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Megadeth retorna ao Brasil para falar de dor e sofrimento

“Alguém tem que fazer o trabalho sujo e falar do lado não muito agradável das coisas, de guerras, catástrofe, discórdia", diz Dave Mustaine

Paulo Cavalcanti Publicado em 29/10/2017, às 10h03 - Atualizado às 20h23

Entrosados
Mustaine e Loureiro tocando em 2016 no Charlotte Motor Speedway
Amy Harris/REX/Shutterstock/AP

Já se tornou tradição: a cada disco novo, o Megadeth vem ao Brasil. A banda de thrash metal liderada pelo cantor e guitarrista Dave Mustaine tem shows marcados em São Paulo (31/10, Espaço das Américas) e no Rio de Janeiro (1/11, Vivo Rio), em turnê que promove o álbum Dystopia, lançado no início de 2016. Os integrantes já passaram com esse show pelo Brasil, em agosto do ano passado, trazendo em seu bojo o guitarrista Kiko Loureiro, que há pouco havia sido incorporado à formação.

Dave Mustaine não se mostra interessado em falar sobre um possível novo álbum do Megadeth – só solta a língua quando o assunto é Dystopia, especialmente depois que o trabalho recebeu um Grammy na categoria de Melhor Álbum de Metal, em fevereiro. “A música pop é feita para alegrar as pessoas, para que elas saiam e tomem uma cerveja”, afirma o músico. “Alguém tem que fazer o trabalho sujo e falar do lado não muito agradável das coisas, de guerras, catástrofe, discórdia. Dystopia reflete estes tempos ruins, com furacões no Texas e em Porto Rico, terremoto no México e toda a injustiça na Venezuela.” Ainda que retrate as desgraças da humanidade, Mustaine tem um lado otimista. “As pessoas vêm demonstrando muita solidariedade em relação às tragédias que assolam meu país [Estados Unidos], ajudando a aliviar a dor.”

O líder do Megadeth fica mais à vontade quando o assunto é a convivência com o representante brasileiro no grupo. “Kiko é o pacote completo”, exalta. “Já passaram grandes músicos pelo Megadeth, como o Marty [Friedman], mas Kiko tem um talento e uma visão que têm feito a banda entrar em um novo patamar. É inteligente e dono de um enorme senso de humor, algo muito necessário entre nós.” Por sua vez, o guitarrista conta que se sente cada vez mais adaptado ao esquema da banda, e ansioso para mostrar isso nos palcos por aqui: “No ano passado, as coisas ainda estavam começando. Depois de mais de um ano na estrada com eles, a máquina está cada vez mais azeitada”.