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Lampadinha, produtor que trabalhou com Titãs e CPM 22, investe em carreira internacional

Igor Brunaldi Publicado em 24/02/2018, às 11h36 - Atualizado às 11h39

Sem Fronteiras
Lampadinha amplia os horizontes
Luringa/Divulgação

Muitos produtores e músicos brasileiros que buscam reconhecimento, além de oportunidades para trabalhar com artistas do mundo todo, já sonharam em tentar conquistar espaço no mercado da música se mudando para fora do país. Agildo Lasaro, conhecido como Lampadinha, ou até mesmo Lamps, para os gringos, conseguiu pavimentar esse caminho para si mesmo e transformar o sonho em projeto de vida.

Lampadinha já tinha feito um pouco de tudo e conhecido um pouco de cada gênero e artista do Brasil quando resolveu rumar para Los Angeles, onde mora e trabalha atualmente. Engenheiro de mixagem, gravação e masterização, dono de uma barba intimidadora, mas também de uma voz calma e amigável, ele já trabalhou com veteranos, como Titãs, CPM 22 e Charlie Brown Jr., e mais jovens, como Mel Azul, Scalene e Garotas Suecas. Vencedor de cinco prêmios Grammy Latino, atualmente ele trabalha com a cantora Clio Wilde, com o artista pop brasileiro (criado nos Estados Unidos) Lord F e o espanhol Héctor Guerra.

Com 30 anos de experiência na área, e uma inquietude jovial, (o agora) Lamps partiu para os Estados Unidos aos 51 anos. Na Cidade dos Anjos, fundou a empresa My Name is Lamps, com a qual quer renovar os ares e a inspiração para trabalhar. “De tempos em tempos eu preciso de alguma coisa que me tire da zona de conforto. Daqui eu consigo aumentar meu leque de possibilidades, trabalhar com artistas brasileiros e também com artistas internacionais, com os quais eu jamais conseguiria trabalhar estando no Brasil”, diz ele, frisando que apenas ampliou as possibilidades, mas que segue prospectando artistas brasileiros para produzir.

“A grande diferença entre o tratamento da música está na educação”, reflete. “No Brasil, não temos a música no currículo escolar do ensino estadual, como tem aqui. Quem quer estudar música tem que ir atrás de um professor particular. É como se não ensinassem matemática na escola, por exemplo. Ninguém saberia fazer conta. Com a música também é isso.” Para ele, a situação de um país reflete diretamente na produção artística. “Quando as coisas estão bem, elas estão bem para todo mundo, até pra música.” E compara: “Se tivéssemos essa educação musical implantada nas escolas, como tem aqui, a música brasileira seria muito mais poderosa, invadiria a América do Norte, a Europa. Ninguém tem o groove que a gente tem”.