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Ódio e Delírio em Ouro Preto

Em Mensur, Rafael Coutinho volta ao século 19 para abordar temas atuais

Ramon Vitral Publicado em 15/04/2017, às 10h21 - Atualizado em 24/04/2017, às 16h43

Presença real
Gringo saiu da imaginação e ganhou o papel
Ilustração: Rafael Coutinho/Divulgação

O quadrinista Rafael Coutinho passou os últimos sete anos acompanhado de um sujeito imaginário conhecido como Gringo. Trata-se de um ex-estudante de medicina em Ouro Preto: ele é um dos raros brasileiros iniciados na prática do mensur, duelo de espadas surgido na Europa do século 15 e incorporado na vida acadêmica de algumas universidades no fim do século 19. “Tivemos conversas mentais constantes sobre a vida, mas só fui aprender sobre alguns aspectos de sua personalidade no quarto ou quinto ano de nosso convívio”, diz o artista.

Gringo é o protagonista de Mensur (Cia. das Letras), álbum de 200 páginas lançado após um período de sete anos de produção, iniciado depois do lançamento da já clássica Cachalote, desenhada por Coutinho e roteirizada por Daniel Galera.

Os vários reencontros e dilemas vivenciados por Gringo nos quadrinhos abordam tópicos atuais. Para Coutinho, os combates de MMA são os equivalentes modernos aos duelos dos mensuren do século 19 e as orelhas moídas de um lutador de jiu-jítsu ecoam as cicatrizes dos praticantes de mensur. “Os jogos sociais criam essas bolhas onde a agressividade acontece. Existe uma admiração da sociedade pelas marcas de um ritual de violência. É quando descobrimos desculpas para o nosso ódio se expressar”, afirma o autor.