Tempo dos Zumbis: integrantes do Zombies lançam livro e recordam os 50 anos de Odessey and Oracle

Nos mesmos dias em que os Beatles trabalhavam em Sgt. Pepper’s, os estúdios do complexo Abbey Road, em Londres, também abrigavam outros ocupantes: o quinteto inglês The Zombies

Paulo Cavalcanti Publicado em 05/11/2017, às 01h48

Criando a Obra-Prima
The Zombies em 1967 em frente ao prédio dos estúdios Abbey Road: (da esq. para a dir.) Chris White, Colin Blunstone, Rod Argent, Paul Atkinson e Hugh Grundy.
Kaith Waldegrave/Rex/Shutterstock

O ano de 1967 ficou marcado pelo lançamento de discos que mudaram a história do rock, entre eles Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (Beatles) e The Piper at the Gates of Dawn (Pink Floyd). Nos mesmos dias em que os Beatles trabalhavam em Sgt. Pepper’s, os estúdios do complexo Abbey Road, em Londres, também abrigavam outros ocupantes: o quinteto inglês The Zombies, que gravava o álbum Odessey and Oracle.

O trabalho só seria lançado no ano seguinte, quando, ironicamente, o The Zombies já não existia mais. Com o passar das décadas, Odessey and Oracle foi redescoberto, tornou-se cultuado e passou a figurar em listas de melhores de todos os tempos. Também ganhou por parte da crítica o epíteto de “Pet Sounds britânico”, já que, em termos de texturas sonoras e temáticas, tem várias similaridades com a influente obra dos Beach Boys, lançada em 1966.

Rod Argent, tecladista e compositor, e Colin Blunstone, vocalista, foram os fundadores da banda e seguem no núcleo da atual formação, com a qual permanecem na estrada relembrando a trajetória que construíram. Ainda nessa missão de resgate, eles lançaram o livro The Odessey, pela editora Reel Art Press (a obra não tem edição brasileira, mas pode ser encontrada em livrarias que trabalham com títulos importados).

“Esta é uma celebração de tudo o que The Zombies fez desde 1964, quando estouramos com ‘She’s Not There’”, conta o falante Rod Argent. A ideia foi lançar o livro justamente nos 50 anos da gravação de Odessey and Oracle. “O disco é especial para muita gente. Para nós, é um marco a ser superado.”

Na época, a banda estava frustrada com o som que fazia em estúdio. Por isso, deixou a gravadora Decca rumo à CBS, e o selo proporcionou a ajuda do produtor Ken Jones, responsável por conseguir horários em Abbey Road para o grupo. “Apenas as bandas contratadas pela EMI tinham permissão para gravar lá. Mas Ken tinha bons contatos”, Argent relembra. O timing foi perfeito. “Tivemos o mesmo engenheiro de som que os Beatles [Geoff Emerick] também usufruímos de todo o avanço técnico que o Fab Four levou a Abbey Road. Foi uma maratona. John Lennon nos mostrou antecipadamente faixas de Sgt. Pepper’s e nos emprestou o mellotron que eles haviam usado em ‘Strawberry Fields Forever’. Foi um instrumento-chave para a sonoridade de Odessey.”

Odessey and Oracle saiu em abril de 1968. Foi ignorado pela crítica e pelo público em geral; a recepção impulsionou a banda a terminar, de comum acordo, com os músicos conservando os laços profissionais e de amizade. Rod Argent então criou o projeto batizado com seu sobrenome. Colin Blunstone se lançou solo.

Em 1969, porém, aconteceu algo que ninguém poderia imaginar: o single “Time of the Season” chegou ao topo da parada norte-americana, alavancando a vendagem de Odessey. Com a demanda pela banda em alta, mas os integrantes separados, promotores norte-americanos inescrupulosos começaram a colocar The Zombies falsos na estrada. Dusty Hill e Frank Beard, que viriam a integrar o ZZ Top, estavam em uma dessas formações. “Hoje, virou folclore, mas na época não foi nada engraçado. Estávamos longe, na Inglaterra, enquanto aconteciam essas coisas nos Estados Unidos envolvendo nossa música e reputação”, fala o cantor Colin Blunstone. A primeira reunião do Zombies só seria realizada mais de duas décadas adiante, em 1990, para de fato colocar os criadores em contato com os fãs.