Mudança de Hábito

Obra registra a jornada de estudante brasileira que troca a medicina pelas HQs

Ramon Vitral Publicado em 28/05/2017, às 10h32

Capa de <i>Estudante de Medicina</i>, de Cynthia B.
Divulgação

A quadrinista Cynthia B. começou a produzir Estudante de Medicina quando ainda cursava a Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro, entre 2004 e 2011. O álbum chega às livrarias seis anos depois, mostrando alguns dos dilemas vividos pela autora na jornada que culminaria no abandono de sua vida como médica e na incursão no mundo das HQs. “Quando comecei [a HQ], não conseguia imaginar a minha vida não sendo aquilo, então todos os meus problemas eram muito sérios. Demorou um tempo até eu conseguir me distanciar o suficiente pra conseguir contar uma história que não fosse uma confissão.”

As 176 páginas da HQ foram publicadas simultaneamente no Brasil e na França, onde Cynthia finalizou o livro como parte de uma residência para quadrinistas de todo o mundo na cidade de Angoulême. A obra acompanha diferentes fases dela dentro da faculdade, desde o possível término de seu namoro à necessidade de tratar uma paciente com câncer terminal. “A minha família não curte muito que eu faça quadrinhos autobiográficos, e essa pressão me travava”, ela explica. “Um dia veio a ideia: se eu não estiver falando a verdade, mas estiver falando a verdade no fundo, quem vai saber? Como eu me distancio um pouco, me sinto menos julgada. Enfim, é papo pro meu psicanalista.”