Pulse

Lembrança do Maestro

Danilo Caymmi foge do piano ao recriar a obra de Tom Jobim

Paulo Cavalcanti Publicado em 15/04/2017, às 11h08 - Atualizado em 24/04/2017, às 16h39

Outros tons
Danilo Caymmi foge do piano ao recriar a obra de Tom Jobim
Ana Carvalho

No último dia 25 de janeiro, Antonio Carlos Jobim teria completado 90 anos de idade. O cantor e flautista Danilo Caymmi foi uma das pessoas que melhor conheceram Tom Jobim, especialmente em sua última década de vida. Entre 1983 e 1994, ano em que o maestro morreu, Danilo fez parte da Banda Nova, a eclética big band formada para acompanhar Jobim no estúdio e em apresentações ao vivo. O filho de Dorival Caymmi é um dos defensores do legado de Jobim e, com esse propósito, acaba de lançar o CD Danilo Caymmi Canta Tom Jobim, pela Universal Music.

Nunca faltaram coletâneas da obra do compositor carioca, mas esta tem um sabor especial, principalmente pelo conceito. “Não queria saber de hits, escolhi as canções que me tocam pessoalmente”, explica Danilo. O repertório, selecionado a dedo e de maneira afetiva pelo artista, tem algumas composições bastante executadas, como “Água de Beber”, mescladas a outras menos conhecidas, como “Chora Coração” e “Derradeira Primavera”.

Flávio Mendes (violão e arranjos) e Hugo Pilger (violoncelo) também participaram do projeto. Para Danilo, essa configuração dá o tom da homenagem. “Em termos de som, ele é bem austero e minimalista”, fala. O pai da também cantora Alice Caymmi revela que o fato de o disco não ter piano é intencional – algo incomum em um trabalho relacionado a Tom Jobim. Outro trunfo é a cantora norte-americana Stacey Kent, que hoje é uma das maiores divulgadoras da bossa nova mundo afora. Ela participa de “Estrada do Sol”, parceria de Jobim com Dolores Duran e gravada originalmente por Agostinho dos Santos. “Eu gosto de poucas cantoras, mas sou fã da Stacey”, diz Danilo. “Foi uma alegria tê-la no trabalho para cantar esta faixa.”