Em HQ, Fábio Moon, Gabriel Bá e Neil Gaiman promovem balada fantástica na Londres dos anos 1970

Ramon Vitral Publicado em 15/10/2017, às 10h21 - Atualizado às 19h55

A Seis Mãos
Fábio Moon e Gabriel Bá fizeram uma adaptação de um conto do mestre Neil Gaiman para os quadrinhos

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Como Falar com Garotas em Festas se parece com história de Laerte: “Era uma chance de tratar de um tema que nos é querido, trabalhando a partir do conto de um autor que admiramos e ainda criando um diálogo visual com outra pessoa que, como o Gaiman, foi fundamental na nossa formação”, diz Bá

Os nomes dos gêmeos e quadrinistas brasileiros Fábio Moon e Gabriel Bá estão lado a lado ao do escritor Neil Gaiman na capa de Como Falar com Garotas em Festas, que adapta para o formato de quadrinhos um conto de 2006 do autor da série Sandman e do livro Deuses Americanos. O álbum chega às livrarias brasileiras às vésperas do lançamento de sua versão para o cinema, em um longa estrelado pelas atrizes Elle Fanning e Nicole Kidman e dirigido pelo cineasta John Cameron Mitchell.

O título com tom de autoajuda esconde nuances dignas da mente de um dos grandes mestres da literatura fantástica das últimas décadas. “O mais legal do texto do Neil Gaiman foi mantido: o ritmo da escrita, os diálogos, o jogo de palavras, tudo o que ele faz melhor do que ninguém”, diz Moon. Ele e o irmão tiveram liberdade plena para criar a partir do enredo concebido pelo escritor inglês e contaram com o auxílio de Gaiman, que enviou fotos dele aos 15 anos, na época em que se passa a história, para ajudar na composição dos protagonistas.

O quadrinho narra a ida dos amigos adolescentes Enn e Vic a uma festa no sul de Londres com o propósito de conhecer garotas. O passeio ganha contornos fantásticos conforme os dois vão interagindo com as anfitriãs.

“Pudemos manter quase todo o texto e expandir a história visualmente”, conta Bá. “Não tínhamos um limite de número de páginas e isso nos possibilitou trabalhar melhor a narrativa e o ritmo visual da história.” Em meio a essa expansão visual, constam as cores em aquarela do gibi. “A história se passa nos anos 1970, e fazer um livro todo colorido à mão numa época em que quase todos os quadrinhos são coloridos no computador ajuda a dar outra cara para a HQ”, afirma Moon.

Leitores já habituados aos artistas notarão, inclusive, um diálogo entre o enredo de Gaiman e os trabalhos iniciais de Moon e Bá, focados principalmente em relacionamentos. Foi exatamente essa ligação que motivou a editora norte-americana do projeto, Diana Schutz, a fazer a ponte entre o trio.

“Essa temática do relacionamento sempre nos interessou. Acreditamos que seja o tipo de coisa que pode ser muito bem trabalhada em quadrinhos, escolhendo o close certo, a troca de olhares, a intimidade da leitura que seduz o leitor”, reflete Bá. A semelhança da trama de Gaiman com Fadas e Bruxas, conhecida história da quadrinista Laerte, envolveu os dois ainda mais com a HQ. “Era uma chance de tratar de um tema que nos é querido, trabalhando a partir do conto de um autor que admiramos e ainda criando um diálogo visual com outra pessoa que, como o Neil Gaiman, foi fundamental na nossa formação”, conclui.