ‘Que guitarra George usou nessa faixa?’”, conta. “Mas é melhor quando você relaxa e deixa que ele próprio traga o assunto. Valorizo esses momentos.”

Seguindo o conselho de Walsh, quanto menos pergunto sobre os Beatles, mais Ringo fala sobre eles. O baterista se orgulha de nunca ter perdido uma deixa no estúdio, sentado na bateria com uma xícara de chá esperando os outros dizerem o que tocariam em seguida, mas, às vezes, se percebia isolado. Durante as sessões de The Beatles (1968), o chamado Álbum Branco, ele não se sentiu bem.

“Fui falar com o John”, conta. “Bati na porta e disse: ‘Olha, acho que não estou tocando muito bem e sinto que vocês três estão muito próximos’. Ele disse: ‘Achei que eram vocês três’. Fui até o Paul e falei a mesma coisa: ‘Acho que não estou tocando muito bem e sinto que vocês três estão muito próximos’. Ele respondeu: ‘Achei que eram vocês três!’ Pensei: ‘Que se dane, estou fora. É maluquice demais’.”

Ringo ficou uns dez dias distante, passeando em Sardenha com os filhos e relaxando no barco de Peter Sellers. Certo dia, pediu peixe com batata frita, mas a tripulação trouxe lula. Então, Ringo começou a perguntar ao capitão sobre polvos e ouviu que eles gostavam de ficar no chão do oceano e construir um jardim com objetos brilhantes (referência que serviu para a canção “Octopus’s Garden”, “Jardim do Polvo”,em português).

Quando Ringo voltou, Harrison tinha coberto a bateria com flores. A banda acabou dois anos depois, em 1970. Com as mortes de John e George, Paul e Ringo seguiram em frente. Eles têm uma relação que, às vezes, é difícil.

“É como família”, afirma McCartney. “Às vezes ficamos loucos um com o outro. Quero algo dele e ele não me dá, então fico bravo, mas passa. Irmãos brigam. Há esta história revisionista de que era tudo em torno de John e Paul, mas eram quatro cantos de um quadrado; não teria funcionado sem um dos lados.”

“Paul disse que fará o discurso do Hall da Fama”, diz Ringo. Em seguida, ele fala com uma sagacidade britânica seca: “Acho que só estou fazendo isso para Paul sair à noite. Ele gosta de se manter ocupado”. Ringo para de falar, antes de ficar sério. “Só que o outro lado dessa moeda é que não teríamos feito tantos discos se não fosse por Paul. John e eu morávamos muito perto um do outro e podíamos ficar preguiçosos. Paul ligava: ‘Oi, rapazes, é hora de voltar ao estúdio’. Então, precisamos agradecê-lo por haver 12 discos.”

Falta uma hora para o show em Fort Pierce, e ele está com a banda na área do bufê do teatro. Isso não teria acontecido no início da All Starr Band. Para evitar a tentação, Ringo e Barbara entravam em um carro imediatamente depois do show, voltavam ao hotel e passavam o tempo vendo TV e tomando sorvete. Metade da banda estava em recuperação e procurava reuniões dos Alcoólicos Anônimos. Faziam uma nos bastidores se não conseguissem encontrar, enquanto os outros membros mantinham seus rituais pré-show mais tradicionais. Agora, ele está perto da mesa de jantar, tirando sarro de seu estilo de tocar na era Beatles.

“Sabe aquilo que faço em ‘The End’, do Abbey Road?”, pergunta. Ele começa a batucar na mesa. Ringo sorri. “Não tenho ideia de como fazer isso. Nunca mais conseguiria fazer.” Parece triunfante. “Não consigo!”

McCartney diz que isso não importa. Ele lembra que o primeiro show dos Beatles com Ringo, em 1962, no Cavern Club, em Liverpool, foi quando eles se tornaram uma banda de verdade.

“Nos primeiros minutos em que Ringo tocou, olhei para George à esquerda e para John à direita e não falamos nada, mas me lembro de pensar: ‘Caramba, isto é incrível’”, ele conta. McCartney faz uma pausa para pensar e dá um exemplo nada político. “Olha, amo o Led Zeppelin, mas você os vê tocar e observa que olhavam para John Bonham tipo: ‘Que diabos você está fazendo? Esta é a batida’. Você podia olhar para Ringo e nunca ter de se preocupar. Ele transmitia segurança e você sabia que acertaria em cheio.”

Ouso perguntar o quão de saco cheio ele se sente em ter de responder a perguntas sobre oito anos de sua vida que já se passaram há meio século. Ele suspira com uma bufada de resignação, mas sabe que não há como escapar. “Tive uma vida antes de entrar para a banda e com certeza tive uma vida depois daquilo, mas... é como você, não dá para evitar me perguntar sobre os Beatles. Você precisa fazer isso. Eu entendo.”

Provavelmente é a melhor atitude para se ter. Há alguns anos, Ringo e Barbara estavam de férias em uma cidadezinha na Índia. Saíram para andar e, de repente, crianças indianas com álbuns dos Beatles nas mãos os cercaram. Não há como escapar daqueles anos, não importa aonde Ringo vá.

Um assistente traz o jantar. É uma montanha de brócolis e meia batata assada. Ringo sorri e pede que esvaziem a sala. “Ok, podem ir.” Ringo janta sozinho.

Algumas horas depois, o último acorde ainda soa no palco, mas Ringo já foi embora. Antigamente, esta era a hora em que conhaque ou outra bebida começava a passar pelas mãos do baterista. Agora, ele tagarela enquanto a adrenalina do show ainda corre pelas veias, segundo o próprio explica. Ele fala sobre o domingo, quando fica livre da dieta e come uma tigela de mingau de aveia, um croissant e toma uma xícara de café. “A mente sempre espera pelo domingo”, diz. “Daqui a três dias! Estou ficando conhecido como o Garoto Brócolis.”

Não é só pela vaidade. Além da tuberculose, ele já lidou com peritonite e três episódios de pleurisia, mas Ringo sorri mesmo quando está doente. Enquanto era tratado da tuberculose, uma enfermeira levava vários instrumentos musicais em um carrinho. “Eles me deram a bateria, e eu só entrava na banda quando conseguia a bateria”, conta Ringo. “Não tocava triângulo nem tamborim. Gritava: ‘Me dá a bateria!’ Soube imediatamente: ‘Quero tocar bateria. Não quero tocar piano, não quero tocar guitarra’.”

Ringo, então, começa a pensar em George Harrison, o beatle que mais viu depois de 1970. Ele tocou em várias faixas no clássico All Things Must Pass, de Harrison, mas nenhum dos dois se lembrava disso. “George ligou quando estava remasterizando e me perguntou se eu me lembrava em quais músicas toquei”, conta Ringo. “Falei que não tinha ideia. Ele me ligou de volta depois de fazer uma pesquisa e falou: ‘Você tocou na maioria das faixas, filho da mãe!’ Respondi: ‘Bom, você

também não lembrava’.”

O carro está escuro e, embora Ringo esteja sentado perto de mim, não consigo vê-lo. Quando Harrison estava à beira da morte, em 2001, Ringo foi visitá-lo em um hospital na Suíça. Pediu desculpas por não poder ficar muito tempo, porque tinha de ir aos Estados Unidos, onde a filha Lee estava sofrendo uma cirurgia para retirar um tumor do cérebro (ela se recuperou). Perto de mim, ouço um choro.

“Estou chorando agora”, ele confirma. Aquilo foi uma das coisas mais lindas. Ele não conseguia se mexer, estava tomado pelo câncer, deitado. Falei: ‘Olha, preciso sair. Tenho de ir a Boston ficar com a Lee’. E ele disse: ‘Quer que eu vá com você?’”

Ringo teria feito o mesmo. Abriu caminho entre a multidão diante do edifício Dakota para visitar Yoko Ono no dia seguinte ao assassinato do amigo John, um assunto que, 34 anos depois, ainda acha extremamente difícil de abordar. Pergunto se ele pensa muito em John Lennon e George Harrison: “Não todo dia, principalmente quando alguém os menciona, mas eles sempre estão aqui comigo”.

A morte de Lennon acabou com todas as especulações sobre uma reunião dos Beatles. Em 1973, eles chegaram a ouvir uma proposta para fazer um show único para

milhões de pessoas. Ringo acha que, se as coisas tivessem sido diferentes, a banda poderia ter tocado de novo. Um dos motivos, segundo ele, para os Beatles terem parado de fazer turnês era que não conseguiam se escutar em meio aos gritos das fãs.

A tecnologia moderna teria mudado isso. “Acho que teria sido possível”, afirma. “Com o que existe agora, acho que teríamos conseguido. O problema foi termos ficado sentados dizendo ‘Ok, vamos fazer’, e nunca fazer nada. Sabe, tocávamos em duplas, conversávamos sobre isso, mas acho que se tivéssemos relaxado por tempo suficiente ainda teríamos as músicas e poderíamos tocar. Poderíamos ter montado aquilo e feito ‘A Day in the Life’.” Ringo suspira. “Claro, isso acabou. John e George se foram.”

Na manhã seguinte, o baterista está em sua suíte na cobertura de um hotel, todo vestido de preto. A TV está ligada no canal CNBC, sem som. Era para conversarmos na sacada, mas está ventando. “Você vai ficar bem, mas eu posso sair voando”, ele brinca.

Batemos cotovelos pela última vez e ele se despede calorosamente, mas não é o último instante em que o vejo. Naquela tarde, caminho pela praia e avisto uma dúzia de turistas pasmos falando ao celular. Chego mais perto e vejo um homem baixinho. É Ringo em uma sessão de fotos. Ele corre para um lado e, depois, para outro, molhando os sapatos.

Nesse momento, não é difícil acreditar que Richard Starkey viverá para sempre.

Sempre em Frente

Em novo disco, o baterista continua a sorrir

Postcards from Paradise (Universal, ??? ), 18º disco solo de Ringo Starr, é um resumo magistral da alegria, do humor e da sabedoria do baterista. Ele tem a ajuda de velhos amigos, como Joe Walsh e Todd Rundgren, e constrói a faixa-título com citações aos Beatles: “It’s like I said the night before/I’ll love you when I’m 64”. A melhor de todas é “Rory and the Hurricanes”, celebrando sua banda pré-Beatles – a que fez de Ringo um astro em Liverpool quando os outros três futuros integrantes do Fab Four não eram ninguém.

Conhecendo Ringo

Uma seleção de canções das quase cinco décadas de carreira solo do músico

“SENTIMENTAL JOURNEY” (1970)

Após o fim dos Beatles, Ringo se afastou do rock por um breve período e gravou standards como esse, que se tornou a faixa-título do primeiro álbum solo dele. Pode não ser exatamente a melhor combinação para seus modestos dons vocais, mas, mesmo assim, é uma canção encantadora.

“WRACK MY BRAIN” (1981)

Essa faixa divertida e acelerada foi dada a Ringo pelo amigo George Harrison, pouco tempo após a morte de John Lennon. Tendo chegado ao número 38 da parada norte-americana, foi o último single lançado em carreira solo pelo baterista a entrar nas listas de mais vendidos.

“WEIGHT OF THE WORLD” (1992)

O principal single do disco Time Takes Time (1992) foi o melhor trabalho de Ringo desde a década de 1970. O produtor Don Was fez um arranjo reluzente de violões de 12 cordas para dar à canção um clima à la Traveling Wilburys, supergrupo integrado por George Harrison.

“WALK WITH YOU”, COM PAUL MCCARTNEY (2009)

O plano inicial de Starr era escrever uma música sobre Deus, mas o parceiro compositor Van Dyke Parks levou a faixa para uma direção mais secular. O novo tema passou a ser amizade – cenário ideal para uma colaboração entre os dois últimos sobreviventes dos Beatles.

“I WISH I WAS A POWERPUFF GIRL” (2014)

Ringo era exatamente o que o trio da animação As Meninas Superpoderosas precisava quando voltou à TV para um especial. Em uma canção tão adorável quanto o desenho, ele canta: “Eu iria salvar o mundo e depois abraçar um ou dois cachorrinhos”.

Keith Harris e Chuck Eddy