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U2 em SP: depois da ascensão de Trump, banda decidiu trazer Joshua Tree de volta à vida com uma imensa turnê

Grupo liderado por Bono tem quatro shows agendados no Estádio do Morumbi, em São Paulo, entre os dias entre os dias 19 e 25 deste mês (Noel Gallagher, ex-Oasis, faz a apresentação de abertura nas datas)

Andy Greene Publicado em 17/10/2017, às 19h56

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Larry Mullen Jr., Adam Clayton, The Edge e Bono

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Em meados do ano passado, o U2 encarava um futuro incerto. A banda tinha encurtado sua altamente bem-sucedida turnê Innocence + Experience para trabalhar no álbum seguinte, Songs of Experience, que estava quase concluído, mas os integrantes acabaram decidindo que o material gravado não abordava adequadamente o caos dos eventos atuais, da ascensão de Donald Trump à saída da Inglaterra da União Europeia. “Percebemos que precisávamos colocar o disco na geladeira por um tempo para realmente pensar nessas coisas”, conta o guitarrista, The Edge. “O mundo é um lugar diferente e precisamos da oportunidade para reconsiderar tudo.”

Foi aí que o U2 decidiu marcar o 30º aniversário de The Joshua Tree – o álbum de 1987 que o catapultou de um grupo que tocava em arenas para a maior banda do mundo, com hits como “Where the Streets Have No Name” e “With or Without You” – com uma imensa turnê por estádios. The Joshua Tree foi o primeiro disco do U2 diretamente influenciado pela música e política norte-americanas, criticando o apoio do governo Reagan aos bombardeios de países da América Central (“Bullet the Blue Sky”) e o silêncio sobre assassinatos em massa pelo governo chileno (“Mothers of the Disappeared”). “Aquela era uma época difícil e sombria e parece que estamos de volta a isso, de certa forma”, diz The Edge. “Nunca nos demos a chance de celebrar nosso passado porque sempre olhamos para a frente, mas sentimos que este era um momento especial e este é um disco especial.” Em uma entrevista publicada no site do U2, Bono acrescentou: “É uma bela ópera... cantei muito algumas dessas músicas, mas não todas... Será uma grande noite”.

A turnê marca a primeira vez em que o U2 toca um álbum inteiro ao vivo, um formato explorado recentemente por Bruce Springsteen na turnê River, que foi a mais bem-sucedida do ano passado, arrecadando US$ 268 milhões. A banda pode adotar uma abordagem diferente e evitar tocar o disco na sequência. “Pode ser que não queiramos começar com a faixa 1, ‘Where the Streets Have No Name’”, afirma The Edge. “Talvez precisemos criar expectativa para esse momento.” O baixista, Adam Clayton, acrescenta: “Podemos agrupar algumas faixas com outras [de diferentes álbuns], mas de temática semelhante. Vamos experimentar até ter confiança de que está bom."

Para os fãs ardorosos, o show será uma oportunidade para ouvir faixas pouco conhecidas pelo público em geral, como “Exit” e “Trip Through Your Wires”, que a banda não toca desde os anos 1980. “Red Hill Mining Town” – uma balada comovente sobre a greve em 1984 do Sindicato Nacional dos Mineiros da Inglaterra, que originalmente seria o primeiro single do álbum – nunca foi tocada ao vivo. “Ela caiu na maldição do andamento médio”, diz Clayton. “Agora, acho que conseguimos encontrar maneiras de contornar isso.”

Willie Williams, diretor de shows que desenha os palcos da banda desde 1982, diz que a produção da turnê será menos grandiosa do que a da última passagem do U2 por estádios, com a 360 Tour, que rodou o mundo de 2009 a 2011. A turnê contava com um palco em formato de nave espacial, um dos maiores da história. “Aquele realmente foi o show em estádio para acabar com todos os shows em estádio”, diz Williams. O diretor está se inspirando na produção primitiva da turnê de 1987, mas incorporando novas ideias, incluindo um segundo palco em forma de árvore. “As expectativas são estratosfericamente mais altas do que há 30 anos”, afirma, “mas haverá menções a como tudo era naquela época.”

A turnê comemorativa das três décadas de The Joshua Treetem quatro shows marcados no Brasil, no Estádio do Morumbi, em São Paulo, entre os dias 19 e 25 de outubro. A banda retorna ao país seis anos depois da última passagem, que aconteceu em 2011.