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Entre os Mortos-Vivos

Mais renomado autor brasileiro de livros sobre zumbis, Rodrigo de Oliveira agora fecha um ciclo

Paulo Cavalcanti Publicado em 19/04/2018, às 00h17 - Atualizado às 00h17

Muito Sangue
Rodrigo de Oliveira escreve de olho nas entranhas dos zumbis.
Picasa/Divulgação

Não é fácil viver de literatura no Brasil. Ainda mais quando se opera dentro de um nicho específico. Mas Rodrigo de Oliveira não pode se queixar. Neste momento, o autor lança pela Faro Editorial o livro Era dos Mortos – Volume 1, a primeira parte do final de As Crônicas dos Mortos, a maior série brasileira de ficção nacional sobre o universo dos zumbis, composta até agora por sete livros. “Esse é o tipo de experiência que marca a vida de alguém de uma forma profunda”, diz. “Agora que estamos a um passo do fim, confesso que fico com um sentimento dúbio. Por um lado, tenho essa sensação de ter conseguido construir algo inédito, em termos de tamanho e originalidade. Mas sinto uma dose de tristeza por saber que um ciclo inteiro está se encerrando”.

Os livros de Oliveira têm ingredientes tipicamente brasileiros. Para ele, sagas de zumbis pegam bem no Brasil, principalmente por causa de nossas condições políticas e sociais. “Existe também um componente adicional, a desilusão das pessoas com relação a como nossa sociedade tem funcionado”, ele relata. “Histórias distópicas como as minhas levam a essa reflexão. O fim do mundo como nós o conhecemos fascina as pessoas desde sempre.” O segundo volume de Era dos Mortos provavelmente sai em julho deste ano, mas Oliveira já tem outros trabalhos engatilhados. Ele deverá participar de um projeto com outros três autores contratados pela editora que publica seus livros. “Além disso, vou começar a escrever a continuação do meu primeiro livro de fantasia, Os Filhos da Tempestade, que foi publicado no ano passado pela editora espanhola Planeta dos Livros. Há muito por fazer. Ainda pretendo dar um monte de sustos em muita gente”.

Para finalizar, ele faz uma reflexão sobre o ofício de escritor no Brasil. “Atuar com literatura nacional é um desafio imenso sempre e, tratando-se de ficção e, pior ainda, do terror, ganha ares de missão impossível”, reflete. “Vivemos em um país que não tem o hábito da leitura e no qual existe uma resistência impressionante com relação aos autores nacionais. Felizmente sinto que o cenário está melhorando, mas é uma mudança bastante lenta e gradual.”