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James Franco

O ator fala sobre aprender com Barack Obama e ter sido preso na adolescência

Sean Woods Publicado em 19/04/2018, às 01h54 - Atualizado às 01h55

James Franco
Ilustração: Mark Summers

Qual é o melhor conselho que você já recebeu?

Pare de atrapalhar você mesmo. O ego mata.

O que religião ou espiritualidade significam para você?

A espiritualidade é crucial. É uma coisa muito simples. Você tem de devolver o mundo ao mundo. É a lei que sigo. Você recebe da vida o que dá a ela. Dá porcaria, recebe porcaria. Dá amor, recebe amor.

Quais são a melhor e a pior parte do sucesso?

Você fica: “Porra, começou superbrega, chega logo nas piadas”. A melhor parte é seus sonhos virarem realidade. A pior é que seus sonhos viram realidade e você percebe que isso não vai preencher aquele vazio. É o ego, cara! Ego é o problema do mundo e ter sucesso na minha área multiplica isso por 1 milhão. É como se você tivesse um espelho de 30 metros ao seu redor o tempo todo. Não tem a mínima chance.

O que gosta de ouvir para relaxar?

Escuto o podcast You Must Remember This. Adoro. Fala tudo sobre os primeiros 100 anos da história do cinema. Aborda a maioria dos meus heróis na indústria, mas quase toda história é cheia de desastre: pessoas tentando ter sucesso, pessoas que tiveram sucesso e perderam, pessoas que tentam manter a carreira ou o amor ou o casamento.

Qual é sua abordagem básica em relação à vida?

Acredito em trabalhar muito. Acredito que o sofrimento não é um ingrediente necessário do bom trabalho; as pessoas não precisam usar a arte para lidar com seus demônios. Amei o livro do Bryan Cranston A Life in Parts. De alguma forma, ele entendeu tudo. Tem uma frase ali, algo do tipo: “Quero que minha vida seja estável para que eu possa ser maluco na minha arte”. Assino embaixo.

Na adolescência, você teve problemas com a lei – beber quando era menor de idade, roubar lojas. O que isso ensinou?

Acabei de ouvir a entrevista que Marc Maron fez com Barack Obama [no podcast WTF], e o Obama disse que, quando era mais jovem, meio que experimentou chapéus diferentes. Ao crescer, aprendemos a nos encaixar no mundo e, quando eu era novo, sentia que não me encaixava. Tive uma fase rebelde e então percebi que ser durão não era a minha. Cresci em Palo Alto, a seis quadras do Steve Jobs. Pensei: “Cara, sou o moleque mais azarado de Palo Alto, flagrado o tempo todo. Meus amigos são muito piores do que eu – por que atraio policiais?” Agora percebo que tive sorte. Era como se o Universo dissesse: “Cara, pare. É hora de acordar”.

Houve uma época em que você estava estudando em Columbia, NYU, Warren Wilson e Brooklyn College enquanto trabalhava em filmes. Foi difícil?

Fazer quatro faculdades de uma vez foi uma extensão desse tipo de busca pelo meu caminho no mundo. Foi difícil. Tinha abandonado a Ucla aos 18 anos. Quando tinha 26 ou 27, voltei e terminei a faculdade de letras. E descobri que amava estudar. Estava recebendo algo que não recebia na minha carreira como ator. E é da minha natureza me jogar quando encontro algo de que goste. Obviamente exagero. Ao exagerar nos estudos, não vivi minha vida – estava meio que me escondendo nos cursos.

Qual foi a melhor lição que aprendeu atuando?

Fiz um filme que pouca gente viu, chamado Annapolis. Fomos à Academia Naval conhecer os marinheiros e aprender como era. Ouvi dizer que dão aos marinheiros médios mais trabalho do que aguentam. Ficam sempre na mira de uma arma, então, quando estão no oceano ou em uma situação de batalha, estão preparados para tomar decisões sob pressão. Só que eu deveria ter feito só uma faculdade e aproveitado mais a experiência.

Você trabalha muito, mas também há esse lado chapado que não combina com você.

Acho que sou mesmo bom ator. Tenho olhos pequenos e, quando sorrio, pareço muito chapado. Lembro que fui a uma festa e Lady Gaga estava ali e quase levou um tombo de tão surpresa quando falei que não fumei maconha quando estávamos fazendo Segurando as Pontas. Simplesmente presumiu que estávamos chapados o tempo inteiro. Seth [Rogen] assumidamente está chapado o tempo todo, mas não fumo nada. Tenho certeza de que você não acredita em mim.