Um Final Feliz

Como Emma Stone, estrela de La La Land, deixou para trás uma infância marcada por crises de pânico e se tornou a protagonista mais livre de Hollywood

Jonah Weiner Publicado em 26/02/2017, às 14h37 - Atualizado às 14h55

Pé no Chão 
Emma em Los Angeles no final de outubro de 2016

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O lugar preferido de Emma Stone para comer sushi em Los Angeles é um restaurante simples em uma galeria de lojas na Sunset Boulevard, escondido entre uma clínica de remoção de pelos a laser e uma loja da FedEx. É aqui, logo ao sentar, que ela começa a me contar sobre sua hérnia de hiato. “Não posso comer nada picante”, diz. O problema, a atriz continua, é que parte do estômago dela “invade o esôfago”, o que soa horroroso, mas na verdade é bastante controlável, apesar da maior probabilidade de refluxo. “Nasci com isso”, ela comenta animadamente, separando os hashis. “Eu parecia um velhinho na infância.”

Conheci Emma há aproximadamente 11 minutos, mas parece que estou com uma velha amiga. Ela se inclina sobre a mesa de um jeito falsamente conspirador; retoma comentários em um bate-papo que acabamos de ter como se citasse piadas internas antigas; inclina a cabeça para trás e me pede para olhar suas narinas porque tem certeza de que há uma partícula vergonhosa ali. Durante o jantar, dois rapazes sentam a uma mesa próxima. Emma, observando-os, sussurra: “Ai, merda, acho que o ex-namorado da Paris Hilton acabou de sentar – aquele que parece imitador do Elvis Presley”. Ela aponta o polegar para a esquerda, nada sutil, enquanto me faz olhar para um jovem bonito de mandíbula quadrada. Pode ser Paris Latsis, ex da socialite, ou uma pessoa totalmente diferente. Volto a olhar para Emma, que, apesar de ser Emma Stone – de longe a pessoa mais famosa neste restaurante –, está sorrindo com esta visão “talvez quem sabe” de uma subcelebridade. “É ele, não é?”

O fato de a atriz ser absurdamente simpática não deveria surpreender ninguém que já a viu atuar. Ela é uma estrela de cinema decididamente humana – do tipo que de alguma forma te leva, na tela, a esquecer que ela é uma estrela de cinema. “Ela não tem frescura, não é pretensiosa e é eletricamente inteligente”, diz Jonah Hill, que atuou com Emma no primeiro filme da carreira dela, Superbad: É Hoje.

Emma é frequentemente comparada à sua heroína, Diane Keaton, de várias formas: ambas são bonitas, engraçadas e foram musas de Woody Allen. Mas, em sua combinação de versatilidade, sagacidade e capacidade de fazer uma aura de bondade parecer magnética em vez de chata, Emma tem muito em comum com outro de seus heróis: Tom Hanks. Ela fez um teste para atuar com ele em Larry Crowne: O Amor Está de Volta, em 2011, não tanto pelo roteiro quanto pelo fato de que adora Hanks. Não conseguiu o papel, conta de ombros caídos, mas naquele mesmo ano teve sucesso com Vidas Cruzadas e roubou cenas em Amizade Colorida e Amor a Toda Prova, então, sabe, poderia ter sido pior. Ao ver esses filmes e os outros que Emma elevou ao longo dos anos – Superbad, A Mentira, Zombieland e reboots de Homem-Aranha –, você constantemente tem a impressão de que ela funciona um passo à frente de todos os outros, de que se diverte de um jeito próprio, sem se preocupar com o fato de que há pessoas a assistindo.

Hoje, ela vive em Nova York. Seus sentimentos por Los Angeles, onde já morou, são menos negativos do que já foram, mas durante um tempo ela não suportava a cidade. “É como imagino que Washington seja: você é cercado por essas pessoas que estão constantemente subindo e descendo nos escalões de poder e isso é a única coisa sobre a qual elas conseguem pensar e falar”, explica. Em Nova York, ela vai a teatro ou fica em casa vendo filmes com amigos – um círculo que inclui as atrizes Martha MacIsaac, Sugar Lyn Beard e Jennifer Lawrence. “Viajamos juntas, vamos à casa uma da outra, vemos porcaria”, conta. “Estava na casa da Jen no mês passado e assistimos Abracadabra.” Amigos são companhia constante – ela namorou Andrew Garfield, seu parceiro em Homem-Aranha, por vários anos, mas diz que atualmente está solteira.

É final de 2016 e Emma está em Los Angeles para divulgar o excelente La La Land – Cantando Estações. É um musical cativante e doce sobre dois sonhadores pobretões de Hollywood – Emma como uma aspirante a atriz em dificuldades e prestes a perder a sanidade; Ryan Gosling como um teimosamente dedicado músico de jazz com o sonho de abrir a própria casa de shows. Os dois se apaixonam enquanto dançam e cantam por Los Angeles. A visão descaradamente romântica da cidade no filme é pura nostalgia – a sequência de abertura, encenada em uma rodovia, dá o tom, transformando o típico engarrafamento local em uma fantasia euforicamente coreografada. Como a própria Emma – que às vezes parece uma comediante pastelão das antigas transportada para o presente –, o filme une eras clássicas e contemporâneas. “Precisava de alguém que fizesse o musical tradicional parecer relevante e acessível a pessoas que acham que não gostam de musicais”, diz o roteirista e diretor de La La Land, Damien Chazelle. “A Emma é muito moderna, mas também há uma atemporalidade nela.”

Mesmo antes de seu lançamento, La La Land surgiu como um forte candidato a indicações ao Oscar. Isso foi reforçado após o Globo de Ouro, quando o longa levou as sete categorias que disputava, um recorde na premiação (incluindo Melhor Filme de Comédia ou Musical, Melhor Ator em Filme de Comédia ou Musical para Gosling e Melhor Atriz para Emma). Quando foi divulgada a lista de indicados à maior premiação do cinema norte-americano, não houve surpresa: o filme vai concorrer a 13 estatuetas, tendo 14 indicações no total.

Nos últimos meses de 2016, Emma participou do jantar anual Governors Awards da Academia; de uma sessão de perguntas e respostas organizada pela Academia; de diversas sessões de La La Land em festivais de cinema. E ela segue nesse ritmo em 2017. “Sinto que comecei a promover o filme em agosto, e não parei desde então”, diz.

Não que ela esteja reclamando. La La Land tem a performance mais corajosa da atriz até agora. Quando menciono o Oscar, antes de ela saber que seria indicada, afirma: “Estou tentando não pensar nisso” – seu modo operante é de autodepreciação, não autopromoção; piadas, não vanglórias. “Só me concentro no que tenho de fazer no momento e não penso necessariamente em aonde isso tudo vai levar.”

Há outra coisa na qual ela tem tentado, sem sucesso, não pensar: a eleição presidencial nos Estados Unidos havia ocorrido poucos dias antes da nossa primeira entrevista, e Emma era uma apoiadora de carteirinha de Hillary Clinton. A vitória de Donald Trump a deixou irritada. “Ainda é muito difícil processar o que vai acontecer ou o que fazer”, declara. “É apavorante não saber, mas não consigo deixar de pensar nas pessoas vulneráveis sendo ignoradas e deixadas de lado – marginalizadas mais do que já têm sido há centenas de anos – e em como o planeta morrerá sem nossa ajuda.”

Beber é um consolo. “Quer saquê?”, pergunta. Pedimos uma garrafa e ela me serve segundo o costume japonês. Retribuo o favor, mencionando que uma vez discuti essa regra de etiqueta com um chef em Tóquio, que comparava encher o próprio copo de saquê a se masturbar em público.

“Se masturbar? Só tinha ouvido falar que dá azar!”, Emma diz, rindo. Quando termino minha dose alguns pratos depois, fico tonto e distraidamente me sirvo. Ela fica espantada: “Você acabou de bater uma na mesa”.

Peço desculpa e sirvo um pouco mais para ela. “Continue, por favor”, diz. “Pode bater uma para mim também.”

Emma Stone fez 28 anos em novembro, mas atuou pela primeira vez muito antes disso, aos 6 anos, em um musical temático de Ação de Graças na escola. Ela cresceu em Scottsdale, Arizona, filha de uma dona de casa com um empreiteiro, e tem um irmão mais novo. “Meu pai abriu a própria empresa, então não tivemos dinheiro até eu ter uns 8 anos – não éramos duros, mas vivíamos no crediário, nada fácil. Então, a empresa dele teve sucesso.” Os Stone criaram os filhos na religião luterana (“católicos diet”, Emma define) e eram pais apoiadores e permissivos quando se tratava de disciplina – “rédeas soltas”. “Tipo, ‘se você vai beber em uma festa, ligue e vamos te buscar’.” Eles a batizaram como Emily – Emma é o nome que ela escolheu ao entrar para o Screen Actors Guild, quando descobriu que já havia uma Emily Stone ali.

Sua infância foi confortável de algumas formas, turbulenta de outras. Ela era uma criança extremamente nervosa, que adoecia fácil e era propensa a ataques de pânico debilitantes – “Meu cérebro naturalmente ficava 30 passos à frente e ia até o pior cenário possível”, relata. “Quando tinha uns 7 anos, fiquei convencida de que a casa estava pegando fogo, conseguia sentir isso. Não uma alucinação, mas um aperto no peito, sentir que não conseguia respirar, como se o mundo estivesse acabando. Houve alguns ataques como esse, mas minha ansiedade era constante. Perguntava uma centena de vezes para minha mãe como seria o dia. Que horas ela me levaria para a escola? Onde estaria? O que aconteceria no almoço? Sentia náuseas. Chegou um momento em que não conseguia mais ir à casa das amigas – mal podia ir à escola.”

Extremamente preocupados, os pais marcaram uma consulta para a filha com um terapeuta. “Ajudou muito”, ela conta. “Escrevi um livro chamado Sou Maior do Que Minha Ansiedade e ainda o tenho: desenhei um monstrinho verde no meu ombro que fala no meu ouvido e me diz todas essas coisas que não são verdade. Cada vez que o escuto, ele cresce. Se o ouço demais, ele me esmaga, mas, se viro a cabeça e continuo fazendo o que estou fazendo – deixo que fale, mas não dou o crédito de que precisa –, ele encolhe e desaparece.”

Outra forma de encolher o monstro, descobriu, era atuando – dedicando-se a um mundo inventado para esquecer o real. “Comecei a atuar em um teatro para jovens, fazendo improvisação e comédia de esquetes”, diz. “Você tem de estar presente na improvisação e essa é a antítese da ansiedade.” Ela era uma nerd da comédia que amava o filme O Panaca e via um pouco de si mesma na personagem Judy Miller, criada por Gilda Radner – uma escoteira encrenqueira que fica mais à vontade encenando um programa de TV imaginário na sala de estar.

Emma também idolatrava John Candy, cujo trabalho como um vendedor de anéis de cortina de banheiro, em luto mas otimista, em Antes Só do Que Mal Acompanhado, é uma de suas “performances preferidas de todos os tempos. Ele faz essa coisa incrível que a Shirley MacLaine fez em Se Meu Apartamento Falasse, e que Gene Wilder também fez lindamente, que é combinar tristeza e comédia. A vida é assim, certo? Ainda há coisas engraçadas e ela fica muito sombria.”

Ela continuou fazendo peças e improvisações e começou a treinar com um professor de atuação em sua cidade natal. O docente usou alguns velhos contatos em Hollywood para arrumar um agente para a aluna. Então, não foi exatamente uma desilusão para seus pais quando, aos 14 anos, Emma avisou que queria sair da escola, mudar para Los Angeles e tentar se profissionalizar. Fez o discurso na forma de uma apresentação em PowerPoint, com o título “Projeto Hollywood”. Outros pais teriam ficado espantados, mas os dela já conheciam esse lado hiperlógico de Emma: quando ela tinha 12 anos, fez outra apresentação em PowerPoint, com uma campanha bem-sucedida para que eles a deixassem estudar em casa em vez de ir para a escola.

A família Stone decidiu permitir que a primogênita desse uma chance à atuação e, em janeiro de 2004, Emma se mudou com a mãe para um apartamento no condomínio Park LaBrea, ao sul de Hollywood. A mudança era a princípio temporária, ela conta, “tipo ‘vamos ficar aqui durante a temporada de pilotos, não será para sempre’. Fiz muitos testes por três meses, não consegui absolutamente nada e aí eles pararam de me mandar para testes”. Não estando pronta para desistir, ela foi contratada para fazer petiscos para cães – um trabalho ridículo ao qual se agarrou porque pensou: “‘Agora estou trabalhando, viu? Não estou conseguindo testes, mas tenho que ficar aqui’”.

Ela fez pontas suficientes para manter a esperança viva. “Fiz um episódio de Malcolm in the Middle”, conta. “E um episódio de Medium.” Um pouco menos glamouroso: “Fui a voz de uma cadela em Zack & Cody: Gêmeos em Ação”. Emma também conseguiu um papel em um episódio da fantástica e pouco vista sitcom da HBO Lucky Louie, fazendo uma garota atormentada. “O Louis C.K. foi incrivelmente doce comigo”, lembra. “E muito protetor, porque eu tinha 16 anos e minha personagem ofereceu um boquete a ele. Desde então, quando a gente se tromba, ele sempre fala: ‘Eeeeeei, entããão, lembra daquilo?’”

A atriz recebeu um encorajamento crucial da diretora de elenco Allison Jones, veterana caçadora de talentos para comédia que ajudou a lançar a carreira de James Franco, Jonah Hill e Seth Rogen. “Fiz testes para a Allison por três anos”, Emma conta. “Ela me levava para essas coisas e nunca dava certo, mas numa noite de sexta me ligou e disse: ‘Ei, meu escritório nem abre amanhã, mas quero te filmar para algo’. Era Superbad.” Emma conseguiu o papel de Jules, paixão de escola de Jonah Hill, uma beldade popular que conta piadas sobre orgasmo como ninguém.

Desde então, ela tem constantemente ampliado seu leque, procurando, como Hill, dramas sérios. A característica comum entre seus papéis é uma decência fundamental – à mostra em Vidas Cruzadas, em que fez uma mulher branca privilegiada no sul dos Estados Unidos dos anos 1960, e no ganhador do Oscar de Melhor Filme Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância), pelo qual foi indicada como Melhor Atriz Coadjuvante. Esta foi uma das pouquíssimas vezes em que Emma fez uma personagem problemática (desde que ofereceu um boquete a Louis C.K., pelo menos). Ela se descreve como tendo um lado ansioso por agradar aos outros e entende que é difícil imaginá-la fazendo papel de uma grande vilã, pelo menos por enquanto. “Se parte do que você sempre quis muito na sua vida é não chatear ninguém, é fácil ser atraída por personagens que não vão chatear ninguém”, diz.

No entanto, em uma noite em 2013, enquanto filmava Birdman, Emma perdeu a compostura – e a sensação foi fantástica. O filme, que o diretor Alejandro González Iñárritu costurou a partir de uma série de tomadas extremamente longas, exigia não apenas crueza emocional por parte dela mas também precisão técnica. “Eu tinha que entrar no finalzinho de uma cena e foi muito assustador, porque tudo era cronometrado.” Ela errou em uma tomada. “O Alejandro me disse: ‘Emma, você tem de dobrar a esquina mais rápido ou vai estragar o filme!’ Pensei: ‘Isso é um horror, é difícil demais, é insano’. Mais tarde, naquela noite, Edward Norton e eu estávamos filmando no topo de um edifício às 2h da manhã, algo assim. Tínhamos feito essa cena 30 vezes e o Alejandro não estava conseguindo o que queria. Falou: ‘Talvez não dê certo’. Fui para o meu camarim, ofegando, tipo ‘não consigo fazer isso. Estou perdendo a cabeça’. Esse negócio tomou conta de mim. Normalmente sou de agradar às pessoas, mas senti um ‘foda-se. Não ligo mais’. Então, quando voltamos para fazer a cena, estava louca, cuspindo fogo, e o Alejandro disse: ‘Lindo – aí está!’” Emma balança a cabeça com a lembrança. “Não estava mais tentando chegar à perfeição.”

Quando pergunto se já pensou em escrever um roteiro ou dirigir, ela arregala os olhos. “Escrever é interessante, mas nunca fiz isso”, conta. “E dirigir, meu Deus, é um trabalho difícil. Reúne todas as coisas em que você não pensa como ator. ‘Perdemos uma locação’. ‘Este figurino está errado’. ‘O ator não quer sair do trailer’. Tendo vindo da improvisação, em que tudo depende tanto da equipe, ainda é difícil, para mim, estar na frente – mesmo quando é um papel de destaque. Gosto de ser uma pecinha na máquina.”

Emma está no banco do passageiro do meu Nissan compacto alugado, percorrendo Hollywood. O manobrista do hotel onde está hospedada levantou levemente a sobrancelha quando ela abriu a porta do carro e entrou nele. “Esta definitivamente é a primeira entrevista que dou em um Sentra”, a atriz brinca. Nosso jantar foi há alguns dias e decidimos fazer uma caminhada matinal no Griffith Park. Ela não está exatamente vestida para fazer trilha – usa um chapéu de montaria de lã com a aba inclinada sobre os óculos escuros, um suéter fino com um pequeno furo nas costas, jeans skinny e tênis Acne com velcro. “Toda de preto”, observo. “Incógnita”,

ela responde, concordando.

O fato de que seu cabelo ruivo está quase todo escondido sob o chapéu faz maravilhas por ela, com relação a passar despercebida. No parque, o único rapaz que para Emma aparentemente não tem ideia de quem ela é, só quer saber como ir ao Observatório Griffith. Entramos nos banheiros públicos. “Havia tanto xixi no chão”, ela conta quando sai do banheiro feminino, arrepiada, mas solta: “E nem era todo meu”.

Subimos um morro de terra batida e ficamos com dificuldade para respirar vergonhosamente rápido. Nem 400 metros depois de começar, ela se inclina em uma curva como se estivesse prestes a vomitar na trilha. Aponta para uma serra acima de nós, com os ombros subindo e descendo, dando um efeito cômico: “Vamos até lá em cima? Você está de brincadeira?” Ela estava em boa forma para La La Land, diz, e ficou sarada para o filme seguinte, Battle of the Sexes, cinebiografia a da tenista Billie Jean King. “Ganhei 6,5 quilos de músculos. Só que perdi tudo muito rápido”, acrescenta, mostrando um bíceps inexistente.

Encontramos um lugar para sentar. Caminhantes em melhor forma passam por nós. Formigas marcham sobre nossas pernas. À frente, distante, está o Oceano Pacífico, com ondas cintilantes; à direita está a placa de Hollywood; o Observatório se destaca em um penhasco atrás de nossas cabeças. Se não fosse pelo xixi empanado com terra em nossos tênis, poderia quase ser uma cena de um musical antigo. “Alguém enjoa disso?”, Emma pergunta, retomando o fôlego e admirando a paisagem. “Quem poderia enjoar disso?”

Em Pé de Igualdade

Além de dar tudo de si como cantora e dançarina, a atriz experimentou outro tipo de liberdade em La La Land

La La Land - Cantando Estações, como Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância), dependia não apenas de uma performance emocionalmente autêntica de Emma Stone, que está na tela quase o filme inteiro, mas também de uma coreografia precisa, que ela teve de acertar em cheio ao longo de uma série assustadora de tomadas ininterruptas. O diretor, Damien Chazelle, lembra que quando estava pensando em aceitar o papel, ela perguntou: “Quanto tempo de preparação? Porque não quero fazer isso nas coxas – se for sapatear, quero aprender a sapatear. Não quero enganar [com ângulos de câmera favorecedores e truques com close]”. “Isso não é normal em atores – ou em qualquer pessoa, ponto: querer dificultar algo para você mesmo”, define o cineasta. Emma descreve o filme como inovador de outra maneira. “Houve momentos no passado, ao fazer um filme, em que disseram que eu estava atrapalhando o processo ao dar uma opinião ou ideia”, conta. “Não quero dizer que é porque sou mulher, mas houve vezes em que improvisei, riram da minha piada e a passaram para meu companheiro de cena. Deram a minha piada. Ou quando falei: ‘Não acho que esta frase vá funcionar’ e me responderam ‘só fale a frase, se não funcionar, cortamos’ – e não cortaram e realmente não funcionou!”, ela diz, sem dar mais detalhes.

J.W.