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Pedalando para Longe

BIKE, que chega ao segundo disco, integra a nova e excelente safra de bandas psicodélicas brasileiras

Lucas Brêda Publicado em 02/04/2017, às 12h28 - Atualizado em 11/04/2017, às 17h56

Tarefas para todos
Julito Cavalcante (à esq.) agora divide a criação com os colegas de banda, Diego Xavier e Rafa Bulleto
Divulgação

Fazia anos que o cenário não era tão fértil para a música psicodélica no Brasil. Entre 2015 e 2016, o Boogarins (GO) lançou o festejado Manual, enquanto o Catavento (RS) soltou Cha, o Tagore (PE) chegou a Pineal e o Luneta Mágica (AM) desabrochou com No Meu Peito. De São José dos Campos, o Bike também chamou atenção nessa leva, com as oito músicas do debute, 1943, lançado em 2015.

A banda começou como um projeto de Julito Cavalcante, na época baixista do Macaco Bong. Os nomes vieram em homenagem ao dr. Albert Hoffman, que criou o LSD em 1943 e deu uma volta de bicicleta ao tomar a primeira dose significativa da substância. “O primeiro disco foi uma coisa mais minha”, conta o vocalista e guitarrista. “Eu tinha umas músicas, umas letras e, quando decidi gravar, chamei o Diego [Xavier, atual guitarrista].”

Quando 1943 saiu, a psicodelia espacial e com pegada dadaísta do projeto foi tomando corpo, ganhou os palcos e chegou aos ouvidos do produtor Brian Burton, também conhecido como Danger Mouse, dono de cinco prêmios Grammy e com trabalhos ao lado de Black Keys, Adele e Gorillaz, entre outros, no currículo. Ele acabou incluindo a música “Enigma do Dente Falso”, do Bike, na compilação 30th Century Records Compilation Volume I, do selo homônimo criado por ele no fim de 2015.

Se 1943 surgiu das experimentações e viagens de Cavalcante, o segundo disco do Bike, lançado em abril, já é resultado de um trabalho muito mais coletivo (o riff cíclico e hipnotizante de “A Montanha Sagrada”, single do novo álbum, por exemplo, saiu de uma jam). “Tem duas músicas do Diego, tem composição do Rafa [Bulleto, baixista] e coisas no esquema de antes, mas eu não fiz todos os arranjos de antemão, como no primeiro”, explica. “Foi mais um lance de partir de uma base e ir construindo os arranjos [juntos].”

Em Busca da Viagem Eterna, novo LP do Bike, sai naturalmente mais rebuscado e recheado de elementos, sem, contudo, sacrificar os momentos de estranheza que marcaram 1943. Gravado em seis dias – no Estúdio Wasabi, em São José dos Campos, entre julho e agosto de 2016 –, o álbum tem novamente mixagem analógica e masterização de Rob Grant (Tame Impala, Miley Cyrus), no Poons Head Studio, em Perth, Austrália.

Agora uma banda de fato – o baterista Daniel Fumega, do Macaco Bong, completa o quarteto –, o Bike tenta manter a posição alcançada com a estreia, mas sem abandonar os conceitos de expansão da mente e misticismo. O baralho do Tarô de Marselha, de Alejandro Jodorowsky, por exemplo, é base para a capa do trabalho. “Entramos nessa onda toda do layout das cartas e dos símbolos do tarô: o eneagrama, a estrela de nove pontas”, comenta.

Ouça Em Busca da Viagem Eterna abaixo.

Quando começou 2015

Para quem gosta de Flaming Lips e Brian Jonestown Massacre

Ouça “A Montanha Sagrada” e “Enigma dos Doze Sapos”