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De Volta à Batida

KL Jay, do Racionais MC’s, retorna ao estúdio para lançar o segundo disco solo

Lucas Brêda Publicado em 19/03/2018, às 09h42 - Atualizado às 10h01

KL Jay
Laiz Amarante/Divulgação

Um dos maiores DJs do Brasil de todos os tempos, KL Jay começou a tocar marcando os vinis com durex, nos anos 1980, quando a cultura hip-hop ainda não era vastamente conhecida nem mesmo nos Estados Unidos. Na década seguinte, já como comandante das picapes do maior grupo de rap brasileiro, o Racionais MC’s, foi um dos primeiros a produzir mixtapes caseiras. “Eu e o outro DJ, o Fresh, gravávamos as fitas em casa para vender no baile”, recorda. “Era meia hora cada um, eu fazia a parte de R&B e ele a de rap. A capa era à mão.” Kleber Simões, contudo, nunca foi muito fã do estúdio. “Vou pra lá e durmo. Demora pra caralho. Fico no celular, querendo ir embora. Não tenho essa veia”, confessa. “Fazer música é assim: quando você vê, já passou quatro horas! Não tenho paciência. Agora, quando você vê o resultado pronto, é: ‘Caralho!’”

KL Jay lança neste mês de março o segundo disco da carreira solo, Na Batida Vol. 2, que chega 17 anos depois do antecessor, chamado Vol. 3 (2001). “Fumei um monte de maconha, fiz umas músicas louco [naquela época]. É um disco bom, que marcou e toca até hoje”, recorda do trabalho, lançado entre os dois maiores álbuns do Racionais, Sobrevivendo no Inferno (1997) e Nada como Um Dia Após o Outro Dia (2002). “Eu ainda não tinha me descoberto 100% como DJ, era mais novo. Ego, né, mano? Queria mostrar que também era produtor.”

O Vol. 2, com a alcunha No Quarto Sozinho, vem em tempos mais tranquilos, com o Racionais em hiato e as faixas sendo desenvolvidas há mais de cinco anos. Como de costume, o álbum traz diversos MCs e produtores convidados – Kamau, Rincon Sapiência, Edi Rock e MC Guimê são alguns –, e a sonoridade, em geral, é uma espécie de atualização do estilo de fazer rap nos anos 1990: samples finamente remixados, de Gil Scott-Heron, Donald Byrd ou Curtis Mayfield, por exemplo, com batidas e vozes inspiradas em sons como os de Anti (2016), de Rihanna, do qual ele é fã, e até com um surpreendente house. “Acho que [agora] tem mais do KL Jay”, comenta. “O Vol. 3 é um bom disco, mas é mais fechado, egoísta, com a mesma batida, os mesmos timbres. Este não, é totalmente diferente. Tem mais alma, mas continua sendo agressivo, com pegada. Só que agora é mais livre, mais mente aberta.”