Uma Receita Carioca

Mart’nália faz ampla mistura em álbum que vai de Caetano Veloso ao sambista Mosquito

Mauro Ferreira Publicado em 22/02/2017, às 15h50 - Atualizado às 15h58

Comemoração discreta
Mart’nália lança disco plural nos 30 anos de carreira
Marta Azevedo/Divulgação

Mart’nália só se deu conta de que completa 30 anos de carreira em 2017 quando foi questionada sobre isso durante a promoção de + Misturado, 11º álbum da discografia iniciada em 1987 com Mart’nália – e o trabalho mais variado dela. “Nem senti. Não me lembro de datas. É questão de temperamento”, diz a cantora, compositora e instrumentista carioca, que está com 51 anos.

A carreira deslanchou somente a partir de 2002, com o disco Pé do Meu Samba, gravado sob a direção artística de Caetano Veloso. Mas, para Mart’nália, nada parece ter mudado. “Tenho zero fissura de fama. Vejo o quanto sofrem meus colegas que têm essa gana de sucesso. Já nasci filha de Martinho da Vila”, reflete.

O pai está na abertura de +Misturado, cantando com a filha em “Ninguém Conhece Ninguém”, samba que compôs na década de 1960. Mart’nália também retorna ao repertório de Caetano neste álbum: estava para receber uma inédita dele, mas a música nova não chegava e decidiu gravar “Tempo de Estio” com um sedutor arranjo pop do produtor Dadi. “Resolvi não chatear o Caetano cobrando a música. A letra de ‘Tempo de Estio’ é uma alegria só. Eu via muito o programa do Chacrinha e me lembro de ver o Marcelo, aquele cara bonitão, meio andrógino, cantando essa música”, rememora, referindo-se ao cantor carioca Marcelo, que lançou “Tempo de Estio” em 1977. De Caetano, Mart’nália ainda cruza com leveza “Linha do Equador” (1992), parceria do baiano com Djavan. Entre as inéditas, há Teresa Cristina com o sambista revelação Mosquito em “Ouvi Dizer” e o samba com sotaque nordestino “Se Você Disser Adeus”, de Geraldo Azevedo.