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Os 40 Maiores Álbuns Punk de Todos os Tempos

Rolling Stone EUA Publicado em 31/07/2016, às 11h29 - Atualizado às 11h29

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A concepção do gênero mais simples, livre e contestador do rock, marcada pelo lançamento do primeiro disco dos Ramones e pelo fervilhar da cena de bandas britânicas, completa 4 décadas. É uma hora propícia para cravar quais são as principais obras no legado desses arruaceiros que revolucionaram a música

1 - RAMONES1976

QUANDO OS RAMONES gravaram o álbum de estreia, a pauta era simples: “Eliminar o desnecessário e focar na substância”, como Tommy Ramone explicou em 1999. Só que o brilhantismo do disco mais influente e duradouro do punk ainda é difícil de definir – como quatro excluídos do mainstream adolescente norte-americano transformaram fúria em canções tão firmes e originais? O desengonçado vocalista, Joey Ramone, era um garoto que gostava de pop entoando “Hey ho, let’s go!” no início de “Blitzkrieg Bop”. O guitarrista, Johnny Ramone, reduziu o estilo de Dick Dale e Bo Diddley a um ataque coeso e despido de blues em “Beat on the Brat” e “Loudmouth”. O baixista e letrista, Dee Dee Ramone, escreveu sobre o que conhecia (drogas, desespero, prostituição) com sagacidade. E o baterista, Tommy, coproduziu Ramones, protegendo a brevidade e a pureza do álbum. “Achávamos que poderíamos ser a maior banda do mundo”, Johnny afimou. De certa forma, seriam.

2 - THE CLASH 1977

EM 3 DE ABRIL de 1976, o The 101ers, uma banda londrina de pub rock, fez um show com os maltrapilhos raivosos do Sex Pistols. O futuro “estava bem na minha frente”, lembrou o vocalista e guitarrista do 101ers, Joe Strummer. Um ano depois, ele havia se transformado na voz do The Clash e estava no Top 20 do Reino Unido com o autointitulado e incendiário disco de estreia do grupo. Uma saraivada de estilhaços de raiva politizada e cânticos de rua, o trabalho transformou o punk britânico – de uma baderna de adolescentes brigões, o gênero passou a uma arma social em faixas como “White Riot” e “London’s Burning”. Strummer e o guitarrista Mick Jones, parceiro de composições, não nasceram criando polêmica; o empresário Bernie Rhodes os pressionava a abordar os tópicos, mas o efeito impulsionado pelo baixista, Paul Simonon, e pelo baterista, Terry Chimes – foi crucial. A gravadora CBS só lançou o disco nos Estados Unidos em 1979, adicionando singles posteriores. O álbum original segue como a representação do som de um tumulto em formação.

3 - SEX PISTOLS 1977

Never Mind the Bollocks, Here’s the Sex Pistols

SE AS SESSÕES tivessem ido do jeito que eu queria, a maioria das pessoas não conseguiria nem escutar o disco”, disse o vocalista, Johnny Rotten. Milhões de pessoas não conseguiram, mas quando o único álbum oficial de estúdio do Sex Pistols atacou de frente as paradas pop britânicas as letras rosnadas de Rotten sobre aborto e anarquia injetaram medo na nação.

4 - THE STOOGES 1970

Funhouse

“OS STOOGES ERAM a personificação perfeita do que a música deveria ser”, decretou Thurston Moore, do Sonic Youth. No segundo álbum da banda de Detroit, o rock de garagem caótico e primitivo que faziam estava uma década à frente de seu tempo. O guitarrista Ron Asheton martelava o mínimo possível de acordes (“T.V. Eye” só tem um acorde), enquanto Iggy Pop canalizava uma psicodelia depressiva e um R&B metálico envolto em colapsos hormonais que inspiraram gerações de músicos ruidosos.

5 - GANG OF FOUR

Entertainment!

FUNDINDO O groove de James Brown e o nascente hip-hop com o minimalismo urgente dos Ramones,o Gang of Four era uma força revolucionária. O quarteto inglês da cidade de Leeds amarrou sua crítica marxista com nós ?rmes de funk furioso, acentuados pelo eficiente ataque do guitarrista Andy Gill.

6 - WIRE 1977

Pink Flag

NENHUM ÁLBUM resumiu melhor a possibilidade infinita da simplicidade radical do punk do que este debute, com 21 faixas executadas em 35 minutos. Pink Flag vai da intrigante “1 2 X U”; passa pelo pesadelo sensacionalista “Field Day for the Sundays” e desagua em “Fragile”, a primeira bela canção de amor do punk.

7 - MINUTEMEN 1984

Double Nickels on the Dime

A DEFINIÇÃO: TRÊS bobões proletários da cidade portuária de San Pedro, Califórnia, com zero de pretensão, dom para tagarelar e gosto por análise política sarcástica, como demonstram em “The Roar of the Masses Could Be Farts”. Neste clássico álbum duplo de 45 músicas, o guitarrista, D. Boon, e o baixista, Mike Watt, dialogam sobre uma trajetória de amizade enraizada em valores do punk. Como Boon afirma em “History Lesson, Pt. 2”, “nossa banda poderia ser sua vida”. Também incorporaram jazz e funk. Mas, quando estavam começando a ganhar atenção nacional, Boon morreu tragicamente em um acidente de carro, em 1985.

8 - BLACK FLAG 1981

Damaged

O BLACK FLAG fazia o que pregava, aperfeiçoando o formato do hardcore de Los Angeles ao destacar a guitarra demente de Greg Ginn e a raiva tóxica e física de Henry Rollins. Damaged os levou a ser contratados pela poderosa MCA, que se recusou a lançar o álbum, afirmando que era “contra as figuras paternas”.

9 - X 1980

Los Angeles

O X ERA ARTÍSTICO demais para se encaixar na cena hardcore de Los Angeles. Por cima da guitarra pseudo-rockabilly de Billy Zooms, o casal John Doe e Exene Cervenka cantava sobre a cidade, que descreviam como um pesadelo surreal cheio de viciados psicóticos e diretores de Hollywood em fim de carreira.

10 - NIRVANA 1991

Nevermind

“O PUNK deveria signi?car liberdade”, disse Kurt Cobain em uma entrevista quando estava se tornando o messias contraditório do rock alternativo. Embora ele ?casse encabulado com o lado polido do som de Nevermind, o LP explodiu como uma granada no mainstream norte-americano, transformando bailes de escola em mosh pits. Era um tipo de música que incorporava o sonho punk de Cobain, mas também era atraente para os garotos fãs de metal com quem ele cresceu no interior de Washington.

11 - BUZZCOCKS 1979

Singles Going Steady

ESTA BANDA de Manchester rompeu as barreiras entre pop e punk com pérolas insanamente contagiantes sobre angústia carregada de hormônios, de “Orgasm Addict” à incomum música sobre separação “Oh Shit!”.

12 - PATTI SMITH 1975

Horses

ANTES MESMO de existir, o punk já tinha sua rainha – uma poetisa baseada em Nova York que fundia rock

de garagem dos anos 1960 com Rimbaud e assim criava uma visão própria. Trabalhando com o guitarrista Lenny Kaye, o pianista Richard Sohl e o baterista Jay Dee Daugherty, além de Tom Verlaine (Television), ela fez a primeira grande declaração da cena punk nova-iorquina. A gravadora Arista odiou a foto clássica da capa, tirada por Robert Mapplethorpe, uma imagem tão transgressora e bela quanto a música de Patti.

13 - HÜSKER DÜ 1984

Zen Arcade

O POWER trio de Minnesota quebrou as barreiras do hardcore de três acordes com este vinil duplo conceitual – a história de um jovem que foge de um lar desfeito e vai para a cidade. Bob Mould e Grant Hart trocavam vocais cuspidos e explosões emotivas, mas a música era expandida para a psicodelia e um folk acústico raivoso.

14 - SLEATER-KINNE 1997

Dig Me Out

QUANDO Corin Tucker e Carrie Brownstein do Sleater- Kinney proclamaram que queriam ser o cantor dos Ramones em “I Wanna Be Your Joey Ramone”, de Call the Doctor (1996), impuseram um desafio entre elas e a cena do rock independente dos anos 1990. O álbum seguinte, Dig Me Out, foi decisivo para cumprir o desafio. Completado pela potente baterista Janet Weiss, o trio de punk feminista de Olympia, Washington, pegou pesado – da alegria de “Words and Guitar”.

15 - NEW YORK DOLLS 1973

New York Dolls

A BANDA DO vocalista David Johansen era agressiva, desleixada, andrógina e barulhenta. O glam de sarjeta de “Trash” e “Personality Crisis” faz com que parecessem uma versão demente dos Rolling Stones. Este álbum de estreia exala uma ostentação vulgar, motivo para o agitador Malcolm McLaren ter empresariado a banda antes de montar o Sex Pistols.

16 - DESCENDENTS 1982

Milo Goes to College

O VOCALISTA, Milo Aukerman, realmente entrou na faculdade, como alude o título. Mas a banda ainda conseguiu se tornar uma instituição do punk pop, falando da existência infeliz de classe média em “I’m Not a Punk” e “Suburban Home”.

17 - TELEVISION 1977

Marquee Moon

O TELEVISION passou anos tocando no CBGB até achar um som definitivo. Marquee Moon usou poesia surrealista e free jazz, conectando a psicodelia dos anos 1960 com um carimbo mais agressivo. O resultado foi o primeiro – e maior – marco de guitarra do punk rock, fazendo as ruas perigosas de Nova York parecerem um playground místico.

18 - GREEN DAY 1994

Dookie

A ESTREIA DO Green Day em uma grande gravadora foi um alívio doce para os adolescentes norte- -americanos depois da morte de Kurt Cobain. Dookie era um paradoxo irresistível: 14 músicas sobre desespero detonadas com zelo no estilo do The Who e com uma habilidade pop para ganhar as rádios. O guitarrista e vocalista,Billie Joe Armstrong, chamou o álbum de seu “diário sobre como é viver como um moleque de rua” – desesperado por conexão e frustrado em nível estratosférico.

19 - BAD BRAINS 1982

Bad Brains

OS RASTAFÁRIS do Bad Brains tinham raízes no jazz e no reggae, mas ajudaram a fundar a cena hardcore de Washington. Eles já eram lendas locais quando lançaram a estreia somente em fita cassete, com o ataque horripilantemente rápido de “Pay to Cum”.

20 - X-RAY SPEX 1978

Germfree Adolescents

POLY STYRENE era uma adolescente londrina multirracial que usava aparelho nos dentes e roupas fluorescentes, gritava hinos como “Oh Bondage Up Yours!” e cantava “Sou poser e não me importo! Gosto de fazer as pessoas olharem!” (“I Am a Poseur”).

21 - RICHARD HELL AND THE VOIDOIDS 1977

Blank Generation

Richard Hell, fundador do Television, inventou o visual que chamou de “esfarrapado com retalhos”, definindo assim elementos da moda punk. “Takes Two” e “Love Comes in Spurts” destacavam a intensa guitarra de Robert Quine. A faixa-título, falando da “geração nula”, pode ser considerada o hino punk máximo criado em meio ao sentimento de vazio.

22 - BIKINI KILL 1998

The Singles

O Bikini Kill exigiu “revolução feminina imediata” em Revolution Girl Style Now (1991), estreia em fita cassete. Logo, liderou o movimento Riot Grrrl dos anos 1990. O destaque desta coletânea é “Rebel Girl”, com participação de Joan Jett. Quando a vocalista Kathleen Hannah berrou “no beijo dela sinto o gosto da revolução”, milhares de garotas se mobilizaram para derrubar o patriarcado.

23 - PERE UBU 1985

Terminal Tower

ENQUANTO O punk fervia em Nova York e Londres, também se espalhava em Cleveland, onde o Pere Ubu criou um “folk industrial” que em 1975 já soava pós-punk. Esta coletânea atinge o auge com “Final Solution”, na qual o vocalista, David Thomas, solta a voz sobre a guitarra enferrujada de Peter Laughner. Este último viveu de maneira insana e bebeu até morrer em 1977, aos 24 anos.

24 - THE JAM 1978

All Mod Cons

Paul Weller, líder do The Jam, canalizou o fervor punk em uma ressurreição do som mod, inspirando-se em ícones como The Kinks e The Who. Este terceiro álbum do trio é uma radiografia da vida londrina dos anos 1970, indo de “‘A’ Bomb in Wardour Street” a “Down in the Tube Station at Midnight”.

25 - MISSION OF BURMA 1982

Vs.

OS MÚSICOS de Boston foram pioneiros em uma abordagem artística ao punk em 1980, com “Academy Fight Song”, single independente de estreia. Vs. é complexo, feito para ser ouvido com fones, mas também tem algazarra, com a arenga anti-Reagan “That’s How I Escaped My Certain Fate” e o transe pulsante de “Trem Two”.

26 - FLIPPER 1982

Generic

BATIZADO POR causa de um gol?nho morto que o vocalista, Ricky Williams, encontrou na praia enquanto estava louco de ácido, o Flipper, de São Francisco, tinha dois baixistas que tocavam jams improvisadas longas e lentas, como “Sex Bomb”, faixa que fecha Generic. O jeitão “que se foda” deles inspirou Kurt Cobain, que até usava uma camiseta caseira do Flipper.

27 - MINOR THREAT 1989

Complete Discography

O MINOR Threat definiu um novo código hardcore com o hino “Straight Edge”: chega de drogas e de álcool,

o importante é não baixar a guarda e lutar contra os poderosos. Os líderes da cena punk de Washington não ficaram juntos por muito tempo, mas continuam tremendamente influentes.

28 - THE GERMS 1979

(GI)

O GERMS SÓ lançou um álbum antes de o vocalista malucão, Darby Crash, cometer suicídio, em dezembro de 1980. Mas (GI) de?niu o padrão para o niilismo de butique de Los Angeles, mascarando letras cheias de nuances em uma massa sonora hilária e desleixada.

29 - THE REPLACEMENTS 1981

Sorry Ma, Forgot to Take Out the Trash

PAUL Westerberg cantava sobre bebida e desespero por cima do “power trash” da banda. O que os diferenciou foi o humor. Em “I Hate Music”, diziam: “Odeio música.

30 - SONIC YOUTH 1986

EVOL

COM ESTE terceiro álbum, os nova-iorquinos se tornaram a banda barulhenta mais importante das últimas três décadas. “Starpower” e “Expressway to Yr. Skull” exploram o que a baixista, Kim Gordon, chamou de “escuridão bruxuleante sob a colcha brilhante da cultura pop norte-americana”.

31 -YEAH YEAH YEAHS 2003

Fever to Tell

A exuberante Karen O é a estrela deste trio de art rock de Nova York. Ela uiva como uma pantera no cio até despedaçar o coração do ouvinte com a lenta “Maps”.

32 - THE MISFITS 1982

Walk Among Us

Glenn Danzig e sua trupe de mutantes de Nova Jersey trouxeram uma ironia necessária à cena hardcore com hinos de horror punk, como “I Turned into a Martian”.

33 - THE SLITS 1979

Cut

A pioneira banda feminina Slits fundiu batidas de reggae com guitarras punk em músicas alegremente anárquicas, como “Shoplifting”, que tem o slogan “Pagamos com foda-se!”

34 - JOY DIVISION 1979

Unknown Pleasures

Poucos falaram sobre alienação de forma tão intensa quanto o Joy Division. O tom barítono de Ian Curtis e o torpor gélido das canções do disco inspiraram toda uma nação gótica punk.

35 - FUGAZI 1989

13 Songs

Ian MacKaye, ex-líder do Minor Threat, inventou no Fugazi um som pós-hardcore para mexer o corpo – e, com “Waiting Room”, escreveu a melhor música para karaokê do punk norte-americano.

36 - CRASS 1981

Penis Envy

O coletivo britânico Crass incorporava os ideais anarquistas do punk. As vociferações antissexistas em Penis Envy foram radicais.

37 - BLINK-182 1999

Enema of the State

O trio de Los Angeles elaborou aqui uma grande e pegajosa piada sobre flatulência. Este megassucesso do punk pop permaneceu nas paradas por 70 semanas.

38 - WHITE LUNG 2014

Deep Fantasy

O White Lung soa como se o Black Flag fosse liderado pela ?lha bastarda de Patti Smith com Stevie Nicks (Fleetwood Mac). Cada faixa cai como uma bomba de desejo.

39 - DEVO 1978

Q: Are We Not Men? A: We Are Devo!

Os rapazes de Akron, Ohio, faziam uma new wave distorcida, ressaltando o conceito de evolução reversa. Uma obra-prima debiloide.

40 - DEAD KENNEDYS 1980

Fresh Fruit for Rotting Vegetables

40Este é o álbum de comédia essencial do hardcore, incluindo a sátira tola “California Über Alles” e “Holiday in Cambodia”.