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Conheça Drik Barbosa, revelação do hip-hop nacional que chega ao primeiro EP da carreira

“É como se eu estivesse começando, só que uma fase mais séria”, diz a MC do selo Lab Fantasma; ouça o EP Espelho

Lucas Brêda Publicado em 17/04/2018, às 19h23 - Atualizado às 19h29

A rapper Drik Barbosa
Luciana Faria/Divulgação

‘‘Tempo das mulher fruta, eu vim menina veneno”, avisou Drik Barbosa no verso que fez para contribuir para a música “Mandume”, de um dos discos mais aclamados do rap nacional nesta década: Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa…, de Emicida. É verdade que, em 2015, a MC paulistana já vinha soltando singles e participando de sons alheios havia alguns anos, mas foi ali que começou a aparecer para um público mais abrangente. No ano passado, integrando o coletivo Rimas & Melodias, Drik se firmou como revelação do hip-hop nacional. Agora, ela encara o primeiro grande lançamento da carreira: um EP chamado Espelho, lançado no último mês de março.

“Eu vinha fazendo músicas soltas, não criava em cima de um conceito”, ela conta em meio à correria da finalização das gravações do trabalho. Sempre pensei que quando fizesse meu primeiro trabalho, ele seria muito íntimo. As faixas, se não foram coisas que eu realmente senti, são histórias de pessoas bem próximas. Não é mais: ‘Vou falar sobre isso pensando nas pessoas ouvindo’.” Drik vem versátil, com uma voz que pode tanto cuspir versos agressivamente, em uma faixa de hip-hop mais “pé na porta” (como o single “1992”), quanto cantar um R&B tendendo ao cadenciado e melódico (“No Corre”).

Espelho é o primeiro lançamento da rapper pela Lab Fantasma, selo/marca/produtora de Emicida e Fióti, de quem Drik é artista contratada, mas a relação com os irmãos é antiga. Há cerca de dez anos, Drik frequentava a famosa Batalha do Santa Cruz, encontro de MCs na zona sul de São Paulo por onde passaram nomes como Projota, Rashid e, claro, Emicida. “Eu ficava mais assistindo, preferia as rodas de freestyle”, recorda. “Não conseguia batalhar com os caras, eles sempre falavam as mesmas coisas, apelavam para a imagem e ficava cansativo.”

O EP de Drik é o primeiro lançamento registrado no recém-inaugurado estúdio da Lab. E a cantora já vai emendar esse trabalho no próximo: ainda este ano começa a gravar o primeiro disco cheio da carreira, previsto para 2019. “Não digo que estou com medo [de mostrar o material], porque se tem algo que eu entendi fazendo música é que as coisas dependem de mim”, reflete. “É como se eu estivesse começando, só que uma fase mais séria. Então não estou com medo, estou ansiosa.”

QUANDO COMEÇOU 2008

PARA QUEM GOSTA DE Jamila Woods, Tássia Reis, Iamddb

OUÇA “1992”, “No Corre”, “Mandume”, “Sem Clichê”