Ídolo Amado e Popular

Consagrado na Jovem Guarda, o cantor Jerry Adriani morreu aos 70 anos em decorrência de um câncer

Paulo Cavalcanti Publicado em 22/05/2017, às 12h02 - Atualizado em 02/06/2017, às 16h53

Simpatia Eterna
Ao vivo em 2015, gravando o DVD Outro, que foi lançado no ano seguinte
Debora 70/Divulgação

Para inúmeros saudosistas da época da Jovem Guarda, Jerry Adriani talvez seja mais significativo do que o reservado Rei Roberto Carlos. Jerry era um artista acessível, de alto-astral e sempre disposto a conversar com os fãs, tirar fotos, dar autógrafos e relembrar os velhos tempos. O cantor morreu no dia 23 de abril, aos 70 anos, depois de dez dias internado no Hospital Vitória, no Rio de Janeiro. A princípio, ele foi tratar uma trombose na perna. Lá, descobriu que também tinha um câncer em estado avançado no pâncreas.

Jair Alves de Souza, nascido no bairro paulistano do Brás, em 29 de janeiro de 1947, começou a carreira profissional com dois LPs – Italianissimo e Credi a Mi, ambos lançados em 1964. Naquela época, a música napolitana estava em alta no Brasil e o cantor, descendente de italianos, foi chamado para registrar sua voz no idioma. Porém, os discos fracassaram e ele não conseguiu capitalizar em cima da onda. A gravadora CBS deu mais uma chance para Jerry em 1965, quando ele lançou Um Grande Amor. Acompanhado pela banda Renato e Seus Blue Caps, o cantor veio com um som mais roqueiro e modernizado. O grande trunfo foi uma versão de “Baby Let Me Take You Home”, do The Animals, que na voz de Jerry virou “Deixe-Me Levá-la pra Casa”. A balada “Querida”, que abria o trabalho, também fez sucesso. Jerry se tornava um dos ídolos mais populares do Brasil, emendando hits como “Quem Não Quer”, “Tarde Demais” e “Deixe o Mundo Girar”, entre outros.

Em uma excursão à Bahia, quando já era um ídolo nacional, o artista foi acompanhado pela banda Raulzito e os Panteras. Acabou ficando amigo do líder, Raul Seixas. Ele levou o baiano para o Rio de Janeiro, cidade na qual o rapaz acabou contratado como produtor e diretor artístico da CBS. Os dois trabalharam juntos por cerca de três anos – Seixas escreveu para Jerry um dos maiores sucessos da carreira dele, “Doce, Doce Amor” (1971).

Apesar de priorizar a Jovem Guarda, o cantor também se envolveu em outros projetos. Ele era fanático por Elvis Presley e em 1990 lançou o álbum Elvis Vive, no qual regravou hits do Rei do Rock em português. Também era admirador de Renato Russo e, aproveitando o timbre de voz parecido com o do líder do Legião Urbana, registrou o disco Forza Sempre (1999), com músicas do Legião interpretadas em italiano.

Antes de ser hospitalizado, Jerry Adriani estava em plena atividade, fazendo shows pelo Brasil. Em 2016, lançou o CD e DVD Outro, um projeto ao vivo no qual cantava standards nacionais e internacionais. Em janeiro, quando completou 70 anos, o ídolo da Jovem Guarda anunciou que iria lançar uma autobiografia e que pretendia gravar um disco homenageando o amigo Raul Seixas.