Grito do Subúrbio

Marcelo Rubens Paiva e Clemente Nascimento se unem na criação de livro sobre a história do punk paulistano

Gabriel Nunes Publicado em 18/11/2016, às 11h36 - Atualizado em 20/11/2016, às 22h47

(Ao centro) Clemente Nascimento, do Inocentes
Rui Mendes

São Paulo, 28 de agosto de 1982. Sobre o palco do Salão Beta da PUC, o Inocentes fez uma das apresentações mais memoráveis da carreira. Com os versos “Chamaram a Polícia Militar/ Todos armados até os dentes/ Todos prontos para atirar”, de “Pânico em SP”, o grupo antecipou o fim da apresentação. A inesperada chegada da polícia ao local deixou todos atônitos: as pessoas corriam e se empurravam à medida que os cassetetes cortavam o ar para dispersar a multidão. Na plateia, o escritor Marcelo Rubens Paiva esteve perto o suficiente dessa caótica situação para reconstituí-la três décadas depois no livro Meninos em Fúria: E o Som Que Mudou a Música para Sempre.

Escrito com Clemente Tadeu do Nascimento, guitarrista e vocalista do Inocentes, o trabalho foi pensado inicialmente como uma biografia do pioneiro do punk. “Eu tinha começado a escrever minha autobiografia, mas não conseguia sair da primeira página. Aí o Marcelo disse que iria escrever para mim”, conta o músico.No entanto, o que era pra ser um livro sobre as memórias do ex-integrante do Restos de Nada (considerada por muita gente a primeira banda punk brasileira) acabou se transformando em um relato a quatro mãos a respeito de uma das cenas mais inquietas do rock nacional.

Narrado da perspectiva de Paiva e entremeado por digressões de Clemente, Meninos em Fúria reconstrói a trajetória do destrutivo e insurgente punk paulistano. “Foi uma época muito importante para minha vida, então decidi me colocar como personagem na história”, explica o autor de Feliz Ano Velho.